Como são formados os preços da borracha?

Devido aos altos e baixos dos preços internacionais nos últimos meses muito produtores nos procuraram confusos sobre como é formado o preço da borracha natural. Por isso resolvemos publicar este artigo com as explicações.

Primeiro, é importante destacar que o setor conta com um preço de referência, o preço do Granulado Escuro Brasileiro (GEB). Este produto é o principal dentre os compostos produzidos pelo setor e muito utilizado pelas indústrias de artefatos leves e pneumáticas na produção de artigos como: pneus, componentes automotivos, pisos e mangueiras industriais.

Desde 1992 a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR) desenvolveu uma metodologia de cálculo, conhecida como Referência APABOR (veja mais detalhes no link), a fim de dar transparência ao processo de formação de preços. A Referência APABOR foi a base para o método criado pelas indústrias e que hoje é usado para definir a cotação do GEB. Este cálculo consiste em uma combinação da média bimestral dos preços do composto TSR20, na bolsa de Cingapura, com os custos de internalização, ou seja, o que é gasto para importar o produto para o Brasil. Veja o quadro abaixo:

Aqui temos o exemplo de como foi calculado o valor do GEB para os meses de Junho e Julho. A volatilidade fica a cargo principalmente das médias bimestrais das cotações do dólar e da TSR20. Por isso em nossos artigos semanais, sempre destacamos o comportamento destes dois componentes. Outros custos como impostos e encargos financeiros também contribuem para a formação do preço.

Os bimestres de fechamento do valor do GEB são:

- DEZ/JAN
- FEV/MAR
- ABR/MAI
- JUN/JUL
- AGO/SET
- OUT/NOV

Os valores do GEB e da Referência APABOR são publicados bimestralmente no site da Associação: (http://www.apabor.org.br).

Agora se você já quer ir programando suas vendas com base no que vai acontecer no próximo bimestre, uma boa fonte de cotações diárias para o TSR20 é o site: http://www.borrachanatural.agr.br uma referência para todo o setor. A assinatura do site é “obrigatória” para o produtor de borracha que quer se manter informado. As cotações podem ser acessadas gratuitamente na página principal do site, que conta ainda com vasto material informativo e preciosas publicações semanais sobre o mercado (disponíveis apenas para seus assinantes). A qualidade da informação torna o preço da assinatura irrisório, vale cada centavo. Fica a dica!

Uma vez definido o preço do GEB, as beneficiadoras calculam o preço que vai ser pago pelo coágulo no campo aplicando o rendimento do coágulo, o famoso TBS (Teor de Borracha Seca) ou, em inglês, DRC (Dry Rubber Content). O valor padrão do mercado é o 53%. Caso a borracha contenha mais ou menos água o valor pode subir ou descer (quanto mais seca a borracha maior o DRC e vice versa).

Uma vez calculado o rendimento (GEB x DRC) é hora da Beneficiadora descontar os seus custos, o que gera a também famosa e polêmica “Taxa de Participação do Produtor”. Esta taxa varia de acordo com a época do ano e com a concorrência pela compra da borracha. Seu valor médio gira em torno de 70% a 75%, podendo atingir níveis maiores ou menores de acordo com cada negociação. O site Borracha Natural conta com um gráfico interessante da variação desta taxa nos últimos anos.

A equação final fica assim:

MÉDIA BIMESTRAL TSR20 * CAMBIO * TAXA DE INTERNALIZAÇÃO * DRC * PARTICIPAÇÃO = PREÇO DO COÁGULO

Fica aqui uma reflexão. Já é consenso entre os analistas do mercado que uma participação muito elevada do produtor tende a enfraquecer não só as beneficiadoras como todo o setor. Por quê? Por que para a indústria é indiferente comprar no Brasil ou importar, ora, eles já importam 70% da borracha que consomem.

Por sua vez, estas indústrias exigem do produto brasileiro o mesmo padrão de qualidade que recebem com o produto importado. Para atender estas exigências são necessários laboratórios, técnicos, tecnologias e processos que exigem altos investimentos. Não fosse pelo investimento que algumas beneficiadoras fizeram nos últimos anos o Brasil não teria como atender as especificações técnicas (cada vez mais exigentes) destas indústrias, o que por sua vez aniquilaria o setor. Ou seja, taxas muito elevadas de participação tiram o capital de reinvestimento das usinas e, por fim, prejudicam a competitividade do nosso produto. O produtor começa a “dar um tiro em seu próprio pé”.

O produtor certamente merece um bom preço. Mas devemos sempre pensar em remunerar toda a cadeia produtiva, desde o seringueiro até a beneficiadora, para que assim tenhamos um futuro próspero para nosso setor. A palavra certa é: equilíbrio.

Boas colheitas e bons negócios a todos!

Fonte: Diogo Esperante (Santa Helena Agrícola)

8 comments on “Como são formados os preços da borracha?
  1. Obrigado pela divulgação. Nosso setor precisa de mais veículos como o seringueira.com. Abraços!

  2. Obrigado pela divulgação. Nosso setor precisa de mais veículos como o seringueira.com. Abraços!Diogo Esperante santahelenaagricola.com

  3. josé manuel disse:

    informações como estas são excenciais para quem está pensando em cultivar seringueiras.

  4. josé manuel disse:

    josé manuel – sp

  5. Renato Ferrari disse:

    Bom Dia

    Sobre o cometário “Tiro no pé” porque nos congressos de seringueira existe uma forte estimulação no plantio de seringueira alegando que o Brasil importa 70% das necessidades, se para a formação dos preços pouco importa se as pneumáticas compram do mercado interno ou importam do mercado externo. Concluindo, quem paga o preço é o produtor que tem investir pesado e a longo prazo para depois ficar nas mãos das pneumáticas, assim como toda commodities agrícolas brasileira. A diferença de outras commodities como cana, soja, milho, laranja é que são safra menores, sendo a cana de 6 anos e a laranja, a maior, de mais ou menos 10 anos, a seringueira chega a 40 anos. Sendo assim, é viável plantar seringueira no Brasil dependo da industria pneumática e bancando a tecnologia das beneficiadoras de borracha?

    “Realmente um tiro no pé, com alto custo”

  6. Renato Ferrari disse:

    Como vamos manter o preço viável da borracha?

    O primeiro protótipo de pneu obtido através de látex natural das plantas guaiúle (Parthenium argentatum) e dente-de-leão russo (Taraxacum kok-saghyz) já foi apresentado. O desempenho técnico e o potencial económico da borracha obtidos têm sido evidentes na produção destes pneus, avança a AlphaGalileo.

    Após o cultivo e extracção do látex das plantas guaiúle e dente-de-leão russo, a empresa holandesa de pneus Apollo Vredestein, parceira do projecto europeu EU-PEARL, fabricou esta semana os primeiros protótipos de pneus com borracha natural produzida na Europa. Os modelos serão submetidos a testes intensivos nos próximos meses.
    O projecto europeu EU-PEARL, através do qual se realizou esta experiência, começou há quatro anos com o objectivo de encontrar fontes alternativas de látex e borracha para a Europa e reduzir a unidade comercial do mercado asiático deste recurso por forma e promover a cultura de plantas produtoras de látex na União Europeia. Este projecto é financiado pelo 7º programa-quadro da Comissão Europeia e desenvolvido por parceiros de oito países diferentes.

  7. I haven’t checked in here for a while as I thought it was getting boring, but the last few posts are really good quality so I guess I will add you back to my daily bloglist. You deserve it my friend. :)

  8. kalebe batista inacio disse:

    boa noite meu nome é kalebe batista inacio e gostaria de saber qual é o valor´pago pela borracha ai em sp

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