Archive Maio, 2010

Nova linha de crédito pode expandir produção de borracha natural

Especialista prevê que se o Brasil se tornar autossuficiente no produto até 2030, surgirão mais de 200 mil empregos no setor.

A produção de borracha natural no Estado de São Paulo tende a se intensificar nos próximos anos. O incentivo vem da nova linha de financiamento do Banco do Brasil para a cultura da seringueira (Hevea brasiliensis), anunciada no final de abril, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro. O banco estatal abre o cofre e oferece R$ 20 milhões ao produtor com juros de 6,75% ao ano.

São Paulo produz 60% da borracha natural brasileira, em área plantada de 77 mil hectares, cultivados em quatro mil unidades (fazendas e outras propriedades). Mesmo assim, o Brasil ainda é um grande importador, porque produz por ano apenas 104 mil toneladas diante de um consumo interno de 254 mil toneladas por ano.

Por causa do ciclo produtivo da seringueira, a pessoa terá sete anos de carência e até 12 anos para quitar o débito. A árvore só começa a gerar o látex a partir do sétimo ano. O teto de crédito será de R$ 100 mil por tomador, limitado a R$ 7 mil por hectare. A diretoria do Banco do Brasil assegura que, se houver muita procura pela linha de financiamento, os recursos serão ampliados.

O assistente agropecuário Juliano Quarteroli Silva, da regional de Limeira da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), acredita que o novo financiamento chega em boa hora para o setor. “O produtor paulista sempre investiu com recurso próprio. Agora tem mais um incentivo”, diz. Estudioso do tema, Quarteroli lembra que, se a cultura nacional de seringueira evoluir no mesmo patamar tímido dos últimos anos, o Brasil continuará a importar por anos a fio um produto em que foi líder mundial até a metade do século passado.

FUNDO DE GARANTIA

Quarteroli ressalta também o aspecto social da heveicultura (plantio de seringueira). Ele informa que existem hoje em torno de 50 mil pessoas trabalhando com o produto no País, sem considerar o extrativismo na Amazônia. “Se a gente levar em conta que um seringueiro é capaz de cuidar de 5 hectares num plantio total de 50 mil hectares por ano, para suprir a demanda interna de borracha natural, até 2030, o potencial de geração de emprego no campo cresceria para 250 mil trabalhadores”, calcula.

Ele assegura que a hevea é uma cultural muito viável, pois atualmente um quilo da borracha natural custa R$ 2,50. “Plantar seringueira hoje, para colher daqui sete anos, funciona como se fosse um fundo de garantia”, brinca Quarteroli.

A seringueira é nativa da Amazônia, mas foi levada para o Sudeste Asiático, onde se adaptou e gerou novas espécies. Quarteroli informa que a produção mundial de borracha natural no ano passado somou 9,6 milhões de toneladas, sendo mais de 80% daquela região do mundo, onde se destacam Tailândia, Indonésia e Malásia.

ESTUDO PREMIADO

A indústria de pneu consome 75% de tudo que é extraído da seringueira. Um pneu de automóvel tem de 16% a 20% de borracha natural. Já para os aviões, a porcentagem chega à totalidade. “A natural ganha da sintética em termos de durabilidade, flexibilidade e resistência ao impacto. A natural substitui a outra em toda aplicação industrial, mas a recíproca não é verdadeira”, assegura o pesquisador da Cati.

Há segmentos em que o látex da Hevea brasiliensis é tão preponderante, como em mais de 400 tipos de material e dispositivo médico. Além disso, o produto também serve para produzir o tecido vegetal, usado em roupa e calçado. Quando a árvore envelhece, depois de 40 anos, propicia madeira de boa qualidade.

Quarteroli recebeu no mês passado o Prêmio Jayme Vasquez pela sua dissertação de mestrado Sistemas de Explotação de Clones de Seringueiras: Aspectos Agronômicos e Viabilidade Econômica. A entrega ocorreu durante o 5º Encontro da Borracha em São Paulo, na capital. O prêmio, que contempla o melhor trabalho sobre heveicultura (cultura da seringueira) a cada dois anos, é concedido pela Natural Comunicação, empresa especializada em informações sobre o mercado de borracha natural no País.

O jovem pesquisador realizou seu mestrado na Fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico, em Campinas. Este ano, cursa doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, com o tema Fenologia da Seringueira.

CULTURA SUSTENTÁVEL

Desde 1952, o Instituto Agronômico (IAC), hoje vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), mantém estações experimentais para obtenção de clones de seringueira com alto potencial de produção e resistência a pragas. As unidades estão nas cidades de Pindorama, Votuporanga, Mococa, Ribeirão Preto, Pariquera-Açu, Jaú e em Campinas, na Fazenda Santa Elisa, onde o agrônomo Juliano Quarteroli Silva cursou seu mestrado.

Em Campinas, o látex é retirado diariamente pelo seringueiro Henrique Luiz Cassiano Tomochigue, que aprendeu a técnica numa fazenda em Araçatuba, onde trabalhou vários anos. Ele conta que arranca apenas a casca da árvore, de quase um centímetro, para extrair o látex, sem cortar o tronco, o que atrairia pragas à árvore. Ele coloca o cadinho (espécie de cone) para armazenar o líquido branco e retira quatro dias depois, quando o látex já coagulou, virou borracha.

Experiente com a faca na mão, Henrique talha aproximadamente 1,2 mil árvores por dia, num processo feito sempre de um só lado do tronco. Meses depois, quando volta à mesma árvore, extrai o látex do outro lado para que o espaço aberto antes se regenere e volte a produzir normalmente. É uma cultura sustentável por dezenas de anos. O látex coagulado tem 53% de borracha, sendo o restante, água.

Fonte: Agência Imprensa Oficial (17/05/2010)

Postado em 19/05/2010

Projeto de Lei propõe ordenamento no plantio de seringueiras

Promover o desenvolvimento econômico-ambiental aliado à eficiência para melhorar a geração de empregos e qualidade de vida. É com este propósito que o deputado Antonio Azambuja (PP) propõe ao Estado de Mato Grosso, por meio de um projeto de lei, uma política de planejamento e ordenamento do plantio de seringueiras.

Com este objetivo, o parlamentar pretende ainda garantir a cooperação entre o governo e a iniciativa privada, assegurando o uso do solo pelas populações locais em sistema de reposição das plantas e contribuir para reflorestar áreas degradadas, de forma a assegurar o desenvolvimento sustentável.

“Com esse propósito vamos assegurar o desenvolvimento de diversas regiões do Estado, bem como garantir a utilização do seu espaço físico-territorial buscando valorizar as potencialidades econômicas e as diversidades”, destacou ele.

Outro ponto abordado pelo parlamentar é quanto ao Zoneamento do Plantio de Seringueira, que tem por objetivo geral a recuperação de áreas degradadas, com planos, programas, projetos e atividades que se utilizem das áreas já desmatadas, proporcionando o reflorestamento para garantir o percentual da reserva legal da propriedade e posse.

“A seringueira seria uma opção vantajosa tanto para o meio ambiente, quanto aos produtores e proprietários de terra, haja vista os grandes benefícios que o plantio desta espécie trará ao Estado do Mato Grosso”, concluiu Azambuja.

Uma pesquisa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Seder) mostra que Mato Grosso produz 13% da produção nacional em torno de 27 mil toneladas de borracha por hectare/ano. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Mato Grosso (Empaer) executa projeto de heveicultura há mais de 20 anos.

Atualmente estão em fase de execução dois experimentos de competição de clones nacionais e orientais, instalados em Rosário Oeste, e mais três experimentos de competição de clones nacionais em Juína, Sinop e São José do Rio Claro. O projeto conta também, com duas Unidades de Demonstração de Tecnologias com o uso de Ethrel instaladas em Rosário Oeste e em São José dos Quatro Marcos, e ainda, um Banco de Germoplasma (Rosário Oeste). O projeto é desenvolvido em Jaciara, Juína, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, São José dos Quatro Marcos, Sinop.

Fonte: Redação - www,odocumento.com.br (18/05/2010)

Postado em 19/05/2010