Archive Fevereiro, 2010

Ministério da Saúde já investiu R$ 30 mi em fábrica de preservativo

Com a chegada do período de carnaval, as discussões sobre o uso de camisinha se intensificam. A primeira fábrica de preservativos masculinos do Brasil a usar látex de seringueira nativa foi inaugurada em abril de 2008, em Xapuri, no Acre. O Ministério da Saúde desembolsou cerca de R$ 30 milhões com o empreendimento. Além dos R$ 15,7 milhões aplicados entre 2005 e 2008 para a implantação da fábrica, o ministério gastou outros R$ 13,5 milhões para o desenvolvimento de pesquisas de prevenção a Aids e à capacitação técnica de 500 extrativistas da região. Em contrapartida, a Preservativos Natex, como ficou conhecida a empresa, produziu para o ministério cerca de 60 milhões de unidades entre outubro de 2008 e o fim do ano passado. Outras 100 milhões de camisinhas devem ser entregues ainda este ano.

Apesar de ter sido inaugurada e  2008 e estar em pleno funcionamento, o convênio para a implementação da fábrica, firmado entre a Saúde e a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), que intermediou a construção, foi prorrogado até o final de abril deste ano, conforme mostra o nono termo aditivo publicado no Diário Oficial da União em novembro de 2009. De acordo com a assessoria do ministério, os aditivos posteriores à inauguração da fábrica não autorizaram mais recursos financeiros federais e são do tipo temporal – “quando o convenente (neste caso a Funtac) pede mais tempo para, entre outras finalidades, preparar a prestação de contas relacionada aos recursos recebidos”.

O empreendimento, de acordo com o Ministério da Saúde, gera cerca de 150 empregos diretos e envolve 550 famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes, responsáveis pela extração do látex para produzir o preservativo. A matéria-prima coletada fica em dez pontos de armazenamento na floresta, até seguir para a fábrica. A implantação do complexo de preservativos masculinos em Xapuri contou também com investimentos do Ministério da Integração, da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), da Eletronorte e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Xapuri – terra do seringueiro Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988 – tem aproximadamente 15 mil habitantes, dos quais 25% são seringueiros na zona rural. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, para a fábrica, serão extraídas 500 mil toneladas de látex por ano, o que corresponde a 8% da produção anual de todo o estado. Por ano, o Acre produz 6,2 milhões de toneladas de látex.

A decisão do empreendimento baseou-se em estudos de viabilidade técnica e econômica que envolveu a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Funtac e outros órgãos do governo estadual, e a Cooperativa Agro-extrativista de Xapuri (Caex), além de empresas privadas.  De acordo com a assessoria da Saúde, a ideia de construir a fábrica partiu da necessidade de investir na indústria nacional de produção de preservativos, diminuindo a dependência de importação do insumo.

465 MILHÕES DE CAMISINHAS DISTRIBUÍDAS EM 2009

No ano passado, o Ministério da Saúde bateu um novo recorde de distribuição de preservativos masculinos. Foram repassadas 465 milhões de camisinhas às secretarias estaduais de saúde em todo o país. O número representa três vezes mais do que fora disponibilizado em 2007, cerca de 120 milhões. Só em janeiro deste ano, foram espalhadas 55,2 milhões camisinhas masculinas, número pouco menor do que a Preservativos Natex produziu para o ministério da Saúde desde sua inauguração.

De acordo com Mário Ângelo, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, em geral o Brasil importa preservativos da China, Índia e Coréia, o que onera os custos de compra. “Com a produção do látex em escala, poderemos ter preservativos a custos bem menores que os atuais”, afirma o especialista, que também é coordenador do Pólo de Prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids da universidade.

Ele acredita que as campanhas sobre uso de preservativos durante o carnaval são muito importantes, mas alerta para o risco da associação temática entre o carnaval, a prevenções de gravidez não desejada e as DSTs. “Corre-se o risco de banalizar o preservativo, reduzindo seu uso ao momento do carnaval. Preservativos devem ser usados durante todo o ano, com fácil acesso e com campanhas permanentes estimulando seu uso”, destaca Ângelo.

Fonte: Fatima News (15/02/2010)

Postado em 19/02/2010

Unesp: Alunos da FCA implantam Sistema Agroflorestal em aterro sanitário no município de Neves Paulista/SP

Foram plantadas quatrocentas mudas de seringueira e quatrocentas de café numa área de 1,2 hectares onde será depositado o lixo orgânico do município.

Cinquenta estudantes dos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, câmpus de Botucatu, implantaram, no dia 5 de fevereiro, o 1º Sistema Agroflorestal (SAF) de seringueira com café em aterro sanitário, no município de Neves Paulista/SP.

Foram plantadas quatrocentas mudas de seringueira e quatrocentas de café no aterro sanitário de 1,2 hectares que, a partir de agora, passa a receber o lixo orgânico do município. O material, recolhido através de coleta seletiva, será depositado em valas instaladas junto às áreas de cultivo.

O SAF tem o objetivo de desenvolver um processo alternativo e sustentável de recepção do lixo orgânico com baixo impacto ambiental e é considerado um novo paradigma de sustentabilidade.

O Sistema pode reunir diversas culturas numa única área. “Ao implantar o SAF num aterro sanitário será possível conciliar importantes serviços ambientais com benefícios ecológicos, econômicos e sociais a partir da geração de emprego, renda e retorno financeiro através da produção de látex e café na área” explica o professor Valdemir Rodrigues, do Departamento de Recursos Naturais da FCA.

O projeto do SAF foi desenvolvido pela FCA e oferecido à Prefeitura Municipal de Neves Paulista que, através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, encampou a idéia. O custo para o município foi zero, pois a FCA desenvolveu e implantou o projeto e as mudas foram doadas pela Polifer, empresa especializada em produção de mudas de seringueira.

A implantação do SAF também disponibiliza para a comunidade um laboratório vivo de educação ambiental, com a possibilidade de receber aulas práticas para os estudantes de ensino fundamental, médio e universitário. “Um ambiente que seria degradado agora se apresenta como uma alternativa sustentável para contribuir com a conservação da natureza e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas”, diz o professor Rodrigues.

As atividades de implantação do SAF em Neves Paulista foram realizadas como parte das aulas práticas de Heveicultura (cultura da seringueira), sob a coordenação do professor Valdemir Rodrigues. A coordenação discente do projeto ficou a cargo das estudantes Paula Nepomuceno Costa, Janaina Scotton e Magali Furlan Nehemy.

Fonte: Assessoria de comunicação da Unesp

Postado em 19/02/2010

Produção de Borracha

Produtores de borracha de São Paulo estão preocupados com a safra. A chuva em excesso está atrapalhando o trabalho nos seringais e comprometendo a qualidade do látex.

As seringueiras de quase 20 anos estão em fase de produção. Na área de 11 hectares em Buritama, no noroeste de São Paulo, a agricultora Nelcina Falleiros tem 7,2 mil árvores. Mas a chuva em excesso tem prejudicado a produção de látex. “Aqui agora está produzindo muito pouco. Está produzindo uma média de dois mil quilos a cada 15 dias. Isso não é normal. O normal são dois mil quilos por semana”, disse.

A chuva em excesso atrapalha a produção porque o trabalho não pode ser feito. O corte no caule da seringueira é necessário para que a seiva escorra. Sem ele não é possível a extração do látex.

Segundo os produtores, com a chuva a casca da seringueira fica úmida, o que dificulta a sangria. Além disso, o recipiente onde cai o látex enche de água e o produto é perdido.

Esses são os problemas do agricultor Oscar Pirassol. Na lavoura de três mil seringueiras ele teve uma queda na produção que ultrapassa os 50%. “Eu tenho uma produção de aproximadamente 500 quilos por mês. Isso é pouco porque a chuva atrapalha a sangria. Normalmente, eu colho uma média de 1,5 mil a dois mil quilos por mês em três mil árvores”, avaliou.

A cidade produz duas mil toneladas de látex por ano e tem quase 700 mil pés de seringueiras. Isso porque o clima sempre foi favorável para a cultura.

“A chuva moderada ajuda na produção da seiva. Mas 2009 e esse início de 2010 está sendo um ano atípico, com excesso de chuva que atrapalha a produção”, explicou a agrônoma Mirele Vinhas Voltolini.

São Paulo é o principal produtor de borracha do país, com 34% da safra nacional.

Fonte: Globo Rural (26/01/2010)

Postado em 19/02/2010