Sistemas agroflorestais com seringueira como alternativa de fonte de renda

A produção inicial de borracha natural a partir do seringal nativo, por contingências fitossanitárias, teve o seu deslocamento pressionado para as áreas de escape do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, alcançando Minas gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e, onde vem se destacando o Estado de São Paulo como o maior produtor nacional, respondendo hoje por mais da metade da produção.

A implantação apropriada de sistemas agroflorestais (SAFs) com a seringueira, pode atuar positivamente na minimização de alguns problemas edafoclimáticos ocorrentes em tais áreas, bem como, sócio-econômicos. Referidos sistemas, envolvem a combinação deliberada da seringueira com culturas agrícolas e/ou animais, em arranjo seqüencial ou espacial, que resultem em benefícios ao solo, com a melhoria do controle da erosão, aporte de matéria orgânica e ciclagem de nutrientes, além de diversificar a produção da propriedade agrícola.

Do ponto de vista biológico, considerando as espécies associadas, a utilização de espécies apresentando ciclos vegetativos distintos, proporciona um melhor uso temporal dos fatores de produção além de resultar em menor nível de competição entre estas. Desse modo, a seleção de espécies a serem consorciadas, deverá levar em conta alguns parâmetros relacionados ao clima, às estruturas vegetativas; características fisiológicas; períodos de máxima exigência por fatores de produção e compatibilidade sanitária entre as  espécies envolvidas, uma vez que, qualquer variação de um fator ambiental que influencie no crescimento e desenvolvimento das
plantas, resultará em uma vantagem seletiva de uma das culturas sobre a outra. E, ainda, em decorrência da manifestação de uma interação dinâmica entre as culturas consorciadas, é constatada uma maior estabilidade de produção no sistema como um todo.

Tecnicamente, a seringueira pode compor SAFs com uma infinidade de culturas anuais, semiperenes e perenes, propiciando benefícios mútuos, além de propiciar a diversificação de oferta de produtos e renda ao produtor, com melhoria das condições sócio-econômicas das propriedades rurais. O consórcio nos três primeiros anos de vida do seringal é normalmente feito com cultivos anuais como, arroz, milho, feijão, sorgo, soja, batata doce, abacaxi e trigo dentre outras. A partir do quarto ano o sombreamento oferecido pela copa, permite o uso de cultivos semiperenes e perenes, menos exigentes em luz, como juçara, pupunha, palmeira real e café propiciando uma convivência harmônica e até mesmo permanente quando a seringueira é plantada em renques (filas duplas) afastadas de 16 a 22 metros.

Experimentos conduzidos no Paraná envolvendo o consórcio seringueira e o cafeeiro atestam a viabilidade de SAFs temporários e permanentes com benefícios mútuos, promovendo a recuperação produtiva e o prolongamento da vida útil de cafeeiros decadentes e em fase de erradicação e a antecipação de dois anos na entrada em produção do seringal no consórcio temporário. No consórcio permanente, as duas culturas convivem sem causar nenhum prejuizo uma à outra, com a vantagem de aumentar a renda por unidade de área, tendo por base o índice de equivalência de área (IEA).

 

Fonte: Área de Fitotecnia-AFT – Programa Recursos Florestais –PRF.- Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR

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Um comentário sobre “Sistemas agroflorestais com seringueira como alternativa de fonte de renda
  1. Parabéns pela matéria! Muito pertinente. Abraços. Diogo Esperante santahelenaagricola.com

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