Archive Maio, 2011

Governo do Acre incentiva cultivo de seringueiras

Objetivo do programa não é apenas plantar árvores para reflorestar áreas alteradas, mas também gerar renda a partir da floresta em pé


O secretário adjunto de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Humberto Antão, visitou nesta quarta-feira, 18, seringais que estão sendo cultivados no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Bonal. O plantio faz parte do Programa de Florestas Plantadas do Governo do Acre.

O objetivo do programa não é apenas plantar árvores para reflorestar áreas alteradas, mas também gerar renda a partir da floresta em pé. Seringueiras e castanheiras, por exemplo, são duas espécies com potencial produtivo dentro da economia de base florestal.

Entre as metas do programa está o de recuperar 60 mil hectares de áreas alteradas com florestas de seringueira e outras com fins madeireiros, frutíferos e de energia; promover a implantação de dez novos empreendimentos industriais; gerar aproximadamente 20 mil novos postos de trabalho na cadeia produtiva florestal; formar e capacitar cerca de dois mil gestores públicos, empresários, líderes comunitários, técnicos e extensionistas, entre outros; e consolidar uma rede de serviços laboratoriais para certificação de produtos.

O produtor Antenor Terto de Moraes, assentado da Reforma Agrária, é um dos beneficiados. Ele já plantou um hectare de mudas de seringueiras e diz que, além de reflorestar, está “fazendo uma poupança. Essa floresta é minha aposentadoria”.

Os mais jovens também apostam na iniciativa, como é o caso de Maria Adelaide Gonçalves, que plantou três hectares de seringueiras. “Temos acompanhamento do técnico, e isso é importante”, disse. Na propriedade de Adelaide há também seringueiras nativas e é do extrativismo que a família tira seu sustento.

Humberto Antão explica que as diferenças entre os seringais de cultivo e nativo são muitas e cada um tem suas vantagens e desvantagens. No seringal nativo o látex produzido tem um teor de elasticidade bem maior que o de cultivo. Já o seringal de cultivo apresenta produtividade mais elevada e o tempo de produção é três vezes maior que o de seringueiras nativas. Além disso, para o extrativista, o seringal de cultivo apresenta condições de trabalho bem melhores, já que as seringueiras são plantadas umas próximas às outras. O seringal nativo, porém, mantém a floresta em pé e continua sendo uma alternativa de renda para as populações tradicionais.

Como funciona

O Programa Florestas Plantadas tem o objetivo de plantar dez mil hectares de área até 2020, com agricultores familiares e extrativistas. Em cada hectare são plantadas 550 mudas de seringueira. Cada hectare de cultivo deve produzir mais de quatro mil quilos de látex a cada safra.

Elaboração do Manual de Sistemas de Produção de Seringueiras

Técnicos do governo do Estado, Embrapa, Universidade Federal do Acre, da Universidade de São Paulo e produtores rurais reúnem-se nos dias 23 e 24 próximos para elaborar o Manual do Sistema de Produção de Seringueiras do Estado do Acre. A reunião técnica vai consolidar informações sobre diversas formas de produção de mudas, implantação do seringal e exploração do látex.

Fonte: Terezinha Moreira (Assessoria Seaprof)

Postado em 20/05/2011

Clone de seringueira permite sangria a partir do 5º ano

O experimento do qual foram selecionados os clones da série IAC 500 foi instalado no ano 2000

O Pólo Regional de Votuporanga, da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta) está testando um novo clone da série IAC 500 que pode começar a ser sangrado com cinco anos de campo, dois a menos em relação aos clones que são utilizados atualmente no Estado de São Paulo.

Segundo o pesquisador científico Erivaldo Scaloppi Júnior, o clone IAC 505 atinge em 5 anos, na altura do peito de um ser humano, 50 centímetros de diâmetro . O experimento do qual foram selecionados os clones da série IAC 500 foi instalado no ano 2000 e era composto por 60 clones, mais os clones RRIM 600 e PB 235 que são os clones testemunhas para efeito de comparação. “Além do clone IAC 505, há alguns outros materiais que vem se destacando. Como por exemplo, o clone IAC 500 está sendo bastante superior em produção de borracha e em espessura de casca em comparação como o RRIM 600″.

O clone IAC 505, em específico, foi obtido a partir da polinização aberta do clone IAN 873 e selecionado em viveiro de teste precoce em 1993. “É importante citar que todos os novos clones obtidos passam por três fases de seleção e que o tempo decorrido até o lançamento aos produtores é de aproximadamente trinta anos,” disse o pesquisador.

Além de precocidade, o IAC 505, o que permite retorno mais rápido do investimento, possui copa simétrica e com desgalhamento natural, ou seja, os ramos da parte inferior da planta se desprendem e com isso o tronco é perfeito para aproveitamento da madeira. Em termos de produção, até o quarto ano de sangria o clone IAC 505 está superior ao clone testemunha RRIM 600.

Scaloppi afirmou ainda que os documentos necessários para registro dos novos clones selecionados em Votuporanga estão sendo finalizados e serão encaminhados em meados deste ano ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) onde são realizados os resgistros dos novos clones.

Fonte: DiárioWeb

Postado em 13/05/2011

São Paulo na agricultura

Muito perto de perder para Mato Grosso sua tradicional liderança no ranking dos Estados do país com maior valor bruto da produção (VBP) das principais culturas agrícolas, São Paulo ainda reserva, em áreas hoje dedicadas à pecuária, boas perspectivas para a expansão das plantações que já passaram a liderar seu crescimento no setor nos últimos anos, sobretudo cana-de-açúcar e eucalipto.

Estudo recém-concluído por um grupo de pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria da Agricultura paulista, aponta que, até 2030, 2,8 milhões de hectares ocupados com pastos em 2008 poderão dar lugar a canaviais, florestas plantadas e, em menor escala, seringueiras. O cálculo leva em conta as tendências de alta da demanda pelos produtos cultivados no Estado até lá. A disputa será ganha por tecnologia e eficiência.

Trata-se de um exercício baseado nos padrões de expansão dos diferentes segmento nos últimos anos, que projeta distintos cenários de incrementos – ou não – dos respectivos níveis de produtividade. Leva em consideração legislações em vigor no Estado e políticas de incentivo, mas obviamente não contempla guinadas nos preços ou influências climáticas.

Feitas as ressalvas e admitidas as extrapolações de praxe em estudos do gênero, o estudos dos pesquisadores Mário Pires de Almeida Olivette, Eduardo Pires Castanho Filho, Raquel Castellucci Caruso Sachs, Katia Nachiluk, Renata Martins, Felipe Pires de Camargo, José Alberto Ângelo e Luiz Henrique Domicildes Câmara Leal Oliveira chega à conclusão que, em termos absolutos, a concorrência entre cana e eucalipto pelas áreas que serão abertas pelo adensamento da pecuária será grande; relativamente, a borracha é a cultura que tem potencial para avançar mais.

Em 2008, a pecuária ocupava 8,072 milhões de hectares em São Paulo, a cana estava em 4,9 milhões, os eucaliptos em 860 mil e as seringueiras em 77 mil. No horizonte traçado, em 2030 a área de pastagens poderá cair para 5,272 milhões de hectares, a cana “brigará” para atingir entre 5,33 milhões e 6,8 milhões, o eucalipto poderá alcançar de 1,4 milhão a 2,7 milhões e as seringueiras, de 300 mil a 400 mil hectares. Ou seja, a área de cana poderia aumentar até 38,8%, a de eucalipto até 214% e a de seringueiras, até 419,5%, sempre considerando-se as tendências de alta das demandas no período.

Mais importante do que suas estimativas numéricas – que certamente serão revistas com o passar dos anos, a depender também do desenvolvimento de novas tecnologias nas respectivas cadeias de produção -, o estudo mostra que o campo paulista não ficará estagnado apesar de o Estado quase não contar mais com áreas virgens passíveis de serem abertas. É verdade que laranja e café, ainda expressivos em São Paulo, hoje não aparecem com força para brigar pelas áreas de pastagens que tendem a ser abertas. Mas haverá dinamismo e, assim, dificilmente haverá espaço para acomodações.

“Não acabou a fronteira agrícola paulista”, afirma Mário Olivette. Para Felipe Pires de Camargo, o estudo demonstra que a eficiência do uso da terra pode aumentar. E como a rentabilidade média da pecuária ainda é baixa em algumas regiões do Estado e tem tudo para crescer, é nessas áreas que a disputa entre as diferentes atividades será mais acirrada. O raciocínio vale para outros Estados, sobretudo do Centro-Oeste e do Norte, e embasa projeções de que há no Brasil pelo menos 70 milhões de hectares de pastagens degradadas substituíveis por lavouras.

Diferentemente de outros Estados, lembra Eduardo Castanho, em São Paulo a pecuária se expandiu em áreas anteriormente ocupadas por lavouras. Como no passado mais distante não havia adubos químicos, afirma, quando a fertilização natural do solo acabava os rebanhos o ocupavam. “Hoje temos o processo inverso, e as culturas estão voltando a terras aptas a elas próprias”, diz.
Olivette nota que o rebanho bovino de São Paulo, que é o maior produtor de carne do país, alcançava, em 2008, 11 milhões de cabeças, distribuídas por pouco mais de 8 milhões de hectares. A pecuária de corte é mais presente no oeste do Estado, enquanto a leiteira está mais para o centro e para o leste.

No entorno de 11 escritórios regionais da estrutura da Secretaria da Agricultura no oeste paulista, havia em 2008 mais de 2,5 milhões de cabeças. O estudo leva em consideração que, apenas no oeste, se todas as propriedades tivessem uma capacidade de lotação das pastagens abaixo da média, elas seriam distribuídas por mais de 3 milhões de hectares. Se todas migrassem para a média, as mesmas cabeças caberiam em menos de 1,8 milhão de hectares. Se esse processo ocorresse em todo o Estado, extrapola o trabalho, é que haveria a liberação dos 2,8 milhões de hectares até 2030, ou mais de 10% da área total cultivada no Estado.

“O mercado força a pecuária a se mexer. Desde o início do Plano Real, as terras em São Paulo vêm perdendo a característica de reserva de valor”, diz Pires de Camargo. Nos últimos anos, graças a esse movimento, os rebanhos perderam 3 milhões de hectares de pastagens. É claro que a própria pecuária, mais eficiente, poderá encarar uma demanda tal que justifique que ela mesma dispute mais espaço. Mas as tendências de oferta, demanda e eficiência indicam que cana e eucalipto, já em expansão, afunilarão a concorrência.

Castanho realça, por exemplo, que na maior fazenda da região de Araçatuba, com 24 mil hectares, a pecuária foi substituída por cana e o rebanho foi enviado para terras mais baratas localizadas na Bahia. E Katia Nachiluk reforça que a produtividade dos canaviais está aumentando e que, com a colheita mecanizada onde é possível – em terrenos com muitas ondulações não é -, deverá crescer ainda mais.

Em 2000, destaca, a produtividade agrícola da cana paulista, foi de 76,04 toneladas por hectare, média que subiu para 81,66 em 2009, quando a cultura ocupava 26,81% do solo do Estado. No caso do eucalipto, aponta Castanho, a produtividade agrícola mais do que dobrou no período. Nessa direção e mantidas as tendências de demanda e a evolução das produtividades, conclui o estudo dos pesquisadores do IEA, as áreas liberadas pelas pastagens comportarão até com certa folga os crescimentos previstos para cana, eucalipto e seringueira. Se demanda e produtividades aumentarem mais do que o previsto, porém, a concorrência será mais acirrada.

Fonte: Valor Econômico

Postado em 06/05/2011