USOS DA MADEIRA
A madeira de seringueira tem se tornado uma fonte importante de renda após a exploração do látex da cultura, principalmente na Malásia, onde 70% da madeira utilizada vem da seringueira, exportando para o Japão para produção de móveis ao preço de US$ 220/m3. Geralmente, quando a produção de látex em um talhão não é mais economicamente viável, procede-se a derrubada das árvores, seguida do replantio da área. A madeira ramanescente pode ser utilizada como combustível ou celulose, e com o tratamento químico, pode ser utilizada na indústria de móveis (Kamala & Rao, 1989) e na fabricação de portas, janelas, formas para concreto armado, vigas, colunas, painéis e artigos domésticos como a madeira compensada (Haridasan, 1989). Segundo Pushpadas et al. (1980) as árvores no final da sua vida produtiva apresentam um perímetro médio do caule em torno de 110-100 cm (125 cm acima do solo), sendo aptas para corte aproximadamente 184 árvores/hectare. De uma árvore obtêm-se 0,62 m3 provenientes do tronco e cerca de 0,39m3 provenientes dos ramos laterais, totalizando 1,10 m3 / árvore. Segundo Haridasan (1989) em um hectare de seringal com 450 árvores, 200 árvores são aptas para corte, com a produção de 1m3 / árvore. Peries (1990) confirma a possibilidade de extração de 130-180 toneladas de madeira/ha em um seringal no final do seu ciclo produtivo.
PROPRIEDADES
Normalmente a coloração de madeira se assemelha ao branco (Figura 1 e 2), às vezes pode apresentar um aspecto marrom claro ou amarelado. A densidade gira em torno de 560 a 650 Kg/ m3, e a umidade da madeira recém-cortada é de aproximadamente 60%, podendo ser reduzida para 15% quando seca ao ar, exigindo pelo menos 10 dias de exposição nessas condições (Haridasan, 1989). O grande problema da utilização dos produtos provenientes da madeira de seringueira é a alta susceptibilidade ao ataque de fungos e insetos (besouros e cupins), devido à ausência de cerne na madeira e a um alto teor de amido e açúcares (Tabela 1) (Peries, 1990), necessitando, portanto, de um tratamento profilático logo após o corte, em um período menor que 24 horas (Prakash, 1990). Além disso, problemas de contração da madeira, devido a existência de tração (Haridasan, 1989), dificultam a sua utilização (Rao et al., 1990). A ocorrência de tração é natural, e não pode ser evitada, porque suas causas ainda não são muito conhecidas. Para tentar minimizar esses problemas na madeira recomenda-se proteger o seringal do vento (quebra-ventos), diminuindo as torções dos ramos, troncos e a quebra das árvores.
TRATAMENTO
Segundo José et al. (1989) os fungos mais comuns que deterioram a madeira são: Botryodiplodia theobromae associado com Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp., entre outros. A recomendação de tratamento químico na madeira é a mesma para outras madeiras em geral. A escolha do tratamento mais adequado depende da finalidade a que se destina o material. Segundo Haridasan (1989), os métodos mais utilizados são o tratamento por difusão e por vácuo. O primeiro é o método mais comum, e consiste em pulverizar ou imergir a madeira logo após o corte em uma mistura de sódio pentaclorofeno1 (contra fungos), bórax à 1-2% (contra insetos) e ácido bórico à 25%. São necessárias três semanas para completar o tratamento. Cada prancha é mergulhada na solução por 5 a 10 minutos e empilhadas uma sobre as outras com um pequeno espaço entre cada uma delas, posteriormente a pilha deve ser coberta com uma lona de polietileno por três semanas. Normalmente utiliza-se esse tipo de tratamento em móveis que não serão expostos à chuva, pois o boro absorvido pelas células de madeira é solúvel em água, sendo facilmente lixiviado. Segundo Tan et al.(1979) o tratamento por difusão protege a madeira apenas superficialmente. O outro processo consiste em impregnar às células da madeira com uma solução de cromo e arsênio, através de pressão e vácuo, permitindo uma maior resistência da madeira, por um período prolongado. Uma completa infiltração da solução é conseguida sem dificuldades em uma tábua de 5 cm de espessura, quando colocada por duas horas sob 15 Kg/cm2 de pressão, mas é necessária secagem prévia da madeira. Esse método não preserva a coloração natural da madeira.
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