Archive Novembro, 2008

Ouro branco corre nas veias do Brasil

A área plantada com seringueira (Hevea brasiliensis) no Brasil ocupa atualmente 150 mil hectares, o que representa apenas 1,50% da área nacional. Países expressivos nesta produção chegam a índices 33,10%, como acontece na Indonésia, seguido da Tailândia com 23,60%, Malásia com 11,90%, China 7,60%, Índia 6,10% Vietnã 5,32% e Myammar 2,86%, segundo dados de 2008 do Grupo Internacional de Estudos da Borracha (IRSG).

O Brasil produz cerca de 108 mil toneladas de borracha e consome 337 mil toneladas. Esses índices, informados por João Sampaio, produtor de borracha, economista e secretário de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, faz de nós grandes importadores, mas ele afirma que caminhamos para aumentar a produção e isto se apresenta como uma grande oportunidade para o produtor.

São Paulo continua sendo o maior produtor de borracha natural do país, detendo quase 60% do total produzido. “No Brasil, São Paulo lidera tanto em área plantada com seringal novo e em produção, em um total de 70 mil hectares. Desses, 45 mil encontram-se em produção, seguido pelo estado do Mato Grosso, com quase 33% da área plantada, Bahia com 17%, Espírito Santo com 6%, Goiás com 3%, Minas Gerais 2%, e outros estados com 6%, num total de 137 mil hectares em produção”, informa Afonso Pedro Brioschi, engenheiro agrônomo da CATI.

Nessas regiões, há mão-de-obra especializada e maior volume de capital para investimento em tecnologia. Além disso, a maioria das indústrias consumidoras está ali instalada, reduzindo os custos logísticos com o transporte da matéria-prima. O clima apresenta-se adequado para a seringueira, que perde suas folhas na estação seca, cortando o ciclo do fungo causador do mal-das-folhas e, conseqüentemente, mantendo as árvores sadias.

Rentabilidade garantida

Considerando a média de produção obtida de um seringal adulto, Brioschi garante que o rendimento bruto chega a aproximadamente R$ 5.000,00/hectare, sendo que 40% deste valor se referem ao custo de exploração, mão-de-obra e insumos. A margem de rentabilidade é, portanto, de 60%, que deverá cobrir os custos de implantação e remuneração do produtor.

João Sampaio ressalta que isto acontece depois de sete anos, porque a seringueira começa a produzir com estabilidade por volta do décimo ano. Numa análise rápida, ele garante que a seringueira rende três vezes mais financeiramente que a cana, com o preço da tonelada no patamar registrado atualmente. “São análises conjunturais e rápidas, mas é uma atividade de boa rentabilidade e uma boa opção ao produtor”, pontua.

Caso prático

O experiente heveicultor Jerônimo da Silva Braz Net, que trabalha há 24 anos com esta cultura, é engenheiro metalúrgico e proprietário da Fazenda Itaipava, localizada em Raul Soares, no interior mineiro. Lá ele planta 242 hectares, sendo 11 deles em produção e quatro plantados há dois anos.

“As variedades que plantamos 20 anos atrás foram Fx 2261, Fx 3844, Fx 985, IAN873 e temos alcançado produtividade anual de 5,5 kg de coágulo/árvore, o que leva a uma produção anual de 25.000 kg de coágulo com 67% de DRC (teor de borracha no látex coagulado). No plantio que fizemos em 2006 utilizamos a variedade RRIM600”, revela.

Ele calcula que o investimento feito nos dois primeiros anos – que são os mais difíceis para a implantação da cultura – chegou a R$ 4.000,00 por hectare. Isso comprando mudas a R$ 4,00 e lembrando que são necessárias 500 por hectare.

As despesas a partir do segundo ano são menores, pois, Jerônimo Net explica que é preciso apenas controlar a concorrência do mato e a adubação na época das chuvas. “Noto que as formigas incomodam bem menos quando a planta já está com mais de 2 anos”, observa.

Este heveicultor tem alcançado preço de venda por volta de R$ 2.75/kg de coágulo. Como ele tem cerca de 500 plantas por hectare, e cada uma produz cerca de 5,5 kg por ano, fazendo as contas chega-se a um faturamento bruto de R$ 7.562,50 por hectare.

Tomando como factível 40% deste valor para despesas com mão-de-obra, fungicidas, equipamentos como facas de corte, copos para coleta do látex, estimulantes de produção, transporte, etc., sobram então R$ 4.537,50/hectare a título de lucro anual com a atividade.Normalmente, seus compradores são usinas na região de São José do Rio Preto (SP) e a Michelin, na Bahia, que beneficiam o coágulo transformando-o em um produto denominado GEB (granulado escuro brasileiro). Ele corresponde à borracha natural importada da Ásia, principalmente da Tailândia, Indonésia e Malásia, que são os maiores produtores mundiais de borracha natural.

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

Postado em 23/11/2008

Novo plano procura estimular plantio de seringueiras no PR

O governo do Paraná está preparando um plano para estimular o cultivo de seringueiras nas regiões norte e noroeste do Estado. O objetivo é aproveitar o bom momento desse mercado e incrementar a renda da agricultura familiar. O trabalho será feito em parceria com órgãos do governo, produtores e cooperativas, como a Cocamar, de Maringá. A intenção é aumentar dos atuais 800 para cerca de 10 mil hectares a área de cultivada no prazo de dez anos, o que poderá viabilizar o investimento em indústria de processamento local de borracha, porque hoje a produção é vendida para empresas instaladas no interior de São Paulo.

De olho no plano, Nício Otani, cooperado da Cocamar, investe em um viveiro para produção de 200 mil mudas por ano.

A expansão da heveicultura, como é chamada a cultura da seringueira, pode até ajudar na recuperação de áreas de reserva legal, porque uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná permite o uso da árvore por um ciclo econômico em conjunto com cinco espécies nativas do Estado. “A recuperação da reserva legal precisa ser feita até 2018 e, pelo Código Florestal, é permitido o uso provisório de espécies exóticas”, explica o chefe da divisão de cultivo florestal da secretaria estadual da Agricultura, Renato Viana Gonçalves.

Segundo ele, independentemente do plantio em reserva legal, a seringueira é uma cultura viável no Estado. Mas a intenção também não é substituir outros produtos, como grãos e cana, e por isso outra opção a ser adotada é o plantio combinado com café. O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, contou que há anos o Estado discute a viabilidade do cultivo de seringueiras, porque o país consome cerca de 300 mil toneladas por ano de borracha e produz um terço disso.

Bianchini explicou que o custo de implantação dificultou até agora o investimento na cultura, porque o início da produção leva de seis a oito anos. Mas ele citou a possibilidade de uso de recursos do Pronaf-Eco para o plantio, a existência de zoneamento climático e tecnologia e a perspectiva de uma boa renda, demonstrada pelos pioneiros da heveicultura no Estado, que atuam no ramo desde o fim dos anos 1980.

Segundo ele, o plano deve ser lançado ainda em novembro e, para que caminhe, será necessário ampliar os viveiros e produzir mudas para o plantio de mil hectares por ano a partir de 2010. “Detalhes estão sendo acertados, mas há uma decisão do governo de estimular a cultura”. O custo de implantação é estimado em R$ 4 mil por hectare e a média de renda bruta é de R$ 6,5 mil a partir do sétimo ano. Uma árvore produz por durante cerca de 35 anos.

Gonçalves, da divisão florestal, comentou que o produtor paranaense está acostumado a trabalhar com cultura anual, por isso será feito trabalho de divulgação e acompanhamento da planta, junto com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que colonizou a região, foi a primeira a apostar em seringueira no Estado. “Plantamos em 1988 a primeira muda. Busquei a semente em São Paulo”, conta Mauro Rosseto, engenheiro agrônomo e gerente da área de pesquisa. Hoje a empresa possui uma fazenda com 374 hectares e 174 mil árvores no município de Paranapoema. Rosseto lembra que no local havia plantação de café, mas os pés estavam doentes e deram espaço à nova opção.

A direção da Cocamar não quis falar sobre o assunto, mas recentemente apoiou evento promovido pela Emater que tinha a heveicultura como um dos temas. Segundo a assessoria da cooperativa, foi mostrado que a Malásia, um dos maiores produtores mundiais, está cortando seringueiras para obtenção de madeira, por isso a demanda vai aumentar. Aos participantes foi mostrado que em cada hectare podem ser cultivadas 580 plantas, e a sangria é feita a cada três ou quatro dias, nas horas mais frescas. Por ano, cada árvore produz de 5 a 10 quilos de borracha, que podem ser comercializados de duas formas: cernambi (tipo de borracha coagulada) ou látex (líquida).

O agrônomo Nício Otani, um dos cooperados da Cocamar, cultiva seringueiras em 10 hectares no município de Alto Paraná, metade em produção e metade com três anos. Como tem visto o interesse de outras pessoas pela planta, está investindo em um viveiro para produção de 200 mil mudas por ano. As primeiras ficarão prontas em fevereiro. “Toda semana recebo pedido de informações”, diz. Otani plantava café e mandioca, mas agora só quer saber do mercado de borracha. “Dá mais que qualquer cultura ou pecuária”, garante.

Fonte: Marli Lima, de Curitiba – www.valoronline.com.br

Postado em 14/11/2008