É hora de extrair látex

Com preços em ascensão e alta demanda nacional, borracha tem potencial para ingressar com força no Paraná, que tem clima e terra propícios para o plantio das seringueiras.

Um conjunto de fatores nacionais e internacionais está fazendo que a produção de borracha no Brasil se torne um ótimo negócio, com retorno garantido para os próximos anos. De um lado, os principais países asiáticos exportadores do produto – Indonésia (com 45% do total) e Tailândia (35%) – sofrem com as intempéries ficando cada vez mais complicado abastecer a demanda mundial. Do outro, a indústria automobilística brasileira cresce à todo vapor, cerca de 27% nos últimos quatro anos, potencializando a demanda para a indústria de pneumáticos.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontam que a produção do país atende apenas 30% da demanda interna, com 130 mil toneladas, muito pouco pelo potencial que possui. Em 2010, o Brasil importou nada menos do que 260,8 mil toneladas de borracha, um investimento de R$ 1,29 bilhão. A produção interna está concentrada em São Paulo (com 55%), Mato Grosso (14%) e Bahia (13%).

No Paraná, a cultura de plantar e extrair a borracha bruta das seringueiras – a heveicultura – ainda é pouco difundida, mesmo com o Estado tendo clima propício e fertilidade do solo boa, principalmente nas regiões norte e noroeste (ver mapa). Segundo Gustavo Firmo, chefe da Divisão de Florestas Plantadas e Culturas Permanentes do Mapa, o plantio aumentou substancialmente por aqui desde 1996, mas ainda é modesto, cerca de 667 hectares, com uma produção de 1,22 mil toneladas, o que torna o Estado apenas o 11º produtor. ”É fato que existe um deficit de borracha mundial, com um mercado bem promissor. No Paraná, apenas três contratos de financiamento foram feitos em 2009, no valor de R$ 139 mil. Ano passado, também foram realizados três contratos, somando R$ 24 mil”, aponta Firmo, lembrando que nos últimos dois anos, foram aplicados R$ 44 milhões em crédito para investimento em seringais.

Para os técnicos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) André Luiz Ramos, pesquisador da área de fitotecnia, e Paulo Rezende, técnico agrícola especialista em heveicultura, alguns fatores devem ser trabalhados para incrementar a produção no Estado. ”A falta de divulgação, o alto custo das mudas (cerca de R$ 4), e a demora para a primeira extração (por volta de sete anos) são entraves que inibem o produtor a trabalhar com seringueiras”, explicam eles.

Entretanto, a espera e o investimento são recompensados. Em doze anos, o quilo da borracha bruta (ou coágulo) subiu mais de 200%, de R$ 1,10 para R$ 3,50. Um produtor pequeno, por exemplo, com quatro hectares, consegue plantar cerca de duas mil árvores nesta área, que produzem por volta de 1,6 mil quilos por mês, o que gera uma renda bruta de R$ 5,6 mil mensais. ”A sangria é realizada de 4 em 4 dias e o trabalho não é penoso, feito por poucas pessoas”, explica o técnico agícola.

Já o pesquisador André Ramos ressalta sobre a demanda de pesquisa para a heveicultura, que inclui clones adaptados para as condições do Paraná, adubação, nutrição, propagação e o Sistema Agroflorestal (SAF), no qual o produtor planta as seringueiras em consórcio com outras lavouras. ”Dessa forma, na fase inicial, quando ainda não está ocorrendo a extração da borracha, há uma amortização dos custos com a colheita de outras culturas, como o café”, complementa o especialista.

Fonte: Agroblog/ Heiko Rossmann

Publicado em Seringueira