A área plantada com seringueira (Hevea brasiliensis) no Brasil ocupa atualmente 150 mil hectares, o que representa apenas 1,50% da área nacional. Países expressivos nesta produção chegam a índices 33,10%, como acontece na Indonésia, seguido da Tailândia com 23,60%, Malásia com 11,90%, China 7,60%, Índia 6,10% Vietnã 5,32% e Myammar 2,86%, segundo dados de 2008 do Grupo Internacional de Estudos da Borracha (IRSG).
No médio prazo, a produção mundial deve seguir em crescimento, mas a taxas inferiores em virtude da restrição de terras aptas ao cultivo da seringueira nos principais países produtores do Sudeste Asiático. Projeta-se uma produção da ordem de 11,8 milhões de toneladas de borracha natural em 2015, contra uma demanda de 14,3 milhões de toneladas, ou seja, um déficit de 2,5 milhões de toneladas, causando o temido “apagão da borracha”.
DEMANDA LOCAL
A demanda mundial tem sido atendida nos anos recentes às custas da intensificação da exploração em alguns dos países produtores, impulsionados pelos elevados preços internacionais, e pela disponibilidade dos estoques reguladores.
Considerando que o consumo mundial de borracha natural alcançou cerca de 9,725 milhões de toneladas em 2007 e que o preço médio anual da SMR20 (um tipo de borracha natural utilizada em pneumáticos) foi de US$ 2.161,1/t, ter-se-á uma movimentação de US$ 21,0 bilhões por ano.
Aplicando-se o mesmo raciocínio para o Brasil, considerando um consumo anual da ordem de 310 mil toneladas e o preço médio anual em 2007 de R$ 4.460,0/t, Heiko Rossmann, engenheiro agrônomo, diretor da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) e consultor do Instituto Tecnológico da Borracha (ITeB), chega ao número de R$ 1,382 bilhão por ano.
A produtividade média no Brasil é de 986 kg de borracha seca por hectare, considerando um DRC (Dry Rubber Content/Teor de Borracha Seca) médio de 60%. Ademar Queiroz do Vale, secretário executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos Leves (ABIARB), não aponta apenas uma região mais tecnificada, pois a maioria dos plantios de seringueira realizados no país tem potencial para alcançar elevada produtividade, em função das técnicas agronômicas empregadas e dos clones mais adaptados a cada região. “Dentre as 63 microrregiões geográficas do Estado de São Paulo com mais de 1.000 hectares de área colhida, a de Bauru (composta por 21 municípios), por exemplo, apresenta a produtividade média é de 2.287 kg de borracha seca por hectare”, conta.
Hoje, existem plantações de seringueira que ultrapassam 2.500 kg de borracha seca por hectare.
DEMANDA MUNDIAL
A maior demanda se concentra nos municípios que possuem fábricas das grandes pneumáticas, como: Americana, Campinas, Santo André, São Paulo e Sumaré (SP), Rio de Janeiro e Itatiaia (RJ), Camaçari e Feira de Santana (BA) e Gravataí (PR). A indústria pneumática é responsável por 75% do consumo brasileiro de borracha natural. Os 25% restantes são utilizados pela indústria de artefatos leves, composta por mais de 1.200 empresas.
Em termos mundiais, a China é uma gigante no ranking de consumo, seguido pelos EUA e Japão. De acordo com dados do International Rubber Study Group (IRSG), a demanda chinesa foi de 2,55 milhões de toneladas de borracha natural em 2007, ou 26,2% do total. Os estadunidenses consumiram 1,02 milhão de toneladas, ou 10,5%, e os japoneses, 888,1 mil toneladas, ou 9,1%.
No Brasil, destacam-se São Paulo (54,2%), Bahia (14,5%) e Mato Grosso (13,7%), mas a heveicultura vem se expandindo em outros estados, dos quais Marcelo Pricoli, secretário executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos Leves (ABIARB), observa como mais promissores Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Tailândia (31,4%), Indonésia (28,8%) e Malásia (12,3%) são os três maiores produtores mundiais. Ou seja, 72,5% da produção mundial é oriunda de apenas três países.
INVESTIMENTO X RENTABILIDADE
Paulo Edgard Nascimento de Toledo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), relata que comumente, a exploração (termo técnico para extração do látex) da plantação se inicia no sétimo ano após o plantio. Porém, seguindo-se as recomendações técnicas, tem-se conseguido iniciar a produção já no sexto ano.
Em termos de benefícios sociais, ambientais e econômicos, a heveicultura destaca: geração de emprego no campo; aumento da renda familiar; e fixação do homem no campo. Dentre os benefícios ambientais estão: proteção do solo contra erosão; recuperação de áreas degradadas; e fixação de gases causadores do efeito estufa (seqüestro de carbono).
Os benefícios econômicos são: desenvolvimento econômico local e regional; receita com a venda da borracha; e valorização da terra (floresta).
Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br