A área plantada com seringueira (Hevea brasiliensis) no Brasil ocupa atualmente 150 mil hectares, o que representa apenas 1,50% da área nacional. Países expressivos nesta produção chegam a índices 33,10%, como acontece na Indonésia, seguido da Tailândia com 23,60%, Malásia com 11,90%, China 7,60%, Índia 6,10% Vietnã 5,32% e Myammar 2,86%, segundo dados de 2008 do Grupo Internacional de Estudos da Borracha (IRSG).
O Brasil produz cerca de 108 mil toneladas de borracha e consome 337 mil toneladas. Esses índices, informados por João Sampaio, produtor de borracha, economista e secretário de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, faz de nós grandes importadores, mas ele afirma que caminhamos para aumentar a produção e isto se apresenta como uma grande oportunidade para o produtor.
São Paulo continua sendo o maior produtor de borracha natural do país, detendo quase 60% do total produzido. “No Brasil, São Paulo lidera tanto em área plantada com seringal novo e em produção, em um total de 70 mil hectares. Desses, 45 mil encontram-se em produção, seguido pelo estado do Mato Grosso, com quase 33% da área plantada, Bahia com 17%, Espírito Santo com 6%, Goiás com 3%, Minas Gerais 2%, e outros estados com 6%, num total de 137 mil hectares em produção”, informa Afonso Pedro Brioschi, engenheiro agrônomo da CATI.
Nessas regiões, há mão-de-obra especializada e maior volume de capital para investimento em tecnologia. Além disso, a maioria das indústrias consumidoras está ali instalada, reduzindo os custos logísticos com o transporte da matéria-prima. O clima apresenta-se adequado para a seringueira, que perde suas folhas na estação seca, cortando o ciclo do fungo causador do mal-das-folhas e, conseqüentemente, mantendo as árvores sadias.
Rentabilidade garantida
Considerando a média de produção obtida de um seringal adulto, Brioschi garante que o rendimento bruto chega a aproximadamente R$ 5.000,00/hectare, sendo que 40% deste valor se referem ao custo de exploração, mão-de-obra e insumos. A margem de rentabilidade é, portanto, de 60%, que deverá cobrir os custos de implantação e remuneração do produtor.
João Sampaio ressalta que isto acontece depois de sete anos, porque a seringueira começa a produzir com estabilidade por volta do décimo ano. Numa análise rápida, ele garante que a seringueira rende três vezes mais financeiramente que a cana, com o preço da tonelada no patamar registrado atualmente. “São análises conjunturais e rápidas, mas é uma atividade de boa rentabilidade e uma boa opção ao produtor”, pontua.
Caso prático
O experiente heveicultor Jerônimo da Silva Braz Net, que trabalha há 24 anos com esta cultura, é engenheiro metalúrgico e proprietário da Fazenda Itaipava, localizada em Raul Soares, no interior mineiro. Lá ele planta 242 hectares, sendo 11 deles em produção e quatro plantados há dois anos.
“As variedades que plantamos 20 anos atrás foram Fx 2261, Fx 3844, Fx 985, IAN873 e temos alcançado produtividade anual de 5,5 kg de coágulo/árvore, o que leva a uma produção anual de 25.000 kg de coágulo com 67% de DRC (teor de borracha no látex coagulado). No plantio que fizemos em 2006 utilizamos a variedade RRIM600”, revela.
Ele calcula que o investimento feito nos dois primeiros anos – que são os mais difíceis para a implantação da cultura – chegou a R$ 4.000,00 por hectare. Isso comprando mudas a R$ 4,00 e lembrando que são necessárias 500 por hectare.
As despesas a partir do segundo ano são menores, pois, Jerônimo Net explica que é preciso apenas controlar a concorrência do mato e a adubação na época das chuvas. “Noto que as formigas incomodam bem menos quando a planta já está com mais de 2 anos”, observa.
Este heveicultor tem alcançado preço de venda por volta de R$ 2.75/kg de coágulo. Como ele tem cerca de 500 plantas por hectare, e cada uma produz cerca de 5,5 kg por ano, fazendo as contas chega-se a um faturamento bruto de R$ 7.562,50 por hectare.
Tomando como factível 40% deste valor para despesas com mão-de-obra, fungicidas, equipamentos como facas de corte, copos para coleta do látex, estimulantes de produção, transporte, etc., sobram então R$ 4.537,50/hectare a título de lucro anual com a atividade.Normalmente, seus compradores são usinas na região de São José do Rio Preto (SP) e a Michelin, na Bahia, que beneficiam o coágulo transformando-o em um produto denominado GEB (granulado escuro brasileiro). Ele corresponde à borracha natural importada da Ásia, principalmente da Tailândia, Indonésia e Malásia, que são os maiores produtores mundiais de borracha natural.
Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

