Archive Julho, 2011

Projeto aposta no cultivo da seringueira como fonte de renda e sustentabilidade

Pneus, preservativos, acessórios e calçados. Estes produtos, tão constantes na vida moderna, têm um material em comum na composição: a borracha natural. Mas ao contrário do que pode sugerir o senso comum, a produção da borracha não se restringe mais ao extrativismo na Amazônia, responsável pelo período áureo da região do século XIX até as primeiras décadas do século passado. Hoje, a hevicultura tem como base um planejamento racional e está mais distribuída pelo sudeste e centro-oeste do País. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, apenas os estados de São Paulo, Mato Grosso e Bahia são responsáveis por mais de 80% da produção nacional de borracha.

No Rio de Janeiro, um projeto apoiado pelo edital de Apoio à Inovação Tecnológica, da FAPERJ, segue esse movimento. Empreendedores do Instituto Tecnológico da Borracha apostam no cultivo da seringueira (Heveas brasiliensis) como fonte de renda e sustentabilidade para o município fluminense de Quatis, situado na histórica região do Vale do Paraíba. Segundo o diretor do instituto e coordenador da iniciativa, o economista Marcello Tournillon Ramos, o projeto é uma oportunidade para ajudar a disseminar o cultivo de borracha no estado, que ainda é inexpressivo. “O objetivo é criar uma infraestrutura para o cultivo da seringueira fluminense, para que o Rio de Janeiro participe mais ativamente da produção nacional. Contrariando o que muitos pensam, o clima e o solo fluminenses, com destaque para o Vale do Paraíba, são extremamente propícios a essa cultura”, afirma.


Sementes de seringueira: viveiro da Iteb tem dez mil mudas, que serão distribuídas aos pequenos produtores

Renda e sustentabilidade

O projeto do Instituto Tecnológico da Borracha (Iteb), que tem entre seus parceiros a ONG Educa Mata Atlântica, propõe a introdução da seringueira como negócio socioambiental de longo prazo e reabilitação de áreas degradadas – em Quatis, inicialmente, para depois expandir a iniciativa para outras localidades do Vale do Paraíba. “A cultura da seringueira pode representar uma fonte de renda para os pequenos proprietários rurais da região. Ela pode gerar empregos diretos e indiretos e criar condições favoráveis para a fixação do homem no campo”, destaca Ramos. “Ao mesmo tempo, ela atende a legislação ambiental e pode ser uma importante aliada na preservação do meio ambiente”, completa.


Marcello Ramos (de branco), do Iteb, recebe técnico da Michelin Ney Santana e jovens da ONG Educa Mata Atlântica

Com esse propósito, criou-se um polo de desenvolvimento da cultura em uma propriedade rural situada às margens da estrada RJ -159, que liga Quatis ao distrito de Falcão. Lá, os pequenos produtores interessados recebem assistência técnica e formação adequada para cultivar a seringueira dentro dos parâmetros de sustentabilidade. “Os agricultores aprendem todo o processo de produção, desde a criação das mudas em viveiro, com enxerto clonal, passando pelo plantio, até a extração da borracha natural. Além da prática do manejo, eles recebem conhecimentos teóricos sobre o setor em geral e sobre os critérios de preservação ambiental”, diz Ramos.

O diretor do Instituto Tecnológico da Borracha recomenda aos agricultores que dividam seus terrenos em dois modelos de plantação: o modelo do seringal solteiro, ou seja, uma plantação só de seringueiras, e o modelo consorciado, que mistura seringueiras a outras espécies, como a pupunheira. “A seringueira demora seis anos para começar a produzir. Por isso, o modelo consorciado é interessante, já que a pupunheira dá frutos em dois anos, o que garante renda durante esse período de carência”, explica. O modelo consorciado também é ecologicamente correto. “O plantio de espécies diversificadas ajuda a recuperar com mais rapidez os solos degradados”, acrescenta Ramos, sugerindo que a atividade pode ser explorada em Áreas de Preservação Permanente (APP), como margens de rios e topos de morros.

Depois da atual etapa de capacitação dos agricultores familiares e pequenos produtores locais, o próximo passo será disponibilizar o plantio de 10 mil mudas de seringueiras, distribuídas em diversas propriedades da região. Ao todo, as árvores vão ocupar 20 hectares. Esse número terá um impacto positivo para o meio ambiente. A floresta de seringueira propicia a proteção do solo contra erosão e a proteção de nascentes e mananciais. Outro aspecto importante é que a Heveas brasiliensis é uma das espécies cultivadas com maior potencial de fixação dos gases causadores do efeito estufa, processo chamado de “sequestro de carbono”. “A estimativa é que os 10 mil pés de seringueira, em 15 anos, ‘sequestrem’ cinco mil toneladas de carbono equivalente (CO2e)”, ressalta Ramos.

Países asiáticos como Tailândia, Indonésia, Malásia, China e Vietnã são os mais importantes produtores mundiais de borracha natural. “Atualmente, o Brasil ocupa o nono lugar na produção mundial e precisa importar o produto para abastecer o mercado interno”, diz Ramos. A heveicultura gera receita e impostos com a venda da borracha natural, tanto in natura (látex virgem ou coágulo) quanto beneficiada – com produtos como o Granulado Escuro Brasileiro, conhecido como GEB-1. “Temos que suprir uma lacuna na produção interna de borracha do estado do Rio de Janeiro, que tem instalações da maior pneumática do mundo, a Michelin”, conclui. Também participam do projeto a educadora ambiental Vânia Velloso e a diretora do Educa Mata Atlântica, Rita de Souza.

Fonte: Débora Motta – FAPERJ

Postado em 30/07/2011

Michelin encerra atividades na região

A Plantações Edouard Michelin de Mato Grosso, do grupo francês Michelin, está encerrando as atividades em definitivo na região sul do Estado. A área remanescente da Michelin no distrito de Ouro Branco do Sul, em Itiquira, com cerca de 800 hectares, foi vendida agora ao Grupo Maggi, que, no fim de 2009, já havia comprado 8.000 hectares do grupo francês. Os funcionários remanescentes da Michelin foram comunicados do encerramento das atividades no dia 18 deste mês.

O gerente de Recursos Humanos da Plantações Michelin de Mato Grosso, Ubirajara Swinerd, justificou que o encerramento das atividades se deve, primeiramente, à baixa produtividade das seringueiras e, agora, devido às dificuldades logísticas para o beneficiamento de borracha natural na região. “As dificuldades logísticas tornaram as atividades da empresa na região inviáveis”, explicitou.

No final de 2009, o Jornal A TRIBUNA havia noticiado que o grupo francês estava encerrando o cultivo da seringueira na região em função das condições climáticas desfavoráveis para a produção, que resultavam em produtividades inviáveis. Com isso, a empresa manteve apenas uma fábrica de beneficiamento de borracha natural e um laboratório de pesquisa na área de seringueira – que estão sendo desativados agora. Na época, a empresa empregava em torno de 580 pessoas na região.

Ubirajara Swinerd informa que em torno de 50 funcionários ainda estão ligados ao grupo francês, a maioria atuando ultimamente na usina de beneficiamento e poucos deles na área de pesquisa. Com o fim das atividades, o gerente esclareceu que todos os funcionários demitidos serão devidamente indenizados, contando com um amplo plano social de benefícios. Alguns dos empregados vão ser aproveitados em outras unidades do grupo francês no país.

O gerente de Recursos Humanos contou que, no fim de 2009, com o encerramento do cultivo da seringueira na região, um total de 110 famílias ligadas à empresa foram beneficiadas em um programa social na área da agricultura familiar. Para essas famílias, a Plantações Michelin destinou 1.100 hectares das suas terras. Somando os 8.000 hectares vendidos inicialmente, os 1.100 hectares destinados à agricultura familiar, mais os 800 hectares remanescentes, o grupo francês detinha aproximadamente 10.000 hectares em Itiquira.

Foram mais de 30 anos de atuação do grupo francês na região sul de Mato Grosso. Ao longo desse tempo, contribuiu decisivamente no desenvolvimento e povoamento de Ouro Branco do Sul. No ápice da sua produção, chegou a ser uma das maiores empregadoras da região sul do Estado, com cerca de 1.500 empregados. Agora pretende manter na região apenas algumas pesquisas em relação à seringueira.


Com o encerramento do cultivo da seringueira na região, um total de 110 famílias ligadas à empresa foram beneficiadas em um programa social na área da agricultura familiar

Fonte: A Tribuna – MT

Postado em 29/07/2011

A terra aqui é cara, não é lugar para amador


MÔNIKA BERGAMASCHI, Secretária de Agricultura de São Paulo

Formada em agronomia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, Mônika Bergamaschi assumiu, no início de junho, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em seu primeiro trabalho na área pública, Mônika impôs para si o desafio de melhorar a comunicação do agronegócio com a sociedade brasileira. “Precisamos mostrar a importância do campo naquilo que a cidade consome”, diz. Entre 1993 e 1996, Mônika trabalhou como analista de crédito do Banco Noroeste, onde, conta, teve a possibilidade de conhecer o Brasil. Em 1996, foi para a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a convite do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que foi seu professor. Lá trabalhou até assumir a secretaria.

Globo Rural Durante a cerimônia de posse, a senhora mencionou algumas linhas de trabalho, como extensão rural e aumento de renda. Como pretende colocar isso em prática?
Mônika Bergamaschi Eu tenho o viés do associativismo e acredito nisso. Então, penso que essa é a maneira de ajudar o pequeno e o médio. O Estado não pode prover tudo, mas pode induzir algumas coisas por meio de parceria. Esse é um ponto. Outro: se houver uma política de renda para o produtor rural, ele poderá enfrentar melhor as oscilações do mercado e permanecerá na terra. Acredito que a economia expulsa os pequenos que perderam a condição de sobreviver no campo. Mas, com uma política de seguro, a gente consegue protegê-los. Além disso, é preciso se modernizar. O agricultor, independentemente do tamanho, tem de investir, usar tecnologia e melhorar sua gestão. Tudo isso para obter uma boa produtividade. Uma outra questão é que, para os pequenos, a informação é vital. Eles precisam saber a melhor hora de comprar, de vender, como acessar um seguro e devem usar assistência técnica. Outra política que pretendemos disponibilizar aos pequenos é a oferta de recursos com juros baixos e prazos maiores.

GR E qual é o perfil do agricultor paulista?
Mônika A predominância no estado de São Paulo, de acordo com o Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa), que é feito pela secretaria, é de propriedades com tamanho médio de 63 hectares. No levantamento anterior, realizado há dez anos, a média era de 72 hectares. Essa queda reflete a divisão de propriedades entre famílias ou vendas. Agora, São Paulo é sem dúvida o estado mais desenvolvido do ponto de vista agrícola, mas, apesar disso, apresenta diferenças regionais que são muito significativas, de acordo com a cultura que é desenvolvida e também por questão de clima, solo, hidrografia, a proximidade com portos, entre outros fatores.

GR Existe alguma região que seja mais desenvolvida?
Mônika O polo do agronegócio de Ribeirão Preto, que compreende a região nordeste do estado. Nós sabemos como foi a dinâmica de ocupação dessa região porque fizemos um trabalho na época em que eu estava na Abag (de Ribeirão Preto). Metade da área agrícola dessa região está ocupada com cana-de-açúcar, mas também tem muito café de qualidade, tem muita laranja, fábricas de suco. Em Guaíra, há também as culturas irrigadas, pasto para gado de leite, plantio de eucalipto, um parque industrial de implementos agrícolas, além de importantes centros de pesquisa e extensão.

GR Quais outras regiões ou culturas se destacam?
Mônika A região de Bastos é muito importante na produção de ovos. Há também o Vale do Ribeira, que é uma área menos desenvolvida, devido a uma situação difícil de solo, mas que conta com uma enorme produção de bananas. São especificidades que devem ser avaliadas com muita atenção. É preciso ir ao lugar para definir o que será feito ali. A região de Piracicaba também é importantíssima na cana-de-açúcar, que é o carro-chefe do estado. Em segundo lugar está a venda de carne bovina. Compramos boi de outros estados, processamos aqui e vendemos carne tanto no mercado interno como externo.

GR É um estado com muitos desafios. Existe algum que a senhora trate como prioridade?
Mônika Sim, temos de continuar produzindo, mas com sustentabilidade. Isso significa manter a competitividade de maneira sustentável. A agricultura do estado, em geral, é sustentável, mas sempre dá para melhorar com o uso de novas tecnologias, por exemplo, insumos mais modernos, menos tóxicos, mas seletivos, mais fáceis de aplicar, ou seja, mais amigáveis ao meio ambiente. Nos fertilizantes também dá para avançar. Também é possível realizar controle de erosão, cuidar dos mananciais hídricos e reduzir o consumo de água. Para isso, o agricultor precisa de informação, mas também precisamos mostrar à sociedade que produzimos respeitando as leis ambientais.

GR Quais são as culturas potenciais da próxima década?
Mônika Existe espaço e mercado para o cultivo de cana, seringueira e eucalipto. A cana tem fundamentos de mercado excepcionais, em função do aumento da demanda por energia limpa, mas existem muitas áreas com solos não tão bons como o que a cana necessita e há ainda a questão do “apagão de madeira”: vamos precisar de madeira, e o eucalipto terá, com certeza, um valor crescente. Há também o café de alta qualidade. Na verdade, as terras aqui são muito caras, por isso São Paulo não é lugar para amador. Portanto, as culturas com mais potencial são aquelas com bons fundamentos de mercado. A fruticultura é outra atividade próspera, pois tem valor agregado. A caixa de uma fruta pode custar o mesmo que uma tonelada de cana.

GR Da maneira como o Código Florestal foi aprovado na Câmara dos Deputados, o que o estado de São Paulo terá de fazer?
Mônika São Paulo é de ocupação antiga, com fazendas centenárias. Por esse motivo, acho que o importante desse Código Florestal é que ele resgata o direito do agricultor na linha do tempo. Muita coisa foi feita no campo de acordo com a lei vigente à época, mas depois a lei mudou. No caso das áreas de proteção permanente (APPs), acho que a situação é mais delicada: algumas culturas estão em certas regiões há mais de 100 anos e não entendo que tipo de dano pode acontecer agora, mas há culturas que de fato podem gerar um risco.

GR Existem outros pontos que a senhora destaca no novo Código Florestal?
Mônika O Brasil deveria pensar na manutenção da real biodiversidade de parques e florestas, em vez de ficar opondo ambientalistas a ruralistas.Outra coisa importante é que o código prevê que a União e os estados legislarão juntos sobre o território. Isso é ótimo, porque São Paulo conhece melhor seu território. Na Amazônia, vivem 25 milhões de pessoas e quem está lá sabe o que é melhor para aquela área. Se a sociedade quer manter a floresta, deve pagar por serviços ambientais. Outro ponto é que o Código Florestal vale para 38% do território. Outros 4% são cidades, estradas, e 58% são terras indígenas, parques, áreas de preservação, áreas da União, onde está a diversidade. Todo mundo está discutindo os 38%, mas ninguém falou sobre o que vai ser desses 58%. Essa é a discussão importante.

Fonte: Luciana Franco – Globo Rural

Postado em 23/07/2011

Iporaenses foram conhecer experiência de Seringueira em Goianésia

Sangria na árvore extrai o látex sob o olhar atento de iporaenses

Ontem, quarta-feira, 20, um grupo de 21 iporaenses, em viagem patrocinada pela Prefeitura de Iporá, percorreu 350 quilômetros até os municípios de Goianésia e Barro Alto onde foram conhecer de perto o cultivo da Seringueira, a árvore da qual se extrai o látex, produto que é matéria prima para a fabricação de borracha.

Os que viajaram foram aqueles que, nos últimos meses, vêm se preparando para fazer investimentos nesta cultura. Desde o mês de outubro de 2009, quando foi realizado seminário em Iporá sobre o assunto, que surgem interessados em plantar Serigueira em terras da região. Impulsionados pelo ex-vereador Joaquim Ferreira Bernardes e seu filho Arnon Ferreira, já com experiência nesta atividade, o interesse aumentou entre iporaenses, ao ponto de ser criada a Associação dos Heveicultores, hoje com mais de 50 membros, incluindo produtores também de São Luís de Montes Belos, Trindade e Bela Vista.

O que foi visto motiva iporaenses

O contato com seringal em Goianésia e Barro Alto serviu para motivar mais ainda os iporaenses. A expectativa era passar a conhecer detalhes sobre essa atividade, já que não há mais dúvida sobre questões de viabilidade econômica. A borracha é produto que tem mercado garantido. O Brasil só produz 40% da borracha que consome. Falta o produto para as indústrias.
Mais uma vez os produtores de Iporá ouviram que solo e clima da região do Oeste Goiano não serão problemas para o bom desenvolvimento desta árvore que é oriunda da Amazônia, mas que se adaptou até no interior do Estado de São Paulo, onde o clima é menos quente do que na região entre os trópicos.

Os iporaenses foram muito bem recebidos pelo senhor Segundo Braolos Martinez, diretor do Grupo Jalles Machado que é renomado em produção de álcool e açúcar, mas que tem também um seringal de 2300 árvores e que rendeu no último ano 70 mil reais. O diretor orientou os iporaenses em sala de reunião e vídeo da empresa. Mostrou as vantagens e desafios do cultivo da Seringueira. Falou-se em um intercâmbio entre Goianésia e Iporá para questões como mudas e cotas de carbono. O senhor Segundo Braolo está interessado também na experiência de associativismo que o iporaense Joaquim Ferreira possui.

No seringal

Após a conversa na sede da empresa, os produtores iporaenses foram levados ao Seringal, com a presença de pessoas que são entendidas no assunto. Muitas perguntas foram feitas. E para todas elas ouviram-se as respostas. A região de Goianésia e Barro Alto é a maior produtora de borracha do Estado de Goiás.

Os produtores viram ser feito o corte da seringueira, o látex, caixas de coágulo, formas de manuseio e técnicas da cultura. A comitiva foi liderada por Arnon Ferreira, presidente da Associação dos Heveicultores de Iporá e contou com a presença também de Wellinton José de Souza (agrônomo da Emater), Luiz Carlos Paiva (Secretário de Agricultura de Iporá) e Duílio Siqueira (vereador apoiador e pretendente a este cultivo).

Fonte: OesteGoiano

Postado em 21/07/2011

BDMG financia cultivo de seringueiras na Zona da Mata

O presidente da Credimur, Nelson Carvalho Schachnik, disse que a Zona da Mata nas últimas três ou quatro décadas perdeu muita renda e hoje tem uma das menores rendas de Minas. Segundo ele, com a agricultura em decadência, os agricultores estão descapitalizados e desmotivados: “Procuramos uma alternativa para a região. Muriaé tem todas as condições climáticas para este tipo de cultura, com estações bem definidas e boa precipitação atmosférica. A borracha de origem vegetal tem um bom mercado e a seringueira é um reflorestamento natural” explicou.

BOA ACOLHIDA

Após estudar a viabilidade do projeto, a cooperativa não tinha capital suficiente para viabilizá-lo, foi aí que Schachnik procurou os órgãos do Governo do Estado, onde teve “boa acolhida”. Segundo ele, não se trata de fazer com que os agricultores desistam das culturas tradicionais, mas quer mostrar a eles que existe uma opção que pode melhorar a renda. Já está sondando indústrias do setor que queiram se instalar na região. “Além de boa remuneração, vamos contribuir com o meio ambiente” disse. Nelson tem seringueiras em sua propriedade desde a década de 80. Informou que a renda mensal do agricultor que trabalha na extração do látex em seu seringal está acima dos R$ 2 mil.

O Gerente de Divisão do Departamento de Agronegócios do BDMG, Leonardo Guimarães Parma, disse que até o final do ano deverão ser investidos cerca de R$ 1 milhão no programa. Segundo ele, a previsão é de que em Muriaé sejam financiados de 10 a 15 produtores o que resultaria em aproximadamente 500 hectares cultivados. A cada três hectares pelo menos um emprego será gerado. A seringueira pode ser explorada a partir do sexto ano após o plantio e mantém-se produtiva até o trigésimo. Depois disso, ainda é possível comercializar a madeira.

O professor e pesquisador da Epamig, Antônio de Pádua Alvarenga, um dos maiores especialistas em heveicultura do Estado, acredita que nos próximos anos o preço médio da borracha deverá manter-se acima dos R$ 3,00/kg. A boa cotação do produto é consequência dos problemas políticos e climáticos enfrentados por países asiáticos, principais produtores e exportadores mundiais de borracha. Além disso, deve-se ressaltar a escassez dessa matéria-prima no mercado nacional. O Brasil foi um dos maiores produtores de borracha natural do mundo, mas, atualmente, importa mais de 60% do que consome. O aumento da produção ajuda a diminuir essa dependência em relação aos países exportadores.

Além das condições favoráveis do mercado, o cultivo de seringueira destaca-se num período em que a preservação ambiental protagoniza os principais debates internacionais. A planta ajuda a proteger o solo e os mananciais, e, ao absorver gás carbônico, despolui a atmosfera, reduzindo os efeitos do aquecimento global. Esse investimento, na opinião de Parma, reitera o compromisso do BDMG com a inclusão social, o incentivo à economia mineira e a sustentabilidade ambiental.

Fonte: Agência Minas

Postado em 20/07/2011

Látex de flor e sílica dão vida a ‘pneu verde’

Cada vez mais preocupados com a emissão de poluentes e sustentabilidade, os fabricantes de bes de consumo tentam exaltar a ecologia. O pneu continua preto, mas fabricantes fazem questão de chamá-lo de verde. Além da busca por eficiência, reduzindo consumo de combustível e emissões de poluentes, fabricantes pesquisam alternativas à borracha sintética.

Cientistas da Universidade de Müster, na Alemanha, desenvolvem um látex extraído da flor dente-de-leão, que começou a ser testado em pneus da Continental.

Os bioquímicos da universidade descobriram a enzima responsável pela rápida coagulação do látex e inibiram sua ação. Isso permite que a seiva escorra livremente, possibilitando a exploração industrial.

A borracha natural do dente-de-leão reduziria o uso de petróleo, uma fonte não renovável, empregado na fabricação da borracha sintética.

Outra vantagem é que ao cultivo é mais fácil e barato que o da seringueira — é dela que é extraída a seiva da borracha tradicional.

O dente-de-leão fica pronto para a colheita em um ano. A seringueira leva de cinco a sete anos, está sujeita a fungos e as plantações atuais têm demanda maior que a oferta.

Sílica

Mesmo nos pneus tradicionais, de borracha sintética, há compostos que diminuem o atrito na rolagem — o que aumenta a vida útil do pneu e reduz consumo e emissões — sem perder desempenho de aceleração e de frenagem.

A sílica é um deles. Antes restrita a pneus de alta performance, ela aparece cada vez mais em pneus de entrada.

Segundo Roberto Falkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli, a família de pneus Cinturato P1 e P7 e Scorpion Verde usam até 30% de sílica. “Os pneus de corrida, por exemplo, usam apenas 8%”, destaca.

A sílica permite que o pneu trabalhe com temperaturas mais baixas e sofra menos deformação ao tocar o solo. Isso faz com que o consumo de combustível caia cerca de 6%, apontam estudos da Pirelli. É o suficiente para, na vida útil do pneu (estimada em 60 mil quilômetros), economizar 3,6 pneus.

Para Falkenstein, a nova tecnologia também reduz as emissões de CO2. “O atrito do pneu é responsável por 20% das emissões de CO2 do carro. Quando reduzimos o arrasto, baixamos também as emissões de poluentes”, diz.

Fonte: Correio do Estado

Postado em 13/07/2011

Borracha: região representa 4,1%

Os municípios que fazem parte da microrregião de Catanduva representam 4,1% do total da produção estadual de borracha. Os dados foram divulgados pela Associação Paulista de Borracha (Apabor), localizada em São José do Rio Preto. A maioria da produção concentra-se no município de Tabapuã, com a produção de 2,2 toneladas no ano passado.

Além disso, as cidades de Ariranha, Cajobi, Catanduva, Catiguá, Elisiário, Embaúba, Novais, Palmares Paulista, Paraíso, Pindorama e Santa Adélia também possuem forte tendência para esse mercado.

O mesmo percentual representa 4,2% do total nacional. “O Brasil é importador de borracha natural. Em 2010, foram importados 260,8 mil toneladas, ou US$ 790,4 milhões. A produção brasileira é estimada em 131,9 mil toneladas, atendendo portanto a um terço da necessidade da indústria consumidora nacional”, explicou Heiko Rossmann, diretor da Apabor.

Considerando a microrregião geográfica de São José do Rio Preto, composta por 29 municípios, tem-se uma produção de 24.781 toneladas de borracha seca, que representa valor total de R$ 213,614 milhões.

Ainda em valores, a comparação com o total do Estado de São Paulo aponta que a região representa 33,8% da produção paulista e 19,5% do total nacional.

Na região de São José do Rio Preto, entre os municípios campeões em produção está Olímpia (15,5%), Altair (10,2%), José Bonifácio (9,8%), Mirassol (9,3%) e Tanabi (8,9%). “A autossuficiência poderia ser alcançada com engajamento do poder público. Seria necessário plantar hoje cerca de 250 mil hectares para tentar atender a demanda nacional projetada para 2020”.

A quantia produzida foi considerada satisfatória pela Associação. O preço do quilo da borracha gira em torno de R$ 3,29. “Os preços do coágulo e do látex no campo garantem boa remuneração para o agricultor e parceiro/sangrador. A borracha natural é amparada pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), e o preço fixado pelo governo federal é de R$ 1,53/kg. O Preço Mínimo cobre o custo de produção. Hoje o produtor deve estar recebendo em torno de R$ 3,29/kg de coágulo”, destacou.

Entretanto, o diretor explica que a situação das usinas de beneficiamento passam por momentos delicados. “Apesar de viver os melhores preços dos últimos 30 anos, as usinas sofrem com a oferta muito limitada de coágulo, que impulsiona os preços da matéria-prima e reduzem a margem de lucro para níveis que podem inviabilizar a atividade de beneficiamento”, diz.

Dificuldade

O acesso dos produtores às linhas de crédito e de financiamento ainda é a principal dificuldade encontrada pelos produtores. “A maior dificuldade seja o acesso às linhas de crédito de investimento e de custeio. Apesar de a oferta de linhas de financiamento ter aumentado, com características que já atendem a cultura da seringueira, alguns produtores ainda tem dificuldade em conseguir captar o recurso”, argumenta.

O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), utilizado pelos heiveicultores, não possui linha de crédito operacionalizada pelos bancos. “Lançado no ano passado, com até R$ 1 milhão por beneficiário, essa linha de crédito não estava sendo operacionalizada pelos bancos. Mais uma vez quem perde é o agricultor, e também o Brasil, que tem agravado a cada ano o problema do déficit de borracha natural”, analisa.

Em Catanduva, existem pelo menos 1,3 milhões de pés de seringueira, ou 6,5% da região de São José do Rio Preto, que detém 5,3 milhões de plantas novas.

Quantidade de pés de seringueira no Estado

São Paulo
PN 14.305.891 (28.612 ha) 40,3%
PP 21.197.287 (42.395 ha) 59,7%
PT 35.503.178 (71.006 ha)

São José do Rio Preto
PN 5.408.272 (10.817 ha) 37,8%
PP 5.357.550 (10.715 ha) 25,3%

Catanduva
PN 367.201 ( 734 ha) 2,6%
PP 1.388.400 (2.777 ha) 6,5%

Onde:
PN = Plantas novas;
PP = Plantas em produção;
PT = Plantas totais.

CURIOSIDADES

- Em um alqueire da cultura de seringueiras cabem 1.280 pés da árvore;
- A Variedade mais plantada na região é a RIM 600, clone mais indicado para o plantio resistente a ventos fortes e doenças (mal das folhas e antracnose);

Fonte: O Regional

Postado em 12/07/2011