Archive Abril, 2011

Seringueiros aproveitam alta nas vendas de veículos no Brasil

Com o aquecimento da economia mundial, a borracha está valorizada. O preço da matéria-prima nunca esteve tão alto no Brasil, aumentou 60% em apenas um ano.

O aquecimento das vendas de veículos no Brasil está se refletindo com força no mercado de trabalho. No interior de São Paulo, milhares de vagas se abriram para profissionais de um ofício muito antigo e artesanal.

Ainda é madrugada e no meio das árvores, pequenas luzes brilham. Os seringueiros já estão de pé: “Cedo porque a produção é melhor, pinga mais. Com o sol quente, ela pinga pouco”, conta uma seringueira.

Quando amanhece, eles já terminaram uma boa parte do trabalho: “Tem que ser bastante esperto. Não pode parar não. Se parar não rende nada”, diz outro seringueiro.

Depois da sangria, o látex escorre das seringueiras e forma uma massa branca, a borracha. Ela é beneficiada e vendida principalmente para as indústrias de pneus.

Com o aquecimento da economia mundial, o produto está valorizado. O preço da matéria prima nunca esteve tão alto no Brasil, aumentou 60% em apenas um ano.

É de gota em gota que os trabalhadores vêem a renda aumentar. Nunca os seringueiros receberam tanto pelo trabalho. É que o preço da borracha vem batendo recorde no mercado internacional.

No campo, quanto maior o número de árvores para cuidar, maior o rendimento, que pode chegar a R$ 2,5 mil por mês. É o dobro do salário pago no mesmo período do ano passado.

Serviço para toda a família: “Primeiro comecei eu e minha esposa. Depois, os filhos vieram seguindo também, aprenderam. Somos todos seringueiros”, conta o seringueiro Divino de Oliveira.

“São 30 milhões de novos pés plantados em São Paulo, o que equivale, aproximadamente, a 12 mil novos sangradores”, explica o engenheiro agrônomo Nilson Cardoso Troleis.

A maioria das fazendas oferece moradia de graça e os trabalhadores ficam com 30% da produção. Dinheiro que ajuda Camila a prosseguir nos estudos: “Medicina, se eu conseguir”, conta. E faz Seu Divino sonhar com o carro novo.

Fonte: Jornal Nacional

Postado em 13/04/2011

Região de Monte Aprazível ajuda Colômbia a combater plantio de coca

Acordo bilateral incentiva a substituição das lavouras de coca pelo plantio de seringueiras e cacau; comitiva visita fazendas de Bálsamo e Monte Aprazível para aprender novas técnicas

A tecnologia brasileira na produção e beneficiamento doe látex   (matéria-prima da borracha) é uma das apostas do governo colombiano para extinguir as lavouras familiares de cocaína naquele país.

Um acordo entre Brasil e Colômbia, que conta com o apoio financeiro das Nações Unidas, incentiva pequenos agricultores a abandonar o plantio do entorpecente e investir no culino da seringueira.

Para conhecer os métodos usados de produção e beneficiamento do látex, um grupo de técnicos, agrônomos e produtores colombianos visitaram uma fazenda de Monte Aprazível na tarde desta terça-feira.

“O principal interesse é levar para a Colômbia a tecnologia para  o processo de produção do látex centrifugado, que é usado para a produção de materiais hospitalares, bexigas e preservativos”, afirma o diretor da Apabor (Associação Paulista dos Produtores de Borracha), Heiko Rossmann.

O grupo visita uma fazenda em Bálsamo nesta quarta, onde vão acompanhar o processo artesanal de retirada do látex.

“A produção não é suficiente para atender a demanda em nenhum dos dois países. Portanto, creio que há muito espaço para expansão da cultura”, disse o químico colombiano, Carlos Rincón.

A Colômbia conta com 35 mil hectares de seringueira. A meta imposta pelo governo é de atingir 100 mil hectares em 2020.

“Com isso, o país supriria toda a demanda interna e ainda se tornaria exportador do produto”, disse  Rossmann.

De acordo com dados do setor, o Brasil produziu em 2010, aproximadamente 35% da borracha consumida pela indústria nacional. São 70 mil hectares de plantações de seringueira.

Só no ano passado, o Brasil importou US$ 790 milhões (R$ 1,2 bilhões) em borracha produzida principalmente no sudeste asiático.

Com isso, o preço pago pelo quilo do látex bruto (produto retirado da seringueira) chega a custar R$ 4 em algumas regiões do estado de São Paulo, que é o maior produtor do país.

Rossmann aposta porém, que o interesse dos colombianos na produção do látex pode favorecer o Brasil em longo prazo. “Caso  a meta colombiana seja alcançada, poderemos, a partir de 2020, importar borracha dos vizinhos a preços menores, com acordos conduzidos pelo Mercosul.”

Plantio casado

O Acordo entre Brasil e Colômbia prevê ainda o plantio simultâneo de seringueira e cacau, prática comum no interior da  Bahia desde os anos de 1990.

“Comprovadamente uma cultura não prejudica a outra. Assim, o produtor consegue manter receitas durante o ano todo, o que ajuda na manutenção das propriedades rurais”, diz Givaldo Rocha Niella, pesquisador do Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do governo federal  ligado ao Ministério da Agricultura.

Praga

Os visitantes colombianos conheceram ontem, em Monte Aprazível, métodos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros para combater um fungo conhecido como “mal da folha”, que prejudica a  produtividade das plantas. A praga tem efeitos mais devastadores na Bahia, principalmente em regiões litorâneas, por conta da alta umidade do ar. A Bahia é o segundo estado em produção de seringueira, superado apenas por São Paulo.

Investimento

O cultivo de seringueiras é reconhecido entre as diferentes culturas como um investimento de longo prazo já que as árvores começam a produzir o látex após o sétimo ano de plantio.

385 mi

de toneladas de borracha foram importadas pelo Brasil no ano passado.

Suplemento

Além do cacau, é possível plantar junto à cultura da seringueira diversas plantas como café e milho.

Fonte: Ademir Terradas | Agência BOM DIA

Postado em 13/04/2011

Seringueira – aumenta o potencial de cultivo em Minas

O cultivo da seringueira nas propriedades mineiras pode ter uma grande expansão e melhorar a situação econômica de várias regiões, principalmente com a adesão dos agricultores familiares à atividade.

Esta perspectiva é apontada em estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria da Agricultura. Para transformar a teoria em prática, a Epamig e a empresa Minas Hevea Comercial, localizada em Viçosa, na Zona da Mata, estão finalizando a elaboração do programa Hevea Ambiente Sustentável.

Segundo o pesquisador Antônio de Pádua Alvarenga, da Epamig, o programa terá condições de emitir um selo socioambiental. Uma das possibilidades será a obtenção, para os produtores portadores do selo, do direito de venda de crédito de carbono com o plantio da seringueira. “Essa cultura é a que mais sequestra carbono, um índice igual ou superior ao das matas naturais”, ele explica.

Alguns objetivos do programa são a geração de emprego e renda, a recuperação de áreas degradadas e a preservação do meio ambiente. “Além disso, existe a proposta de promover a absorção de carbono da atmosfera e a retenção desse elemento no solo”, acrescenta Alvarenga. Ele diz ainda que haverá formação de mão de obra e treinamento dos trabalhadores para a atividade. “O Hevea Ambiente Sustentável vai buscar incentivos para as práticas ambientalmente corretas, tais como: destinação de embalagens de agrotóxicos, respeito às normas ambientais referentes a Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal e Matas Ciliares, bem como respeito às normas trabalhistas e outras.”

Está em andamento atualmente a formação de mudas e jardins clonais em diversos locais, sob a coordenação da Epamig e Minas Hevea. De acordo com Alvarenga, os parceiros estão atentos ao interesse crescente pela produção de seringueiras no Estado. Esse interesse, ele diz, pode ser confirmado pelo alto índice de procura por mudas produzidas na Fazenda Experimental Vale do Piranga, em Oratórios, na Zona da Mata. “A demanda para a próxima produção, prevista para o final do primeiro semestre, já é de 15 mil mudas, afirma o pesquisador. Todos os dias recebemos pedidos de informação sobre a cultura e de produtores interessados.”

O mercado é promissor porque o cultivo da seringueira proporciona grande rentabilidade. Segundo o Centro de Inteligência em Florestas (CIF), até 2030, a demanda nacional de borracha natural alcançará 1 milhão de toneladas, sendo que a produção brasileira é de 130 mil toneladas anuais. Em Minas Gerais, a produção atual é de 4,5 mil toneladas em 3 mil hectares plantados, distribuídos em nove regiões: Central, Rio Doce, Zona da Mata, Sul de Minas, Triângulo, Alto Paranaíba, Centro-Oeste, Noroeste e Jequitinhonha. O rendimento médio das seringueiras nessas regiões varia de 750 a 2,8 mil quilos de borracha natural por hectare, sendo os melhores resultados obtidos nas áreas do Centro Oeste e no Alto Paranaíba. O Triângulo Mineiro se destaca com a maior produção, cerca de 77% do volume registrado no Estado, vindo em seguida o Noroeste e a Zona da Mata.

Na Zona da Mata, a produção está concentrada no entorno dos municípios de Muriaé, Leopoldina, Cataguases, Raul Soares e Ponte Nova. A maioria deles, segundo Alvarenga, está iniciando a atividade e cultiva, em média, uma área de 20 hectares.

Agricultura familiar

Para o secretário da Agricultura, Elmiro Nascimento, o potencial de produção da borracha natural confirmado pelas pesquisas da Epamig, bem como os dados sobre o mercado desse produto devem despertar o interesse dos produtores rurais pelo cultivo da seringueira. “De acordo com os estudos, os principais fatores favoráveis à produção de borracha natural, em Minas Gerais, são a localização do Estado em relação aos grandes mercados e a disponibilidade de água”, ele explica. Nascimento enfatiza que é muito importante a inserção dos agricultores familiares na atividade. “São necessárias apenas duas pessoas para cultivar cerca dez hectares, que garantem atualmente uma renda mensal da ordem de R$ 3 mil”, assinala o secretário.

Fonte: Ivani Cunha | Seapa

Postado em 12/04/2011

Cadeia da borracha ganha financiamento específico

Linha do Banco do Brasil de R$ 30 milhões para a cultura da seringueira foi anunciada em reunião da Câmara Setorial

O setor seringueiro conta desde quinta-feira (24/03), com uma opção de financiamento exclusiva do Banco do Brasil. O anúncio foi feito durante a 17ª reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural, em Brasília. A linha prevê R$ 30 milhões para financiamentos, com carência de oito anos, prazo para pagamento de 14 anos e juros de 6,75% ao ano.

“É um pleito antigo, pois desde as décadas de 1970 e 80 não tínhamos uma linha direcionada exclusivamente para o setor. Temos o Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora), mas ele é apenas relativamente adequado ao segmento”, afirma o presidente da Câmara, Marcelo Tournillon Ramos.

Os recursos permitirão fomentar a cadeia e reverter o quadro de déficit na balança comercial que existe no segmento. Hoje, cerca de 70% da borracha seca consumida no país é exportada. Essa situação gerou um déficit comercial de US$ 800 milhões em 2010, com previsão de US$ 1,3 bilhão neste ano. “O Brasil produz cerca de 120 mil toneladas do produto por ano e consome 360 mil toneladas”, diz Ramos. Propflora Criado em 2002 e voltado especificamente ao financiamento da implantação e manutenção de florestas para fins econômicos, o Propflora já aplicou R$ 44 milhões em crédito para investimento em seringais.

A iniciativa também tem como foco a recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva florestal legal. O limite de financiamento do Propflora aumentou de R$ 200 mil por produtor, na safra passada, para R$ 300 mil, nesta safra, com taxa de juros de 6,75% ao ano. Saiba maisO látex ou borracha natural é uma substância extraída da seringueira, uma árvore nativa da Amazônia. O líquido de aparência leitosa é utilizado na fabricação de muitos produtos, mas os mais conhecidos são os pneus.

Até a década de 1950, o Brasil era o principal produtor do mundo. Hoje, quase todo látex vem da Tailândia, Indonésia e Malásia, que juntas detém 95% da produção mundial (cerca de 5,7 milhões de toneladas). A produção da América Latina, incluindo o Brasil, corresponde a apenas 1,2%.

Antes, a substância era retirada das árvores na floresta nativa. Hoje, a maior parte vem de plantações de seringueiras. O estado de São Paulo sozinho é responsável por 75% da produção brasileira.

Fonte: Revista Globo Rural – AGRONEGÓCIO / BORRACHA – 25/03/2011

Postado em 04/04/2011

Associação paulista quer dobrar produção

País produz cerca de 120 mil toneladas de borracha seca, mas a necessidade do consumo interno é de 300 mil.

Como a produção nacional, de aproximadamente 120 mil toneladas de borracha seca, é insuficiente para atender as necessidades do consumo interno, da ordem de 300 mil toneladas, a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) iniciou um projeto de expansão, que prevê o crescimento da produção em até 100%.

“Nossa expectativa é que, dentro de cinco a sete anos, o Estado de São Paulo receba incremento de 38 a 40 milhões de novos pés para dobrar a produção”, diz Santim. O Estado, que possui cerca de 40 milhões de pés deve produzir cerca de 60 mil toneladas em 2011, segundo Santim.

“A expectativa é de crescimento mesmo porque já estamos observando isso aqui”, diz Getúlio Ferreira Júnior, da Polifer, um dos maiores viveiros de mudas do País, com capacidade de produzir 600 mil mudas/ano. Segundo ele, nos últimos dois anos, houve mudança no perfil dos produtores. “Antes a gente recebia pequenos produtores, que plantavam 20/30 mil pés; hoje temos grandes investidores – como empresários e profissionais liberais – que fazem grandes plantações com 500 mil ou 1 milhão de pés”, diz Ferreira Júnior.

A muda, que custa em torno de R$ 4 deve ter seu preço reajustado no segundo semestre para R$ 4,50. Em 2008, o preço era de R$ 3,40.

Um dos que optaram pela expansão das florestas foi o produtor Mário Valadão Furquim, que está substituindo os laranjais de sua fazenda em Olímpia por pés de seringueiras. Ele diz que vai retirar 20 mil pés de laranjas para plantar 15 mil pés de seringueiras. Até agora foram retirados 80 mil pés de laranja que deram lugar a florestas de seringueiras. “Os laranjais dão maior custo de produção. Com os seringais não tenho gastos com pulverização e adubação e a remuneração é melhor e mais honesta”, compara Furquim, que possui 200 mil pés de seringueira em três propriedades, em Guaraçaí e em Olímpia.

Financiamento. O Banco do Brasil (BB) aumentou de R$ 20 milhões para R$ 30 milhões uma linha de crédito para financiar o plantio. A linha foi criada em maio do ano passado, mas em janeiro deste ano, o BB foi obrigado a ampliá-la devido à grande procura. A linha oferece prazo de 12 anos com carência de sete anos (tempo que a seringueira leva para entrar em produção) e juros de 6,7% ao ano. A expectativa é de que a nova linha propicie uma expansão de pelo menos 3 milhões de novos pés no Estado. O financiamento tem teto de R$ 100 mil por beneficiário, limitado ao orçamento de R$ 7 mil por hectare.

Segundo o Secretário de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, também produtor de látex, esta linha de financiamento é uma reivindicação antiga do setor e é o único crédito com características compatíveis com o ciclo produtivo da seringueira. “O setor está em franco crescimento no Estado de São Paulo. A área cultivada deve chegar aos quase 80 mil hectares este ano. Devemos chegar a uma produção de 150 mil toneladas em cinco anos e o nosso consumo a 400 mil toneladas, se continuarmos neste ritmo e não houver nenhum grande revés na economia mundial”, disse Sampaio, cuja família cultiva 100 mil pés em duas propriedades, no Mato Grosso e São Paulo.

Fonte: Chico Siqueira – O Estado de S.Paulo

Postado em 04/04/2011