CDA realiza encontro técnico sobre Seringueira em Barretos

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, realiza nos dias 24 e 25 de novembro em Barretos-SP, o II Encontro Técnico de Heveicultura, com o objetivo de discutir e atualizar informações sobre a cultura. O evento contará com a presença de Mônika Bergamaschi, secretaria da pasta e dos maiores especialistas em seringueira do país.

Com mais de 80.000 ha de seringueiras, o estado de São Paulo contribui com 55% da produção de borracha natural produzida no Brasil, evidenciando a crescente importância no suprimento de borracha para a indústria nacional, conferindo ao Estado a condição de primeiro produtor de borracha natural do Brasil.

Segundo Paulo Fernando de Brito, diretor do Escritório de Defesa Agropecuária de Barretos e coordenador do evento “os palestrantes trarão informações importantes sobre o mercado da borracha natural, pragas e doenças e informações recentes da pesquisa sobre produção de mudas, pois o setor passa por um bom momento, proporcionando boa produtividade aos produtores”.

A ficha de inscrição e todas as informações estão disponíveis no site da Coordenadoria de Defesa Agropecuária – www.cda.sp.gov.br. O II Encontro Técnico de Heveicultura tem o apoio da Unifeb, Unesp Jaboticabal, Unesp Botucatu e Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Barretos e será realizado no anfiteatro “Jorge Andrade” da Unifeb.

A REGIÃO – Na região de Barretos a seringueira é uma cultura tradicional e tem importância econômica e histórica, pois está presente na região desde 1960. Merece destaque o fato de ser a única cultura que não perdeu área para a cana de açúcar nos últimos dez anos.

Na área do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Barretos que atende 18 municípios existem 4,2 milhões de pés de seringueira, perdendo apenas para as regionais São José do Rio Preto e General Salgado. O município de Barretos produz 1,4 milhões de pés. A seringueira é uma grande opção pra os produtores rurais, possibilitando alternativa de diversificação de cultivo e boa rentabilidade ao produtor. Segundo Brito, o valor médio recebido pelo produtor em outubro foi de R$3,50 o quilo do coágulo.

PROGRAMAÇÃO

24 de Novembro
08h00 Inscrições
09h00 Cerimônia de Abertura do Evento – Heinz Otto Hellwig – Coordenador da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo
09h45 “Produção de Mudas de Seringueira em Viveiro Suspenso” – Dr. Ailton Vitor Pereira – Embrapa Goiânia/GO
10h45 “Adubação da Cultura da Seringueira” – Ondino Cleante Bataglia – Consultoria Agronômica Campinas/SP
14h00 “Formação de Mudas de Seringueira em Bancadas – Relato do Viveirista” – José Gilberto Pratinha – Viveirista de Paranavaí/PR
14h30 “Nematóides na Cultura da Seringueira – Prevenção é Fundamental” – Prof. Dr. Pedro Luiz M. Soares – UNESP Jaboticabal/SP
16h00 “Manejo de Doenças do Seringal” – Prof. Dr. Edson Luis Furtado – UNESP Botucatu/SP
17h30 Debates

25 de Novembro
08h00 Mônika Bergamaschi – Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
08h20 “Implantação da Cultura da Seringueira” – Marcos Silveira Bernardes – ESALQ USP Piracicaba/SP
09h20 “Propostas para Regulamentação da Produção de Mudas de Seringueira” – Paulo Fernando de Brito EDA Barretos – Coordenadoria de Defesa Agropecuária/ SAA São Paulo
10h45 “Manejo de Pragas do Seringal” – Marineide Rosa Vieira – UNESP Ilha Solteira/S
14h00 “Nutrição e Exploração da Seringueira” – Adonias de Castro Virgens Filho – CEPEC – MAPA Itabuna/Bahia
15h30 “Perspectivas para o Mercado de Borracha Natural” – João de Almeida Sampaio Filho – Economista Empresário Rural / Sociedade Rural Brasileira
16h30 Debates
17h00 Encerramento

SERVIÇO:

II Encontro Técnico de Heveicultura
Data: 24 e 25 de novembro de 2011
Horário: das 08 às 18 horas
Local: Anfiteatro “Jorge Andrade” Unifeb/Barretos, Av. Prof. Roberto Frade Monte, 389 – Bairro Aeroporto, Barretos – SP (em frente ao North Shopping Barretos).

Fonte:
Assessoria de Comunicação da CDA
Teresa Paranhos
Tel.: (19) 3045-3350

Postado em 22/11/2011

Por que plantar a seringueira?

A heveicultura tem uma rentabilidade superior a 18% ao ano.

Conheça diversas vantagens de utilizar a heveicultura como alternativa de plantio no processo de compensação das emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE’s).

1. A seringueira é uma das plantas que mais seqüestra o carbono da atmosfera por meio da fotossíntese no processo de constituição de seu tronco, galhos e folhas, mas principalmente na produção do látex, contribuindo significativamente com a neutralização dos Gases de Efeito Estufa (GEE’s).

2. Um hectare de seringueira, onde se planta em média 500 árvores, gera até 10 toneladas de CO2e em um ano.

3. A borracha natural tem atributos técnicos (como elasticidade e resistência à abrasão) superiores às borrachas sintéticas, podendo substituí-las em prol a conseqüente diminuição do consumo de petróleo, contribuindo ainda mais com a redução das emissões dos GEE’s.

4. A seringueira nutre o solo, recuperando áreas degradadas pelo pasto ou outras práticas agrícolas, inclusive em terrenos com até 35% de declividade.

5. Originária da região Amazônica, a seringueira pode se estender por todas as regiões compreendidas entre o Trópico de Capricórnio e o Trópico de Câncer, incluindo os estados de São Paulo (maior produtor nacional), Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

6. Por ser uma cultura perene, com produção durante 11 meses no ano e por mais de 40 anos, não necessita de manutenção intensiva e fixa o homem no campo com emprego para toda a família, evitando o êxodo rural.

7. A borracha natural é o segundo produto agrícola de maior peso negativo na Balança Comercial brasileira (o Brasil importa cerca de 70% das 345 mil toneladas consumidas anualmente).

8. No mercado mundial de borracha natural se observa um acentuado e crescente aumento de consumo desta commodity, bem superior a sua curva de produção, com projeções podendo chegar a níveis de 2,5 a 4,0 milhões de toneladas de déficit em 2030.

9. A heveicultura tem uma rentabilidade superior a 18% ao ano.

Aspectos mercadológicos

O Selo Seringueira Ambiental pode ser usado como uma ferramenta mercadológica, demonstrando o engajamento sócio-ambiental de sua empresa ou instituição, nas embalagens dos produtos e nos materiais de divulgação tanto interna quanto externamente.

A empresa pode ainda mencionar que possui o selo “Seringueira Ambiental” em palestras, conferências ou qualquer evento público, divulgando, sempre que possível, a iniciativa do ITeB no processo de neutralização das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE’s), mediante o plantio de mudas de seringueira.

Fonte: ITeB

Postado em 13/11/2011

Nota de Falecimento – Jayme Vazquez Cortez

O engenheiro agrônomo e presidente da Apabor (Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha), Jayme Vazquez Cortez, faleceu nesta madrugada, aos 86 anos.

Jayme, que estava na presidência da Apabor desde maio do ano de 2004, esteve à frente dos esforços para a introdução do cultivo da seringueira no Brasil e um dos maiores incentivadores da expansão da cultura no país. Iniciou o primeiro contato com cultura da seringueira em 1951, quando foi convidado para ser chefe da estação experimental para pesquisas com plantas tropicais, que seria construída no litoral paulista pelo Instituto Agronômico de Campinas, e instalou, em Campinas, os primeiros viveiros de produção de mudas de seringueira. No mesmo ano, o Brasil importava, pela primeira vez, a borracha natural.

Mais informações:
APABOR – Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha
(17) 3235-1088 | apabor@apabor.org.br

Fonte: Lateks

Confira aqui a homenagem feita pelo site Borracha Natural Brasileira.

Postado em 15/08/2011

Bahia busca a autossuficiência na produção de borracha natural

Entre as principais metas do Programa estão a implantação de 100 mil hectares de seringueiras até 2031, a elevação da produção para 300 mil toneladas/ano, e a geração de 34 mil empregos diretos, que hoje são 6.557 postos de trabalho.

O programa vai atender a 18.300 produtores, em sua maioria da agricultura familiar, e assegurar a autossuficiência da Bahia em borracha natural. O evento, que se tornou um marco na história da heveicultura baiana, contou com a participação de cerca de 70 representantes de todos os segmentos da cadeia, presidentes de associações e cooperativas de produtores, vereadores de vários municípios, secretários de Agricultura, além do vice-prefeito de Ituberá e técnicos e diretores da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Ao receber o documento, o secretário Eduardo Salles declarou que o Programa será apresentado ao governador Jaques Wagner, definindo com os membros da Câmara Setorial da Borracha que o próximo passo agora será identificar os papéis e responsabilidades de cada elo da cadeia, e colocar o Programa em prática.

“A Ceplac e a EBDA [Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola] serão fundamentais no desenvolvimento do Programa, mas temos que inserir o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), buscar o apoio e participação das prefeituras dos municípios dos sete territórios de identidade que estão na área de abrangência do programa, do Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e Desenbahia, além das indústrias pneumáticas instaladas na Bahia”, disse o secretário.

Salles estimulou a Câmara Setorial, produtores, associações e cooperativas a agilizar os planos de ação, e afirmou que “desejo o quanto antes assinar convênios com as entidades envolvidas para que já nos meses de janeiro e fevereiro de 2012 possamos coletar as sementes com as quais faremos as primeiras mudas que iniciarão a expansão da heveicultura na Bahia”.

PROGRAMA É DA CADEIA PRODUTIVA

Para o diretor geral da Ceplac, Jay Wallace, o Prodebon, além de ser estratégico para a Bahia e para o Brasil, tem grande importância por não ser um plano de governo. “É uma demanda que vem do próprio setor, da cadeia produtiva, elaborado pela Câmara Setorial da Borracha, um ano depois de sua criação”. Wallace destacou que se o Brasil não ampliar sua produção de borracha vai criar um gargalo que poderá esfriar o interesse de montadoras se instalar no País.

A produção de borracha na Bahia localiza-se no Pólo Ituberá, (Baixo Sul), e Pólo Una, (Litoral Sul), e no Pólo Itamaraju, (Extremo Sul), que está se formando. Mas, com a implantação do programa de desenvolvimento, a heveicultura será expandida para os municípios dos territórios de identidade Agreste, Médio Rio de Contas, Recôncavo e Vale do Jequiriça.

O secretário executivo da Câmara Setorial, Ivo Cabral Junior, informou que na Bahia estão funcionando quatro indústrias de Pneu. São a Pirelli e a Vipal, em Feira de Santana, e as Bridgestone e Continental, em Camaçari. O Estado conta apenas com duas indústrias beneficiadora da borracha, que são a Agroindustrial, em Ituberá, e a unidade da Michelan, em Igrapiúna. A maior parte da matéria prima utilizada pelas pneumáticas da Bahia é importada.

INCLUSÃO SOCIAL

Um dos responsáveis pela elaboração do Programa, o engenheiro agrônomo e diretor do Centro de Pesquisas do Cacau, Adonias de Castro Filho, disse ao apresentar o documento que o Programa de Desenvolvimento do Setor da Borracha Natural do Estado da Bahia “é importante para o desenvolvimento do Estado, inclusão social e erradicação da miséria”. Ele explicou que a lavoura de seringueira consorciada com cacau tem grande rentabilidade, podendo chegar a R$ 13 mil por hectare/ano.

A Bahia, que já é o segundo maior pólo produtor de borracha, atrás apenas do Estado de São Paulo, dá um importante passo para se tornar autossuficiente, num momento em que o País precisa aumentar a produção e também buscar a autossuficiência. Em 2009, o Brasil produziu 104 mil toneladas de borracha e consumiu 261 mil toneladas. No ano passado, o consumo cresceu para 320 mil toneladas.

De acordo com Ivo Cabral Junior, secretário executivo da Câmara Setorial da Borracha Natural, em 2010, a importação brasileira de borracha natural alcançou a marca de 790 milhões de dólares. “De 1998 a 2008, a produção brasileira cresceu 54%, e o consumo aumento 84% e, em valor monetário, as importações tiveram crescimento de 111%”.

O documento entregue ao secretário estima que no ano 2020 o Brasil estará consumindo 680 mil toneladas de borracha, número que no ano 2030 chegará a 1,3 milhão de toneladas. “Para ter autossuficiência, até o ano 2030 o Brasil deverá ter área plantada e produzindo de 830 mil hectares. Hoje, a área plantada é de 140 mil hectares”, disse Adonias de Castro.

Fonte: Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia / Josalto Alves – Jornalista

Postado em 11/08/2011

Projeto aposta no cultivo da seringueira como fonte de renda e sustentabilidade

Pneus, preservativos, acessórios e calçados. Estes produtos, tão constantes na vida moderna, têm um material em comum na composição: a borracha natural. Mas ao contrário do que pode sugerir o senso comum, a produção da borracha não se restringe mais ao extrativismo na Amazônia, responsável pelo período áureo da região do século XIX até as primeiras décadas do século passado. Hoje, a hevicultura tem como base um planejamento racional e está mais distribuída pelo sudeste e centro-oeste do País. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, apenas os estados de São Paulo, Mato Grosso e Bahia são responsáveis por mais de 80% da produção nacional de borracha.

No Rio de Janeiro, um projeto apoiado pelo edital de Apoio à Inovação Tecnológica, da FAPERJ, segue esse movimento. Empreendedores do Instituto Tecnológico da Borracha apostam no cultivo da seringueira (Heveas brasiliensis) como fonte de renda e sustentabilidade para o município fluminense de Quatis, situado na histórica região do Vale do Paraíba. Segundo o diretor do instituto e coordenador da iniciativa, o economista Marcello Tournillon Ramos, o projeto é uma oportunidade para ajudar a disseminar o cultivo de borracha no estado, que ainda é inexpressivo. “O objetivo é criar uma infraestrutura para o cultivo da seringueira fluminense, para que o Rio de Janeiro participe mais ativamente da produção nacional. Contrariando o que muitos pensam, o clima e o solo fluminenses, com destaque para o Vale do Paraíba, são extremamente propícios a essa cultura”, afirma.


Sementes de seringueira: viveiro da Iteb tem dez mil mudas, que serão distribuídas aos pequenos produtores

Renda e sustentabilidade

O projeto do Instituto Tecnológico da Borracha (Iteb), que tem entre seus parceiros a ONG Educa Mata Atlântica, propõe a introdução da seringueira como negócio socioambiental de longo prazo e reabilitação de áreas degradadas – em Quatis, inicialmente, para depois expandir a iniciativa para outras localidades do Vale do Paraíba. “A cultura da seringueira pode representar uma fonte de renda para os pequenos proprietários rurais da região. Ela pode gerar empregos diretos e indiretos e criar condições favoráveis para a fixação do homem no campo”, destaca Ramos. “Ao mesmo tempo, ela atende a legislação ambiental e pode ser uma importante aliada na preservação do meio ambiente”, completa.


Marcello Ramos (de branco), do Iteb, recebe técnico da Michelin Ney Santana e jovens da ONG Educa Mata Atlântica

Com esse propósito, criou-se um polo de desenvolvimento da cultura em uma propriedade rural situada às margens da estrada RJ -159, que liga Quatis ao distrito de Falcão. Lá, os pequenos produtores interessados recebem assistência técnica e formação adequada para cultivar a seringueira dentro dos parâmetros de sustentabilidade. “Os agricultores aprendem todo o processo de produção, desde a criação das mudas em viveiro, com enxerto clonal, passando pelo plantio, até a extração da borracha natural. Além da prática do manejo, eles recebem conhecimentos teóricos sobre o setor em geral e sobre os critérios de preservação ambiental”, diz Ramos.

O diretor do Instituto Tecnológico da Borracha recomenda aos agricultores que dividam seus terrenos em dois modelos de plantação: o modelo do seringal solteiro, ou seja, uma plantação só de seringueiras, e o modelo consorciado, que mistura seringueiras a outras espécies, como a pupunheira. “A seringueira demora seis anos para começar a produzir. Por isso, o modelo consorciado é interessante, já que a pupunheira dá frutos em dois anos, o que garante renda durante esse período de carência”, explica. O modelo consorciado também é ecologicamente correto. “O plantio de espécies diversificadas ajuda a recuperar com mais rapidez os solos degradados”, acrescenta Ramos, sugerindo que a atividade pode ser explorada em Áreas de Preservação Permanente (APP), como margens de rios e topos de morros.

Depois da atual etapa de capacitação dos agricultores familiares e pequenos produtores locais, o próximo passo será disponibilizar o plantio de 10 mil mudas de seringueiras, distribuídas em diversas propriedades da região. Ao todo, as árvores vão ocupar 20 hectares. Esse número terá um impacto positivo para o meio ambiente. A floresta de seringueira propicia a proteção do solo contra erosão e a proteção de nascentes e mananciais. Outro aspecto importante é que a Heveas brasiliensis é uma das espécies cultivadas com maior potencial de fixação dos gases causadores do efeito estufa, processo chamado de “sequestro de carbono”. “A estimativa é que os 10 mil pés de seringueira, em 15 anos, ‘sequestrem’ cinco mil toneladas de carbono equivalente (CO2e)”, ressalta Ramos.

Países asiáticos como Tailândia, Indonésia, Malásia, China e Vietnã são os mais importantes produtores mundiais de borracha natural. “Atualmente, o Brasil ocupa o nono lugar na produção mundial e precisa importar o produto para abastecer o mercado interno”, diz Ramos. A heveicultura gera receita e impostos com a venda da borracha natural, tanto in natura (látex virgem ou coágulo) quanto beneficiada – com produtos como o Granulado Escuro Brasileiro, conhecido como GEB-1. “Temos que suprir uma lacuna na produção interna de borracha do estado do Rio de Janeiro, que tem instalações da maior pneumática do mundo, a Michelin”, conclui. Também participam do projeto a educadora ambiental Vânia Velloso e a diretora do Educa Mata Atlântica, Rita de Souza.

Fonte: Débora Motta – FAPERJ

Postado em 30/07/2011

Michelin encerra atividades na região

A Plantações Edouard Michelin de Mato Grosso, do grupo francês Michelin, está encerrando as atividades em definitivo na região sul do Estado. A área remanescente da Michelin no distrito de Ouro Branco do Sul, em Itiquira, com cerca de 800 hectares, foi vendida agora ao Grupo Maggi, que, no fim de 2009, já havia comprado 8.000 hectares do grupo francês. Os funcionários remanescentes da Michelin foram comunicados do encerramento das atividades no dia 18 deste mês.

O gerente de Recursos Humanos da Plantações Michelin de Mato Grosso, Ubirajara Swinerd, justificou que o encerramento das atividades se deve, primeiramente, à baixa produtividade das seringueiras e, agora, devido às dificuldades logísticas para o beneficiamento de borracha natural na região. “As dificuldades logísticas tornaram as atividades da empresa na região inviáveis”, explicitou.

No final de 2009, o Jornal A TRIBUNA havia noticiado que o grupo francês estava encerrando o cultivo da seringueira na região em função das condições climáticas desfavoráveis para a produção, que resultavam em produtividades inviáveis. Com isso, a empresa manteve apenas uma fábrica de beneficiamento de borracha natural e um laboratório de pesquisa na área de seringueira – que estão sendo desativados agora. Na época, a empresa empregava em torno de 580 pessoas na região.

Ubirajara Swinerd informa que em torno de 50 funcionários ainda estão ligados ao grupo francês, a maioria atuando ultimamente na usina de beneficiamento e poucos deles na área de pesquisa. Com o fim das atividades, o gerente esclareceu que todos os funcionários demitidos serão devidamente indenizados, contando com um amplo plano social de benefícios. Alguns dos empregados vão ser aproveitados em outras unidades do grupo francês no país.

O gerente de Recursos Humanos contou que, no fim de 2009, com o encerramento do cultivo da seringueira na região, um total de 110 famílias ligadas à empresa foram beneficiadas em um programa social na área da agricultura familiar. Para essas famílias, a Plantações Michelin destinou 1.100 hectares das suas terras. Somando os 8.000 hectares vendidos inicialmente, os 1.100 hectares destinados à agricultura familiar, mais os 800 hectares remanescentes, o grupo francês detinha aproximadamente 10.000 hectares em Itiquira.

Foram mais de 30 anos de atuação do grupo francês na região sul de Mato Grosso. Ao longo desse tempo, contribuiu decisivamente no desenvolvimento e povoamento de Ouro Branco do Sul. No ápice da sua produção, chegou a ser uma das maiores empregadoras da região sul do Estado, com cerca de 1.500 empregados. Agora pretende manter na região apenas algumas pesquisas em relação à seringueira.


Com o encerramento do cultivo da seringueira na região, um total de 110 famílias ligadas à empresa foram beneficiadas em um programa social na área da agricultura familiar

Fonte: A Tribuna – MT

Postado em 29/07/2011

A terra aqui é cara, não é lugar para amador


MÔNIKA BERGAMASCHI, Secretária de Agricultura de São Paulo

Formada em agronomia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, Mônika Bergamaschi assumiu, no início de junho, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em seu primeiro trabalho na área pública, Mônika impôs para si o desafio de melhorar a comunicação do agronegócio com a sociedade brasileira. “Precisamos mostrar a importância do campo naquilo que a cidade consome”, diz. Entre 1993 e 1996, Mônika trabalhou como analista de crédito do Banco Noroeste, onde, conta, teve a possibilidade de conhecer o Brasil. Em 1996, foi para a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a convite do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que foi seu professor. Lá trabalhou até assumir a secretaria.

Globo Rural Durante a cerimônia de posse, a senhora mencionou algumas linhas de trabalho, como extensão rural e aumento de renda. Como pretende colocar isso em prática?
Mônika Bergamaschi Eu tenho o viés do associativismo e acredito nisso. Então, penso que essa é a maneira de ajudar o pequeno e o médio. O Estado não pode prover tudo, mas pode induzir algumas coisas por meio de parceria. Esse é um ponto. Outro: se houver uma política de renda para o produtor rural, ele poderá enfrentar melhor as oscilações do mercado e permanecerá na terra. Acredito que a economia expulsa os pequenos que perderam a condição de sobreviver no campo. Mas, com uma política de seguro, a gente consegue protegê-los. Além disso, é preciso se modernizar. O agricultor, independentemente do tamanho, tem de investir, usar tecnologia e melhorar sua gestão. Tudo isso para obter uma boa produtividade. Uma outra questão é que, para os pequenos, a informação é vital. Eles precisam saber a melhor hora de comprar, de vender, como acessar um seguro e devem usar assistência técnica. Outra política que pretendemos disponibilizar aos pequenos é a oferta de recursos com juros baixos e prazos maiores.

GR E qual é o perfil do agricultor paulista?
Mônika A predominância no estado de São Paulo, de acordo com o Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa), que é feito pela secretaria, é de propriedades com tamanho médio de 63 hectares. No levantamento anterior, realizado há dez anos, a média era de 72 hectares. Essa queda reflete a divisão de propriedades entre famílias ou vendas. Agora, São Paulo é sem dúvida o estado mais desenvolvido do ponto de vista agrícola, mas, apesar disso, apresenta diferenças regionais que são muito significativas, de acordo com a cultura que é desenvolvida e também por questão de clima, solo, hidrografia, a proximidade com portos, entre outros fatores.

GR Existe alguma região que seja mais desenvolvida?
Mônika O polo do agronegócio de Ribeirão Preto, que compreende a região nordeste do estado. Nós sabemos como foi a dinâmica de ocupação dessa região porque fizemos um trabalho na época em que eu estava na Abag (de Ribeirão Preto). Metade da área agrícola dessa região está ocupada com cana-de-açúcar, mas também tem muito café de qualidade, tem muita laranja, fábricas de suco. Em Guaíra, há também as culturas irrigadas, pasto para gado de leite, plantio de eucalipto, um parque industrial de implementos agrícolas, além de importantes centros de pesquisa e extensão.

GR Quais outras regiões ou culturas se destacam?
Mônika A região de Bastos é muito importante na produção de ovos. Há também o Vale do Ribeira, que é uma área menos desenvolvida, devido a uma situação difícil de solo, mas que conta com uma enorme produção de bananas. São especificidades que devem ser avaliadas com muita atenção. É preciso ir ao lugar para definir o que será feito ali. A região de Piracicaba também é importantíssima na cana-de-açúcar, que é o carro-chefe do estado. Em segundo lugar está a venda de carne bovina. Compramos boi de outros estados, processamos aqui e vendemos carne tanto no mercado interno como externo.

GR É um estado com muitos desafios. Existe algum que a senhora trate como prioridade?
Mônika Sim, temos de continuar produzindo, mas com sustentabilidade. Isso significa manter a competitividade de maneira sustentável. A agricultura do estado, em geral, é sustentável, mas sempre dá para melhorar com o uso de novas tecnologias, por exemplo, insumos mais modernos, menos tóxicos, mas seletivos, mais fáceis de aplicar, ou seja, mais amigáveis ao meio ambiente. Nos fertilizantes também dá para avançar. Também é possível realizar controle de erosão, cuidar dos mananciais hídricos e reduzir o consumo de água. Para isso, o agricultor precisa de informação, mas também precisamos mostrar à sociedade que produzimos respeitando as leis ambientais.

GR Quais são as culturas potenciais da próxima década?
Mônika Existe espaço e mercado para o cultivo de cana, seringueira e eucalipto. A cana tem fundamentos de mercado excepcionais, em função do aumento da demanda por energia limpa, mas existem muitas áreas com solos não tão bons como o que a cana necessita e há ainda a questão do “apagão de madeira”: vamos precisar de madeira, e o eucalipto terá, com certeza, um valor crescente. Há também o café de alta qualidade. Na verdade, as terras aqui são muito caras, por isso São Paulo não é lugar para amador. Portanto, as culturas com mais potencial são aquelas com bons fundamentos de mercado. A fruticultura é outra atividade próspera, pois tem valor agregado. A caixa de uma fruta pode custar o mesmo que uma tonelada de cana.

GR Da maneira como o Código Florestal foi aprovado na Câmara dos Deputados, o que o estado de São Paulo terá de fazer?
Mônika São Paulo é de ocupação antiga, com fazendas centenárias. Por esse motivo, acho que o importante desse Código Florestal é que ele resgata o direito do agricultor na linha do tempo. Muita coisa foi feita no campo de acordo com a lei vigente à época, mas depois a lei mudou. No caso das áreas de proteção permanente (APPs), acho que a situação é mais delicada: algumas culturas estão em certas regiões há mais de 100 anos e não entendo que tipo de dano pode acontecer agora, mas há culturas que de fato podem gerar um risco.

GR Existem outros pontos que a senhora destaca no novo Código Florestal?
Mônika O Brasil deveria pensar na manutenção da real biodiversidade de parques e florestas, em vez de ficar opondo ambientalistas a ruralistas.Outra coisa importante é que o código prevê que a União e os estados legislarão juntos sobre o território. Isso é ótimo, porque São Paulo conhece melhor seu território. Na Amazônia, vivem 25 milhões de pessoas e quem está lá sabe o que é melhor para aquela área. Se a sociedade quer manter a floresta, deve pagar por serviços ambientais. Outro ponto é que o Código Florestal vale para 38% do território. Outros 4% são cidades, estradas, e 58% são terras indígenas, parques, áreas de preservação, áreas da União, onde está a diversidade. Todo mundo está discutindo os 38%, mas ninguém falou sobre o que vai ser desses 58%. Essa é a discussão importante.

Fonte: Luciana Franco – Globo Rural

Postado em 23/07/2011

Iporaenses foram conhecer experiência de Seringueira em Goianésia

Sangria na árvore extrai o látex sob o olhar atento de iporaenses

Ontem, quarta-feira, 20, um grupo de 21 iporaenses, em viagem patrocinada pela Prefeitura de Iporá, percorreu 350 quilômetros até os municípios de Goianésia e Barro Alto onde foram conhecer de perto o cultivo da Seringueira, a árvore da qual se extrai o látex, produto que é matéria prima para a fabricação de borracha.

Os que viajaram foram aqueles que, nos últimos meses, vêm se preparando para fazer investimentos nesta cultura. Desde o mês de outubro de 2009, quando foi realizado seminário em Iporá sobre o assunto, que surgem interessados em plantar Serigueira em terras da região. Impulsionados pelo ex-vereador Joaquim Ferreira Bernardes e seu filho Arnon Ferreira, já com experiência nesta atividade, o interesse aumentou entre iporaenses, ao ponto de ser criada a Associação dos Heveicultores, hoje com mais de 50 membros, incluindo produtores também de São Luís de Montes Belos, Trindade e Bela Vista.

O que foi visto motiva iporaenses

O contato com seringal em Goianésia e Barro Alto serviu para motivar mais ainda os iporaenses. A expectativa era passar a conhecer detalhes sobre essa atividade, já que não há mais dúvida sobre questões de viabilidade econômica. A borracha é produto que tem mercado garantido. O Brasil só produz 40% da borracha que consome. Falta o produto para as indústrias.
Mais uma vez os produtores de Iporá ouviram que solo e clima da região do Oeste Goiano não serão problemas para o bom desenvolvimento desta árvore que é oriunda da Amazônia, mas que se adaptou até no interior do Estado de São Paulo, onde o clima é menos quente do que na região entre os trópicos.

Os iporaenses foram muito bem recebidos pelo senhor Segundo Braolos Martinez, diretor do Grupo Jalles Machado que é renomado em produção de álcool e açúcar, mas que tem também um seringal de 2300 árvores e que rendeu no último ano 70 mil reais. O diretor orientou os iporaenses em sala de reunião e vídeo da empresa. Mostrou as vantagens e desafios do cultivo da Seringueira. Falou-se em um intercâmbio entre Goianésia e Iporá para questões como mudas e cotas de carbono. O senhor Segundo Braolo está interessado também na experiência de associativismo que o iporaense Joaquim Ferreira possui.

No seringal

Após a conversa na sede da empresa, os produtores iporaenses foram levados ao Seringal, com a presença de pessoas que são entendidas no assunto. Muitas perguntas foram feitas. E para todas elas ouviram-se as respostas. A região de Goianésia e Barro Alto é a maior produtora de borracha do Estado de Goiás.

Os produtores viram ser feito o corte da seringueira, o látex, caixas de coágulo, formas de manuseio e técnicas da cultura. A comitiva foi liderada por Arnon Ferreira, presidente da Associação dos Heveicultores de Iporá e contou com a presença também de Wellinton José de Souza (agrônomo da Emater), Luiz Carlos Paiva (Secretário de Agricultura de Iporá) e Duílio Siqueira (vereador apoiador e pretendente a este cultivo).

Fonte: OesteGoiano

Postado em 21/07/2011

BDMG financia cultivo de seringueiras na Zona da Mata

O presidente da Credimur, Nelson Carvalho Schachnik, disse que a Zona da Mata nas últimas três ou quatro décadas perdeu muita renda e hoje tem uma das menores rendas de Minas. Segundo ele, com a agricultura em decadência, os agricultores estão descapitalizados e desmotivados: “Procuramos uma alternativa para a região. Muriaé tem todas as condições climáticas para este tipo de cultura, com estações bem definidas e boa precipitação atmosférica. A borracha de origem vegetal tem um bom mercado e a seringueira é um reflorestamento natural” explicou.

BOA ACOLHIDA

Após estudar a viabilidade do projeto, a cooperativa não tinha capital suficiente para viabilizá-lo, foi aí que Schachnik procurou os órgãos do Governo do Estado, onde teve “boa acolhida”. Segundo ele, não se trata de fazer com que os agricultores desistam das culturas tradicionais, mas quer mostrar a eles que existe uma opção que pode melhorar a renda. Já está sondando indústrias do setor que queiram se instalar na região. “Além de boa remuneração, vamos contribuir com o meio ambiente” disse. Nelson tem seringueiras em sua propriedade desde a década de 80. Informou que a renda mensal do agricultor que trabalha na extração do látex em seu seringal está acima dos R$ 2 mil.

O Gerente de Divisão do Departamento de Agronegócios do BDMG, Leonardo Guimarães Parma, disse que até o final do ano deverão ser investidos cerca de R$ 1 milhão no programa. Segundo ele, a previsão é de que em Muriaé sejam financiados de 10 a 15 produtores o que resultaria em aproximadamente 500 hectares cultivados. A cada três hectares pelo menos um emprego será gerado. A seringueira pode ser explorada a partir do sexto ano após o plantio e mantém-se produtiva até o trigésimo. Depois disso, ainda é possível comercializar a madeira.

O professor e pesquisador da Epamig, Antônio de Pádua Alvarenga, um dos maiores especialistas em heveicultura do Estado, acredita que nos próximos anos o preço médio da borracha deverá manter-se acima dos R$ 3,00/kg. A boa cotação do produto é consequência dos problemas políticos e climáticos enfrentados por países asiáticos, principais produtores e exportadores mundiais de borracha. Além disso, deve-se ressaltar a escassez dessa matéria-prima no mercado nacional. O Brasil foi um dos maiores produtores de borracha natural do mundo, mas, atualmente, importa mais de 60% do que consome. O aumento da produção ajuda a diminuir essa dependência em relação aos países exportadores.

Além das condições favoráveis do mercado, o cultivo de seringueira destaca-se num período em que a preservação ambiental protagoniza os principais debates internacionais. A planta ajuda a proteger o solo e os mananciais, e, ao absorver gás carbônico, despolui a atmosfera, reduzindo os efeitos do aquecimento global. Esse investimento, na opinião de Parma, reitera o compromisso do BDMG com a inclusão social, o incentivo à economia mineira e a sustentabilidade ambiental.

Fonte: Agência Minas

Postado em 20/07/2011

Látex de flor e sílica dão vida a ‘pneu verde’

Cada vez mais preocupados com a emissão de poluentes e sustentabilidade, os fabricantes de bes de consumo tentam exaltar a ecologia. O pneu continua preto, mas fabricantes fazem questão de chamá-lo de verde. Além da busca por eficiência, reduzindo consumo de combustível e emissões de poluentes, fabricantes pesquisam alternativas à borracha sintética.

Cientistas da Universidade de Müster, na Alemanha, desenvolvem um látex extraído da flor dente-de-leão, que começou a ser testado em pneus da Continental.

Os bioquímicos da universidade descobriram a enzima responsável pela rápida coagulação do látex e inibiram sua ação. Isso permite que a seiva escorra livremente, possibilitando a exploração industrial.

A borracha natural do dente-de-leão reduziria o uso de petróleo, uma fonte não renovável, empregado na fabricação da borracha sintética.

Outra vantagem é que ao cultivo é mais fácil e barato que o da seringueira — é dela que é extraída a seiva da borracha tradicional.

O dente-de-leão fica pronto para a colheita em um ano. A seringueira leva de cinco a sete anos, está sujeita a fungos e as plantações atuais têm demanda maior que a oferta.

Sílica

Mesmo nos pneus tradicionais, de borracha sintética, há compostos que diminuem o atrito na rolagem — o que aumenta a vida útil do pneu e reduz consumo e emissões — sem perder desempenho de aceleração e de frenagem.

A sílica é um deles. Antes restrita a pneus de alta performance, ela aparece cada vez mais em pneus de entrada.

Segundo Roberto Falkenstein, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli, a família de pneus Cinturato P1 e P7 e Scorpion Verde usam até 30% de sílica. “Os pneus de corrida, por exemplo, usam apenas 8%”, destaca.

A sílica permite que o pneu trabalhe com temperaturas mais baixas e sofra menos deformação ao tocar o solo. Isso faz com que o consumo de combustível caia cerca de 6%, apontam estudos da Pirelli. É o suficiente para, na vida útil do pneu (estimada em 60 mil quilômetros), economizar 3,6 pneus.

Para Falkenstein, a nova tecnologia também reduz as emissões de CO2. “O atrito do pneu é responsável por 20% das emissões de CO2 do carro. Quando reduzimos o arrasto, baixamos também as emissões de poluentes”, diz.

Fonte: Correio do Estado

Postado em 13/07/2011

Borracha: região representa 4,1%

Os municípios que fazem parte da microrregião de Catanduva representam 4,1% do total da produção estadual de borracha. Os dados foram divulgados pela Associação Paulista de Borracha (Apabor), localizada em São José do Rio Preto. A maioria da produção concentra-se no município de Tabapuã, com a produção de 2,2 toneladas no ano passado.

Além disso, as cidades de Ariranha, Cajobi, Catanduva, Catiguá, Elisiário, Embaúba, Novais, Palmares Paulista, Paraíso, Pindorama e Santa Adélia também possuem forte tendência para esse mercado.

O mesmo percentual representa 4,2% do total nacional. “O Brasil é importador de borracha natural. Em 2010, foram importados 260,8 mil toneladas, ou US$ 790,4 milhões. A produção brasileira é estimada em 131,9 mil toneladas, atendendo portanto a um terço da necessidade da indústria consumidora nacional”, explicou Heiko Rossmann, diretor da Apabor.

Considerando a microrregião geográfica de São José do Rio Preto, composta por 29 municípios, tem-se uma produção de 24.781 toneladas de borracha seca, que representa valor total de R$ 213,614 milhões.

Ainda em valores, a comparação com o total do Estado de São Paulo aponta que a região representa 33,8% da produção paulista e 19,5% do total nacional.

Na região de São José do Rio Preto, entre os municípios campeões em produção está Olímpia (15,5%), Altair (10,2%), José Bonifácio (9,8%), Mirassol (9,3%) e Tanabi (8,9%). “A autossuficiência poderia ser alcançada com engajamento do poder público. Seria necessário plantar hoje cerca de 250 mil hectares para tentar atender a demanda nacional projetada para 2020”.

A quantia produzida foi considerada satisfatória pela Associação. O preço do quilo da borracha gira em torno de R$ 3,29. “Os preços do coágulo e do látex no campo garantem boa remuneração para o agricultor e parceiro/sangrador. A borracha natural é amparada pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), e o preço fixado pelo governo federal é de R$ 1,53/kg. O Preço Mínimo cobre o custo de produção. Hoje o produtor deve estar recebendo em torno de R$ 3,29/kg de coágulo”, destacou.

Entretanto, o diretor explica que a situação das usinas de beneficiamento passam por momentos delicados. “Apesar de viver os melhores preços dos últimos 30 anos, as usinas sofrem com a oferta muito limitada de coágulo, que impulsiona os preços da matéria-prima e reduzem a margem de lucro para níveis que podem inviabilizar a atividade de beneficiamento”, diz.

Dificuldade

O acesso dos produtores às linhas de crédito e de financiamento ainda é a principal dificuldade encontrada pelos produtores. “A maior dificuldade seja o acesso às linhas de crédito de investimento e de custeio. Apesar de a oferta de linhas de financiamento ter aumentado, com características que já atendem a cultura da seringueira, alguns produtores ainda tem dificuldade em conseguir captar o recurso”, argumenta.

O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), utilizado pelos heiveicultores, não possui linha de crédito operacionalizada pelos bancos. “Lançado no ano passado, com até R$ 1 milhão por beneficiário, essa linha de crédito não estava sendo operacionalizada pelos bancos. Mais uma vez quem perde é o agricultor, e também o Brasil, que tem agravado a cada ano o problema do déficit de borracha natural”, analisa.

Em Catanduva, existem pelo menos 1,3 milhões de pés de seringueira, ou 6,5% da região de São José do Rio Preto, que detém 5,3 milhões de plantas novas.

Quantidade de pés de seringueira no Estado

São Paulo
PN 14.305.891 (28.612 ha) 40,3%
PP 21.197.287 (42.395 ha) 59,7%
PT 35.503.178 (71.006 ha)

São José do Rio Preto
PN 5.408.272 (10.817 ha) 37,8%
PP 5.357.550 (10.715 ha) 25,3%

Catanduva
PN 367.201 ( 734 ha) 2,6%
PP 1.388.400 (2.777 ha) 6,5%

Onde:
PN = Plantas novas;
PP = Plantas em produção;
PT = Plantas totais.

CURIOSIDADES

- Em um alqueire da cultura de seringueiras cabem 1.280 pés da árvore;
- A Variedade mais plantada na região é a RIM 600, clone mais indicado para o plantio resistente a ventos fortes e doenças (mal das folhas e antracnose);

Fonte: O Regional

Postado em 12/07/2011

Seringueira e borracha natural

Uma das explorações mais importantes, que o Brasil já teve, foi a extração de látex da seringueira ao tempo que toda a borracha era natural. Era uma “indústria extrativa”, pois o “gaúcho”, nome dado ao seringueiro, retirava o látex das árvores nativas da mata. O Brasil não tinha cultivo da seringueira como exploração racional. Mesmo como indústria extrativa, rendeu grandes riquezas ao Brasil, especialmente, na região norte. Muitas cidades tiveram seu auge econômico ao tempo da produção e exportação da borracha, movida pela indústria automobilística.

Com o surgimento da indústria petroquímica, na década de cinqüenta do século passado, ao tempo dos baixos custos do petróleo, derivados deste começaram a ser utilizados na fabricação da borracha. Com a elevação paulatina dos preços do petróleo, esse deixou de ser uma matéria prima barata. Por isso, as grandes indústrias de borracha, principalmente, de pneus, voltam-se novamente a borracha natural. Então, o cultivo da seringueira voltou a ter importância. Além do Brasil, alguns outros países da América do Sul, da região amazônica, também estão aumentando o cultivo de seringueira. O mesmo está sendo observado em alguns países africanos, através de investimentos de grandes empresas internacionais.

Ainda no final da década 80, o Brasil criou o Programa Nacional da Borracha – Probor, para incentivar o cultivo da seringueira. Também, a Embrapa criou um Centro de Pesquisa da Seringueira e Dendê, atual Embrapa Amazônia Ocidental, com sede em Manaus, que aliado ao trabalho de várias universidades brasileiras, começou a serem desenvolvidos novos cultivares e tecnologias de manejo das árvores, visando a produção mais precoce de látex e com maior quantidade. Através de técnicas biotecnológicas, é realizada a multiplicação de plantas a partir de tecidos vegetais (meristemas ou gemas), a cultura de tecidos. Esses clones tem inúmeras vantagens em relação à seringueira nativa. Cresce mais rapidamente e por isso já produz látex a partir de 4-5 anos, enquanto na planta nativa a colheita inicia a partir de 10-12 anos. Também, a utilização de tecnologias como adubação, distribuição espacial de plantas na área, podas, dentre outras práticas, são responsáveis pela maior capacidade produtiva da seringueira..

De cada 100 kg de látex extraído da seringueira são obtidos 60kg de borracha natural. No processo de extração também houve grande evolução. Na indústria extrativa, o seringueiro fazia cortes freqüentes no caule da arvore para continuar a secreção da látex. Esses cortes, juntamente com a contaminação, reduzem a capacidade produtiva da arvore. Atualmente, além dos primeiros cortes serem realizados mais precocemente, periodicamente, são aplicados produtos que liberam etileno sobre o painel de extração. Esse etileno promove a abertura dos vasos que exsudam a seiva. Dessa maneira, além da maior extração de látex por árvore, a planta produz por mais tempo.

Por essa razão, grandes empresas internacionais de pneus, adquiriram, nos últimos anos, grandes áreas de terras no Centro-norte brasileiro, para cultivo de seringueiras. Mesmo em São Paulo, o cultivo da seringueira está sendo realizado em substituição ao café, banana e outras culturas. Trata-se de um investimento de médio a longo prazo, mas, com altos rendimentos por área cultivada. O único investimento que compete com a seringueira como cultura permanente, atualmente, é a cana de açúcar, visando a produção de álcool.

Na última semana, observei grandes áreas cultivadas de seringueira também no Mato Grosso do Sul, ao lado de grandes áreas de integração silvo-pastoril. Nessa integração são cultivadas duas ou três fileiras de eucalipto, espaçadas de um metro e são deixados de 15 a 20 m com pastagem. Nessas áreas é produzida carne até o momento de corte da madeira. É uma forma de aumentar a renda por área, bem como a redução dos riscos de mercado.

O bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro não está apenas na produção de grãos.

Fonte: Elmar Luiz Floss – O Nacional

Postado em 20/06/2011

Borracha natural: a bola da vez?

A seringueira é uma árvore de grande porte e ciclo perene pertencente à família Euphorbiaceae. Dentre os gêneros dessa família, destacam-se a mamona, a mandioca e a seringueira. A classificação atual do gênero Hevea compreende 11 espécies de seringueiras, tendo como seu centro de origem a região Amazônica, nas margens de rios e lugares inundáveis de mata de terra firme, ocorrendo preferencialmente em solos argilosos e férteis. A espécie Hevea brasiliensis é considerada a mais importante do gênero por possuir a maior diversidade genética e alta produtividade de látex (borracha natural). Além de ser nativa do Brasil, a seringueira também está presente na Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Suriname e Guiana.

A partir da saída de seu habitat natural, a seringueira passou a ser cultivada em grandes monocultivos, principalmente nos países asiáticos. No Brasil, seu cultivo obteve sucesso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, na Bahia e no oeste do Paraná. Além de fornecer látex e madeira, essa espécie arbórea, de crescimento rápido, apresenta grande capacidade de reciclagem de carbono (1 hectare de seringueira retira aproximadamente 1,4 tonelada de gás carbônico da atmosfera por ano). As plantas podem atingir até 30 m de altura sob condições favoráveis, iniciando aos 4 anos a produção de sementes e, aos 7 anos, em média, a produção de látex.

A borracha natural obtida pelo extrativismo teve seu ciclo de exploração no século 19 até início do século 20, levando a região Amazônica a um período de grande prosperidade econômica. A partir de 1912 esse extrativismo começou a entrar em decadência, devido, principalmente, a dois fatores: a entrada no mercado internacional de borracha oriunda dos países asiáticos, onde o cultivo se fazia intensivo, e o surgimento da doença conhecida como “mal-das-folhas”, causada pelo fungo Microcyclus ulei, comum nas regiões quentes e úmidas.

Além desse fungo, a seringueira está sujeita ao ataque de pragas, principalmente com o aumento da área plantada e a adoção de monocultura em áreas extensivas. Um complexo de ácaros e insetos está associado ao cultivo da seringueira no Brasil, tendo status de praga, dependendo dos seus níveis populacionais. Destacam-se como pragas da cultura os ácaros e os seguintes insetos: mandarová, mosca-branca, cochonilha-do-coqueiro, percevejo-de-renda além de formigas cortadeiras.

Os países asiáticos Tailândia, Indonésia, Malásia, China e Vietnã são os mais importantes produtores mundiais de borracha natural, respondendo por cerca de 90% do total. Atualmente, o Brasil ocupa o nono lugar na produção mundial, com aproximadamente 1,4% do total. Em âmbito nacional, os estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Espírito Santo são os principais produtores, sendo São Paulo responsável pela maior parcela da produção nacional, o que lhe confere a condição de principal produtor de borracha natural do Brasil. Somente esse estado possui mais de 14 milhões de hectares aptos à heveicultura.

A importância da seringueira deve-se à qualidade da sua borracha que combina leveza, elasticidade, termoplasticidade, resistência à abrasão e à corrosão, impermeabilidade e isolamento elétrico, bem como capacidade de adesão ao tecido e ao aço. Embora a borracha natural, em alguns casos, possa ser substituída pela borracha sintética, a impossibilidade de se produzir quimicamente um polímero com as mesmas qualidades do natural faz com que ela tenha características únicas, sendo empregada, principalmente, na confecção de luvas cirúrgicas, preservativos, pneus de automóveis e caminhões. A indústria de pneumáticos consome aproximadamente 80% da borracha natural produzida. Desse modo, esse produto torna-se imprescindível na fabricação de uma série de artefatos de suma importância na vida do homem moderno, em praticamente todos os países.

No contexto mundial, projeções indicam uma demanda maior que a capacidade de produção e alguns especialistas estimam que no ano de 2020 o consumo de borracha natural será de 9,71 milhões de toneladas para uma produção de 7,06 milhões de toneladas. Nesse sentido, a renovação de seringais antigos e o incentivo à implantação de novos cultivos, além da manutenção de um preço favorável da borracha natural no mercado internacional, são medidas que devem ser adotadas para suprir esse déficit no Brasil e no mundo.

Há uma sinalização do crescimento em larga escala da heveicultura no Estado do Acre, por meio de incentivos governamentais, com plantio de milhares de hectares em regime de monocultura, que irá promover a modernização de técnicas de cultivo, geração de novos empregos e divisas para o estado. Para tanto, faz-se necessário a implementação de tecnologias (abrangendo aspectos fitotécnicos e fitossanitários da cultura), desde a escolha dos clones mais apropriados à região, passando pelo cuidado com as mudas, até a abertura dos painéis de sangria, visando otimizar a produção, prevenir o ataque de pragas e doenças e aumentar a produção de látex e a rentabilidade dos produtores.

Nesse cenário as instituições de pesquisa e fomento desempenham importante papel na geração de alternativas tecnológicas e na capacitação de extensionistas e produtores rurais. A Embrapa Acre tem contribuído para essa finalidade, desenvolvendo importantes pesquisas para melhoria da cultura no estado, tais como: introdução e avaliação de clones de seringueira, estudos com enxertia de copa e painel, rentabilidade para sistema extrativo de látex e monitoramento de doenças e pragas da cultura e, num futuro próximo, com a micropropagação de mudas de seringueira in vitro.

Fonte: Rodrigo Souza Santos (Embrapa Acre)

Postado em 13/06/2011

Nasce uma nova fronteira

Estudo realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostra que a área cultivável pode crescer no estado de São Paulo


Cana e bois disputam espaço em São Paulo. Os plantios ganharão mais área e a pecuária maior eficiência

O estado de São Paulo, que figura entre as mais importantes regiões agrícolas do país, com Valor Bruto da Produção (VBP) projetado em R$ 29,8 bilhões neste ano, pode ganhar novas áreas para expansão das plantações que já lideraram o crescimento de sua agricultura nos últimos anos, a exemplo da cana-de-açúcar e da seringueira. É o que indica um estudo realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, que mostra que, até 2030, cerca de 2,8 milhões de hectares de pastos serão ocupados por canaviais, eucaliptos e seringueiras. “Poderá ser criada uma nova fronteira agrícola no estado nas próximas décadas”, diz o pesquisador Mário Pires de Almeida Olivette, organizador do estudo.

O termo “nova fronteira agrícola”, na concepção de Olivette, não é empregado no sentido de desbravar novas áreas, mas sim para reforçar a ideia de melhoria da eficiência das áreas que já foram desbravadas. “Quando digo que estamos abrindo novas fronteiras no estado de São Paulo significa que estamos melhorando os índices de conhecimento e de produtividade das áreas agrícolas que já existem, mas que atuam com baixo desempenho”, diz o pesquisador.


As seringueiras devem ocupar mais áreas no estado, segundo o IEA

O documento Evolução e prospecção da agricultura paulista: liberação da área de pastagem para o cultivo da cana-de-açúcar, eucalipto, seringueira e reflexos na pecuária, 1996—2030 foi originado a partir das dúvidas sobre o fato de o cultivo de cana-de-açúcar estar avançando sobre a produção de alimentos. “Os resultados nos mostraram que o avanço da cana se dá sobre áreas degradadas e que não só os canaviais, mas também o eucalipto e a seringueira avançam sobre as pastagens utilizadas de maneira sofrível. A pecuária perde área, mas ganha eficiência”, avalia Olivette.

O mapeamento da agricultura paulista, iniciado em 2010 e concluído no início deste ano, contou com a elaboração de um extenso relatório, que foi enviado para as 645 casas de agricultura do estado. A partir da resposta a esses relatórios identificou-se que 30% das áreas de pastagem em 2008 eram degradadas, o que gera a disponibilidade dos 2,8 milhões de hectares. Com esse resultado em mãos, foram feitas projeções de crescimento da demanda para 20 e 25 anos em modelos com perspectivas semelhantes à taxa histórica e à taxa otimista e de que forma essa demanda impactaria na procura por área para plantios. “A conclusão é que a concorrência entre cana, seringueira e eucalipto pelas áreas que serão abertas pelo adensamento da pecuária será grande, mas a borracha é a cultura que tem potencial para avançar mais”, avalia Olivette.


O plantio de eucalipto poderá alcançar até 2,7 milhões de hectares em 2030

”O mercado está forçando a pecuária a se mexer, e isso vai promover o rearranjo na produção agrícola do estado de São Paulo”, avalia Felipe Pires de Camargo, um dos pesquisadores do estudo. Em 2008, de acordo com o estudo, a pecuária ocupava 8,07 milhões de hectares no estado. Já o plantio de cana usava 4,9 milhões de hectares, enquanto o eucalipto demandava 860 mil hectares e a seringueira 77 mil hectares. No horizonte traçado pelos pesquisadores, em 2030 a área de pastagens terá caído para 5,27 milhões de hectares, a cana estará disputando um espaço entre 5,33 milhões e 6,8 milhões de hectares, o eucalipto poderá alcançar entre 1,4 milhão e 2,7 milhões de hectares e as seringueiras estarão com área de cultivo entre 300 mil e 400 mil hectares.

Caso as previsões do estudo se confirmem, a área de cana poderia aumentar até 38,8%, a de eucalipto 214% e a de seringueiras até 419,5%. “É preciso considerar as tendências de alta das demandas no período também do desenvolvimento de novas tecnologias nas respectivas cadeias de produção”, ressalta o pesquisador.

O estudo indica que o campo paulista não ficará estagnado, apesar das poucas áreas virgens passíveis de ser abertas no estado. A notícia vem em boa hora, uma vez que dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que o Mato Grosso pode tirar de São Paulo a liderança no ranking dos estados com maior Valor Bruto da Produção (VBP). O VBP mato-grossense previsto para 2011 é de R$ 33,41 bilhões, com expansão de 54,94% em relação aos R$ 21,38 bilhões de 2010, enquanto São Paulo deve registrar queda de receita de 9,56%, com o VBP passando de R$ 32,99 bilhões, no ano passado, para R$ 29,81 bilhões.

O VBP é calculado com base na produção e nos preços de mercado das principais lavouras do Brasil e de cada estado. Em Mato Grosso, 80% virão somente de duas culturas: soja, com VBP previsto de R$ 15,58 bilhões, e algodão, com VBP em R$ 13,19 bilhões. Já em São Paulo, a safra menor de cana-de-açúcar deve contribuir para a queda projetada para o período.

Participaram do estudo do IEA os pesquisadores Mário Pires de Almeida Olivette, Eduardo Pires Castanho Filho, Raquel Castellucci Caruso Sachs, Katia Nachiluk, Renata Martins, Felipe Pires de Camargo, José Alberto Ângelo e Luiz Henrique Domicildes Câmara Leal Oliveira.

Fonte: Luciana Franco – Globo Rural (06/06/2011)

Postado em 07/06/2011

A Saga dos Pneus

Conheça um pouco da história do componente, fabricado principalmente a partir do látex, extraído da seringueira

Uma das mais importantes invenções de todos os tempos, a roda, apareceu há mais de 5.500 anos, mas esperamos até 1888 para que o veterinário Dunlop inventasse o pneu, que até hoje equipa nossos automóveis (e que depois contribui para poluir o planeta…).

Inicialmente estes pneumáticos inventados por Dunlop eram destinados às bicicletas, e somente em 1895 foi produzido o primeiro pneu para automóvel, pela Michelin.

No início, os pneus eram brancos, como era branca a matéria prima para a sua confecção, o látex (isto explica a cor do boneco da Michelin, criado em 1898). A extração e o processamento do látex deram os capítulos mais significativos na história dos pneus.

O látex pode ser extraído de várias plantas, mas é da seringueira que se obtêm os melhores resultados. A extração é feita sulcando o tronco da árvore, que pode produzir até 8 kg em um ano (50 gramas por “sangria”).

No estado natural, esta borracha não tem muita utilidade, pois amolece com o calor e se fragiliza com o frio. A borracha ganhou o mundo após a descoberta, por Charles Goodyear, da “vulcanização”, no ano de 1839.

Este processo dava estabilidade e resistência química ao produto pela adição, a quente, de enxofre ao látex. Apesar da importância do seu invento e de ter patenteado este e muitos outros processos, Goodyear morreu pobre e em sua homenagem foi batizada a conhecida fábrica de pneus no ano de 1898.

O processo de vulcanização fez crescer vertiginosamente o consumo mundial de borracha pela demanda de pneus da recém criada indústria automobilística (até então esta era aplicada na fabricação de galochas, capas de chuva e borracha de lápis. E adivinha quem fornecia látex para o mundo? O Brasil.

Esta explosão na exportação da seiva das seringueiras da região amazônica ficou conhecida por aqui como o Ciclo da Borracha, e durou de 1879 até 1912 (lembram desta aula?). Este ciclo chegou ao fim quando a produção de Malásia, Ceilão, Indonésia e Cingapura passou a ser ofertada no mercado mundial por preços menores.

Estes países haviam recebido mudas de seringueiras germinadas na Inglaterra a partir de 70 mil sementes levadas da Amazônia em 1876 por um cidadão inglês, Henry Wickham (esta espécie, a mais produtiva, era típica das terras brasileiras…).

Aventura na floresta

Outro fato histórico relacionado à indústria de pneus foi a saga de Henry Ford no Pará: a Fordlândia. Ford buscava uma alternativa para o fornecimento de borracha para a produção de pneus para seus carros e suas fábricas, que eram muito dependentes do fornecimento de colônias europeias no sudoeste asiático (controladas predominantemente pelos britânicos).

De 1927 até 1945, os executivos de Ford tentaram sem sucesso o plantio da seringueira em escala industrial numa área concedida pelo estado do Pará às margens do Rio Tapajós – equivalente a um terreno de 100 km de largura por 100 km de comprimento. Plantadas lado a lado, as plantas eram dizimadas por pragas e insetos, fato que não ocorria na floresta, onde as árvores são espaçadas, e na Ásia, onde não havia estas pragas naturais da floresta brasileira.

Antes de se aventurar na floresta amazônica, Henry Ford tinha a esperança na invenção de borracha sintética, e seu amigo Thomas Edison (o inventor da lâmpada elétrica) não poupou esforços para desenvolvê-la.

O desenvolvimento e a produção de borracha sintética com custo viável só foram possíveis no final da década de quarenta, motivados pela Segunda Guerra Mundial (o fornecimento de borracha natural pelos países asiáticos foi bloqueado pelo exército japonês).

Apesar da evolução da borracha sintética, até hoje a borracha natural é utilizada na produção de pneus, pois suas qualidades são insuperáveis. Atualmente, num pneu de automóvel, há cerca de 800 gramas de borracha natural e, num de caminhão, 14 kg.

Em outras palavras, para se equipar um carro com quatro pneus novos é necessário que haja 64 seringueiras de pé, e para equipar um caminhão com 18 rodas são necessários nada menos que 5.000 árvores. Há um lado ecologicamente correto em cada pneu fabricado, pois para produzi-lo é necessário manter e conservar enormes florestas de seringueiras.

Fonte: Revista Hot Rods

Postado em 03/06/2011

Governo do Acre incentiva cultivo de seringueiras

Objetivo do programa não é apenas plantar árvores para reflorestar áreas alteradas, mas também gerar renda a partir da floresta em pé


O secretário adjunto de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Humberto Antão, visitou nesta quarta-feira, 18, seringais que estão sendo cultivados no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Bonal. O plantio faz parte do Programa de Florestas Plantadas do Governo do Acre.

O objetivo do programa não é apenas plantar árvores para reflorestar áreas alteradas, mas também gerar renda a partir da floresta em pé. Seringueiras e castanheiras, por exemplo, são duas espécies com potencial produtivo dentro da economia de base florestal.

Entre as metas do programa está o de recuperar 60 mil hectares de áreas alteradas com florestas de seringueira e outras com fins madeireiros, frutíferos e de energia; promover a implantação de dez novos empreendimentos industriais; gerar aproximadamente 20 mil novos postos de trabalho na cadeia produtiva florestal; formar e capacitar cerca de dois mil gestores públicos, empresários, líderes comunitários, técnicos e extensionistas, entre outros; e consolidar uma rede de serviços laboratoriais para certificação de produtos.

O produtor Antenor Terto de Moraes, assentado da Reforma Agrária, é um dos beneficiados. Ele já plantou um hectare de mudas de seringueiras e diz que, além de reflorestar, está “fazendo uma poupança. Essa floresta é minha aposentadoria”.

Os mais jovens também apostam na iniciativa, como é o caso de Maria Adelaide Gonçalves, que plantou três hectares de seringueiras. “Temos acompanhamento do técnico, e isso é importante”, disse. Na propriedade de Adelaide há também seringueiras nativas e é do extrativismo que a família tira seu sustento.

Humberto Antão explica que as diferenças entre os seringais de cultivo e nativo são muitas e cada um tem suas vantagens e desvantagens. No seringal nativo o látex produzido tem um teor de elasticidade bem maior que o de cultivo. Já o seringal de cultivo apresenta produtividade mais elevada e o tempo de produção é três vezes maior que o de seringueiras nativas. Além disso, para o extrativista, o seringal de cultivo apresenta condições de trabalho bem melhores, já que as seringueiras são plantadas umas próximas às outras. O seringal nativo, porém, mantém a floresta em pé e continua sendo uma alternativa de renda para as populações tradicionais.

Como funciona

O Programa Florestas Plantadas tem o objetivo de plantar dez mil hectares de área até 2020, com agricultores familiares e extrativistas. Em cada hectare são plantadas 550 mudas de seringueira. Cada hectare de cultivo deve produzir mais de quatro mil quilos de látex a cada safra.

Elaboração do Manual de Sistemas de Produção de Seringueiras

Técnicos do governo do Estado, Embrapa, Universidade Federal do Acre, da Universidade de São Paulo e produtores rurais reúnem-se nos dias 23 e 24 próximos para elaborar o Manual do Sistema de Produção de Seringueiras do Estado do Acre. A reunião técnica vai consolidar informações sobre diversas formas de produção de mudas, implantação do seringal e exploração do látex.

Fonte: Terezinha Moreira (Assessoria Seaprof)

Postado em 20/05/2011

Clone de seringueira permite sangria a partir do 5º ano

O experimento do qual foram selecionados os clones da série IAC 500 foi instalado no ano 2000

O Pólo Regional de Votuporanga, da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta) está testando um novo clone da série IAC 500 que pode começar a ser sangrado com cinco anos de campo, dois a menos em relação aos clones que são utilizados atualmente no Estado de São Paulo.

Segundo o pesquisador científico Erivaldo Scaloppi Júnior, o clone IAC 505 atinge em 5 anos, na altura do peito de um ser humano, 50 centímetros de diâmetro . O experimento do qual foram selecionados os clones da série IAC 500 foi instalado no ano 2000 e era composto por 60 clones, mais os clones RRIM 600 e PB 235 que são os clones testemunhas para efeito de comparação. “Além do clone IAC 505, há alguns outros materiais que vem se destacando. Como por exemplo, o clone IAC 500 está sendo bastante superior em produção de borracha e em espessura de casca em comparação como o RRIM 600″.

O clone IAC 505, em específico, foi obtido a partir da polinização aberta do clone IAN 873 e selecionado em viveiro de teste precoce em 1993. “É importante citar que todos os novos clones obtidos passam por três fases de seleção e que o tempo decorrido até o lançamento aos produtores é de aproximadamente trinta anos,” disse o pesquisador.

Além de precocidade, o IAC 505, o que permite retorno mais rápido do investimento, possui copa simétrica e com desgalhamento natural, ou seja, os ramos da parte inferior da planta se desprendem e com isso o tronco é perfeito para aproveitamento da madeira. Em termos de produção, até o quarto ano de sangria o clone IAC 505 está superior ao clone testemunha RRIM 600.

Scaloppi afirmou ainda que os documentos necessários para registro dos novos clones selecionados em Votuporanga estão sendo finalizados e serão encaminhados em meados deste ano ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) onde são realizados os resgistros dos novos clones.

Fonte: DiárioWeb

Postado em 13/05/2011

São Paulo na agricultura

Muito perto de perder para Mato Grosso sua tradicional liderança no ranking dos Estados do país com maior valor bruto da produção (VBP) das principais culturas agrícolas, São Paulo ainda reserva, em áreas hoje dedicadas à pecuária, boas perspectivas para a expansão das plantações que já passaram a liderar seu crescimento no setor nos últimos anos, sobretudo cana-de-açúcar e eucalipto.

Estudo recém-concluído por um grupo de pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria da Agricultura paulista, aponta que, até 2030, 2,8 milhões de hectares ocupados com pastos em 2008 poderão dar lugar a canaviais, florestas plantadas e, em menor escala, seringueiras. O cálculo leva em conta as tendências de alta da demanda pelos produtos cultivados no Estado até lá. A disputa será ganha por tecnologia e eficiência.

Trata-se de um exercício baseado nos padrões de expansão dos diferentes segmento nos últimos anos, que projeta distintos cenários de incrementos – ou não – dos respectivos níveis de produtividade. Leva em consideração legislações em vigor no Estado e políticas de incentivo, mas obviamente não contempla guinadas nos preços ou influências climáticas.

Feitas as ressalvas e admitidas as extrapolações de praxe em estudos do gênero, o estudos dos pesquisadores Mário Pires de Almeida Olivette, Eduardo Pires Castanho Filho, Raquel Castellucci Caruso Sachs, Katia Nachiluk, Renata Martins, Felipe Pires de Camargo, José Alberto Ângelo e Luiz Henrique Domicildes Câmara Leal Oliveira chega à conclusão que, em termos absolutos, a concorrência entre cana e eucalipto pelas áreas que serão abertas pelo adensamento da pecuária será grande; relativamente, a borracha é a cultura que tem potencial para avançar mais.

Em 2008, a pecuária ocupava 8,072 milhões de hectares em São Paulo, a cana estava em 4,9 milhões, os eucaliptos em 860 mil e as seringueiras em 77 mil. No horizonte traçado, em 2030 a área de pastagens poderá cair para 5,272 milhões de hectares, a cana “brigará” para atingir entre 5,33 milhões e 6,8 milhões, o eucalipto poderá alcançar de 1,4 milhão a 2,7 milhões e as seringueiras, de 300 mil a 400 mil hectares. Ou seja, a área de cana poderia aumentar até 38,8%, a de eucalipto até 214% e a de seringueiras, até 419,5%, sempre considerando-se as tendências de alta das demandas no período.

Mais importante do que suas estimativas numéricas – que certamente serão revistas com o passar dos anos, a depender também do desenvolvimento de novas tecnologias nas respectivas cadeias de produção -, o estudo mostra que o campo paulista não ficará estagnado apesar de o Estado quase não contar mais com áreas virgens passíveis de serem abertas. É verdade que laranja e café, ainda expressivos em São Paulo, hoje não aparecem com força para brigar pelas áreas de pastagens que tendem a ser abertas. Mas haverá dinamismo e, assim, dificilmente haverá espaço para acomodações.

“Não acabou a fronteira agrícola paulista”, afirma Mário Olivette. Para Felipe Pires de Camargo, o estudo demonstra que a eficiência do uso da terra pode aumentar. E como a rentabilidade média da pecuária ainda é baixa em algumas regiões do Estado e tem tudo para crescer, é nessas áreas que a disputa entre as diferentes atividades será mais acirrada. O raciocínio vale para outros Estados, sobretudo do Centro-Oeste e do Norte, e embasa projeções de que há no Brasil pelo menos 70 milhões de hectares de pastagens degradadas substituíveis por lavouras.

Diferentemente de outros Estados, lembra Eduardo Castanho, em São Paulo a pecuária se expandiu em áreas anteriormente ocupadas por lavouras. Como no passado mais distante não havia adubos químicos, afirma, quando a fertilização natural do solo acabava os rebanhos o ocupavam. “Hoje temos o processo inverso, e as culturas estão voltando a terras aptas a elas próprias”, diz.
Olivette nota que o rebanho bovino de São Paulo, que é o maior produtor de carne do país, alcançava, em 2008, 11 milhões de cabeças, distribuídas por pouco mais de 8 milhões de hectares. A pecuária de corte é mais presente no oeste do Estado, enquanto a leiteira está mais para o centro e para o leste.

No entorno de 11 escritórios regionais da estrutura da Secretaria da Agricultura no oeste paulista, havia em 2008 mais de 2,5 milhões de cabeças. O estudo leva em consideração que, apenas no oeste, se todas as propriedades tivessem uma capacidade de lotação das pastagens abaixo da média, elas seriam distribuídas por mais de 3 milhões de hectares. Se todas migrassem para a média, as mesmas cabeças caberiam em menos de 1,8 milhão de hectares. Se esse processo ocorresse em todo o Estado, extrapola o trabalho, é que haveria a liberação dos 2,8 milhões de hectares até 2030, ou mais de 10% da área total cultivada no Estado.

“O mercado força a pecuária a se mexer. Desde o início do Plano Real, as terras em São Paulo vêm perdendo a característica de reserva de valor”, diz Pires de Camargo. Nos últimos anos, graças a esse movimento, os rebanhos perderam 3 milhões de hectares de pastagens. É claro que a própria pecuária, mais eficiente, poderá encarar uma demanda tal que justifique que ela mesma dispute mais espaço. Mas as tendências de oferta, demanda e eficiência indicam que cana e eucalipto, já em expansão, afunilarão a concorrência.

Castanho realça, por exemplo, que na maior fazenda da região de Araçatuba, com 24 mil hectares, a pecuária foi substituída por cana e o rebanho foi enviado para terras mais baratas localizadas na Bahia. E Katia Nachiluk reforça que a produtividade dos canaviais está aumentando e que, com a colheita mecanizada onde é possível – em terrenos com muitas ondulações não é -, deverá crescer ainda mais.

Em 2000, destaca, a produtividade agrícola da cana paulista, foi de 76,04 toneladas por hectare, média que subiu para 81,66 em 2009, quando a cultura ocupava 26,81% do solo do Estado. No caso do eucalipto, aponta Castanho, a produtividade agrícola mais do que dobrou no período. Nessa direção e mantidas as tendências de demanda e a evolução das produtividades, conclui o estudo dos pesquisadores do IEA, as áreas liberadas pelas pastagens comportarão até com certa folga os crescimentos previstos para cana, eucalipto e seringueira. Se demanda e produtividades aumentarem mais do que o previsto, porém, a concorrência será mais acirrada.

Fonte: Valor Econômico

Postado em 06/05/2011

Seringueiros aproveitam alta nas vendas de veículos no Brasil

Com o aquecimento da economia mundial, a borracha está valorizada. O preço da matéria-prima nunca esteve tão alto no Brasil, aumentou 60% em apenas um ano.

O aquecimento das vendas de veículos no Brasil está se refletindo com força no mercado de trabalho. No interior de São Paulo, milhares de vagas se abriram para profissionais de um ofício muito antigo e artesanal.

Ainda é madrugada e no meio das árvores, pequenas luzes brilham. Os seringueiros já estão de pé: “Cedo porque a produção é melhor, pinga mais. Com o sol quente, ela pinga pouco”, conta uma seringueira.

Quando amanhece, eles já terminaram uma boa parte do trabalho: “Tem que ser bastante esperto. Não pode parar não. Se parar não rende nada”, diz outro seringueiro.

Depois da sangria, o látex escorre das seringueiras e forma uma massa branca, a borracha. Ela é beneficiada e vendida principalmente para as indústrias de pneus.

Com o aquecimento da economia mundial, o produto está valorizado. O preço da matéria prima nunca esteve tão alto no Brasil, aumentou 60% em apenas um ano.

É de gota em gota que os trabalhadores vêem a renda aumentar. Nunca os seringueiros receberam tanto pelo trabalho. É que o preço da borracha vem batendo recorde no mercado internacional.

No campo, quanto maior o número de árvores para cuidar, maior o rendimento, que pode chegar a R$ 2,5 mil por mês. É o dobro do salário pago no mesmo período do ano passado.

Serviço para toda a família: “Primeiro comecei eu e minha esposa. Depois, os filhos vieram seguindo também, aprenderam. Somos todos seringueiros”, conta o seringueiro Divino de Oliveira.

“São 30 milhões de novos pés plantados em São Paulo, o que equivale, aproximadamente, a 12 mil novos sangradores”, explica o engenheiro agrônomo Nilson Cardoso Troleis.

A maioria das fazendas oferece moradia de graça e os trabalhadores ficam com 30% da produção. Dinheiro que ajuda Camila a prosseguir nos estudos: “Medicina, se eu conseguir”, conta. E faz Seu Divino sonhar com o carro novo.

Fonte: Jornal Nacional

Postado em 13/04/2011

Região de Monte Aprazível ajuda Colômbia a combater plantio de coca

Acordo bilateral incentiva a substituição das lavouras de coca pelo plantio de seringueiras e cacau; comitiva visita fazendas de Bálsamo e Monte Aprazível para aprender novas técnicas

A tecnologia brasileira na produção e beneficiamento doe látex   (matéria-prima da borracha) é uma das apostas do governo colombiano para extinguir as lavouras familiares de cocaína naquele país.

Um acordo entre Brasil e Colômbia, que conta com o apoio financeiro das Nações Unidas, incentiva pequenos agricultores a abandonar o plantio do entorpecente e investir no culino da seringueira.

Para conhecer os métodos usados de produção e beneficiamento do látex, um grupo de técnicos, agrônomos e produtores colombianos visitaram uma fazenda de Monte Aprazível na tarde desta terça-feira.

“O principal interesse é levar para a Colômbia a tecnologia para  o processo de produção do látex centrifugado, que é usado para a produção de materiais hospitalares, bexigas e preservativos”, afirma o diretor da Apabor (Associação Paulista dos Produtores de Borracha), Heiko Rossmann.

O grupo visita uma fazenda em Bálsamo nesta quarta, onde vão acompanhar o processo artesanal de retirada do látex.

“A produção não é suficiente para atender a demanda em nenhum dos dois países. Portanto, creio que há muito espaço para expansão da cultura”, disse o químico colombiano, Carlos Rincón.

A Colômbia conta com 35 mil hectares de seringueira. A meta imposta pelo governo é de atingir 100 mil hectares em 2020.

“Com isso, o país supriria toda a demanda interna e ainda se tornaria exportador do produto”, disse  Rossmann.

De acordo com dados do setor, o Brasil produziu em 2010, aproximadamente 35% da borracha consumida pela indústria nacional. São 70 mil hectares de plantações de seringueira.

Só no ano passado, o Brasil importou US$ 790 milhões (R$ 1,2 bilhões) em borracha produzida principalmente no sudeste asiático.

Com isso, o preço pago pelo quilo do látex bruto (produto retirado da seringueira) chega a custar R$ 4 em algumas regiões do estado de São Paulo, que é o maior produtor do país.

Rossmann aposta porém, que o interesse dos colombianos na produção do látex pode favorecer o Brasil em longo prazo. “Caso  a meta colombiana seja alcançada, poderemos, a partir de 2020, importar borracha dos vizinhos a preços menores, com acordos conduzidos pelo Mercosul.”

Plantio casado

O Acordo entre Brasil e Colômbia prevê ainda o plantio simultâneo de seringueira e cacau, prática comum no interior da  Bahia desde os anos de 1990.

“Comprovadamente uma cultura não prejudica a outra. Assim, o produtor consegue manter receitas durante o ano todo, o que ajuda na manutenção das propriedades rurais”, diz Givaldo Rocha Niella, pesquisador do Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do governo federal  ligado ao Ministério da Agricultura.

Praga

Os visitantes colombianos conheceram ontem, em Monte Aprazível, métodos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros para combater um fungo conhecido como “mal da folha”, que prejudica a  produtividade das plantas. A praga tem efeitos mais devastadores na Bahia, principalmente em regiões litorâneas, por conta da alta umidade do ar. A Bahia é o segundo estado em produção de seringueira, superado apenas por São Paulo.

Investimento

O cultivo de seringueiras é reconhecido entre as diferentes culturas como um investimento de longo prazo já que as árvores começam a produzir o látex após o sétimo ano de plantio.

385 mi

de toneladas de borracha foram importadas pelo Brasil no ano passado.

Suplemento

Além do cacau, é possível plantar junto à cultura da seringueira diversas plantas como café e milho.

Fonte: Ademir Terradas | Agência BOM DIA

Postado em 13/04/2011

Seringueira – aumenta o potencial de cultivo em Minas

O cultivo da seringueira nas propriedades mineiras pode ter uma grande expansão e melhorar a situação econômica de várias regiões, principalmente com a adesão dos agricultores familiares à atividade.

Esta perspectiva é apontada em estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria da Agricultura. Para transformar a teoria em prática, a Epamig e a empresa Minas Hevea Comercial, localizada em Viçosa, na Zona da Mata, estão finalizando a elaboração do programa Hevea Ambiente Sustentável.

Segundo o pesquisador Antônio de Pádua Alvarenga, da Epamig, o programa terá condições de emitir um selo socioambiental. Uma das possibilidades será a obtenção, para os produtores portadores do selo, do direito de venda de crédito de carbono com o plantio da seringueira. “Essa cultura é a que mais sequestra carbono, um índice igual ou superior ao das matas naturais”, ele explica.

Alguns objetivos do programa são a geração de emprego e renda, a recuperação de áreas degradadas e a preservação do meio ambiente. “Além disso, existe a proposta de promover a absorção de carbono da atmosfera e a retenção desse elemento no solo”, acrescenta Alvarenga. Ele diz ainda que haverá formação de mão de obra e treinamento dos trabalhadores para a atividade. “O Hevea Ambiente Sustentável vai buscar incentivos para as práticas ambientalmente corretas, tais como: destinação de embalagens de agrotóxicos, respeito às normas ambientais referentes a Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal e Matas Ciliares, bem como respeito às normas trabalhistas e outras.”

Está em andamento atualmente a formação de mudas e jardins clonais em diversos locais, sob a coordenação da Epamig e Minas Hevea. De acordo com Alvarenga, os parceiros estão atentos ao interesse crescente pela produção de seringueiras no Estado. Esse interesse, ele diz, pode ser confirmado pelo alto índice de procura por mudas produzidas na Fazenda Experimental Vale do Piranga, em Oratórios, na Zona da Mata. “A demanda para a próxima produção, prevista para o final do primeiro semestre, já é de 15 mil mudas, afirma o pesquisador. Todos os dias recebemos pedidos de informação sobre a cultura e de produtores interessados.”

O mercado é promissor porque o cultivo da seringueira proporciona grande rentabilidade. Segundo o Centro de Inteligência em Florestas (CIF), até 2030, a demanda nacional de borracha natural alcançará 1 milhão de toneladas, sendo que a produção brasileira é de 130 mil toneladas anuais. Em Minas Gerais, a produção atual é de 4,5 mil toneladas em 3 mil hectares plantados, distribuídos em nove regiões: Central, Rio Doce, Zona da Mata, Sul de Minas, Triângulo, Alto Paranaíba, Centro-Oeste, Noroeste e Jequitinhonha. O rendimento médio das seringueiras nessas regiões varia de 750 a 2,8 mil quilos de borracha natural por hectare, sendo os melhores resultados obtidos nas áreas do Centro Oeste e no Alto Paranaíba. O Triângulo Mineiro se destaca com a maior produção, cerca de 77% do volume registrado no Estado, vindo em seguida o Noroeste e a Zona da Mata.

Na Zona da Mata, a produção está concentrada no entorno dos municípios de Muriaé, Leopoldina, Cataguases, Raul Soares e Ponte Nova. A maioria deles, segundo Alvarenga, está iniciando a atividade e cultiva, em média, uma área de 20 hectares.

Agricultura familiar

Para o secretário da Agricultura, Elmiro Nascimento, o potencial de produção da borracha natural confirmado pelas pesquisas da Epamig, bem como os dados sobre o mercado desse produto devem despertar o interesse dos produtores rurais pelo cultivo da seringueira. “De acordo com os estudos, os principais fatores favoráveis à produção de borracha natural, em Minas Gerais, são a localização do Estado em relação aos grandes mercados e a disponibilidade de água”, ele explica. Nascimento enfatiza que é muito importante a inserção dos agricultores familiares na atividade. “São necessárias apenas duas pessoas para cultivar cerca dez hectares, que garantem atualmente uma renda mensal da ordem de R$ 3 mil”, assinala o secretário.

Fonte: Ivani Cunha | Seapa

Postado em 12/04/2011

Cadeia da borracha ganha financiamento específico

Linha do Banco do Brasil de R$ 30 milhões para a cultura da seringueira foi anunciada em reunião da Câmara Setorial

O setor seringueiro conta desde quinta-feira (24/03), com uma opção de financiamento exclusiva do Banco do Brasil. O anúncio foi feito durante a 17ª reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural, em Brasília. A linha prevê R$ 30 milhões para financiamentos, com carência de oito anos, prazo para pagamento de 14 anos e juros de 6,75% ao ano.

“É um pleito antigo, pois desde as décadas de 1970 e 80 não tínhamos uma linha direcionada exclusivamente para o setor. Temos o Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora), mas ele é apenas relativamente adequado ao segmento”, afirma o presidente da Câmara, Marcelo Tournillon Ramos.

Os recursos permitirão fomentar a cadeia e reverter o quadro de déficit na balança comercial que existe no segmento. Hoje, cerca de 70% da borracha seca consumida no país é exportada. Essa situação gerou um déficit comercial de US$ 800 milhões em 2010, com previsão de US$ 1,3 bilhão neste ano. “O Brasil produz cerca de 120 mil toneladas do produto por ano e consome 360 mil toneladas”, diz Ramos. Propflora Criado em 2002 e voltado especificamente ao financiamento da implantação e manutenção de florestas para fins econômicos, o Propflora já aplicou R$ 44 milhões em crédito para investimento em seringais.

A iniciativa também tem como foco a recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva florestal legal. O limite de financiamento do Propflora aumentou de R$ 200 mil por produtor, na safra passada, para R$ 300 mil, nesta safra, com taxa de juros de 6,75% ao ano. Saiba maisO látex ou borracha natural é uma substância extraída da seringueira, uma árvore nativa da Amazônia. O líquido de aparência leitosa é utilizado na fabricação de muitos produtos, mas os mais conhecidos são os pneus.

Até a década de 1950, o Brasil era o principal produtor do mundo. Hoje, quase todo látex vem da Tailândia, Indonésia e Malásia, que juntas detém 95% da produção mundial (cerca de 5,7 milhões de toneladas). A produção da América Latina, incluindo o Brasil, corresponde a apenas 1,2%.

Antes, a substância era retirada das árvores na floresta nativa. Hoje, a maior parte vem de plantações de seringueiras. O estado de São Paulo sozinho é responsável por 75% da produção brasileira.

Fonte: Revista Globo Rural – AGRONEGÓCIO / BORRACHA – 25/03/2011

Postado em 04/04/2011

Associação paulista quer dobrar produção

País produz cerca de 120 mil toneladas de borracha seca, mas a necessidade do consumo interno é de 300 mil.

Como a produção nacional, de aproximadamente 120 mil toneladas de borracha seca, é insuficiente para atender as necessidades do consumo interno, da ordem de 300 mil toneladas, a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) iniciou um projeto de expansão, que prevê o crescimento da produção em até 100%.

“Nossa expectativa é que, dentro de cinco a sete anos, o Estado de São Paulo receba incremento de 38 a 40 milhões de novos pés para dobrar a produção”, diz Santim. O Estado, que possui cerca de 40 milhões de pés deve produzir cerca de 60 mil toneladas em 2011, segundo Santim.

“A expectativa é de crescimento mesmo porque já estamos observando isso aqui”, diz Getúlio Ferreira Júnior, da Polifer, um dos maiores viveiros de mudas do País, com capacidade de produzir 600 mil mudas/ano. Segundo ele, nos últimos dois anos, houve mudança no perfil dos produtores. “Antes a gente recebia pequenos produtores, que plantavam 20/30 mil pés; hoje temos grandes investidores – como empresários e profissionais liberais – que fazem grandes plantações com 500 mil ou 1 milhão de pés”, diz Ferreira Júnior.

A muda, que custa em torno de R$ 4 deve ter seu preço reajustado no segundo semestre para R$ 4,50. Em 2008, o preço era de R$ 3,40.

Um dos que optaram pela expansão das florestas foi o produtor Mário Valadão Furquim, que está substituindo os laranjais de sua fazenda em Olímpia por pés de seringueiras. Ele diz que vai retirar 20 mil pés de laranjas para plantar 15 mil pés de seringueiras. Até agora foram retirados 80 mil pés de laranja que deram lugar a florestas de seringueiras. “Os laranjais dão maior custo de produção. Com os seringais não tenho gastos com pulverização e adubação e a remuneração é melhor e mais honesta”, compara Furquim, que possui 200 mil pés de seringueira em três propriedades, em Guaraçaí e em Olímpia.

Financiamento. O Banco do Brasil (BB) aumentou de R$ 20 milhões para R$ 30 milhões uma linha de crédito para financiar o plantio. A linha foi criada em maio do ano passado, mas em janeiro deste ano, o BB foi obrigado a ampliá-la devido à grande procura. A linha oferece prazo de 12 anos com carência de sete anos (tempo que a seringueira leva para entrar em produção) e juros de 6,7% ao ano. A expectativa é de que a nova linha propicie uma expansão de pelo menos 3 milhões de novos pés no Estado. O financiamento tem teto de R$ 100 mil por beneficiário, limitado ao orçamento de R$ 7 mil por hectare.

Segundo o Secretário de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, também produtor de látex, esta linha de financiamento é uma reivindicação antiga do setor e é o único crédito com características compatíveis com o ciclo produtivo da seringueira. “O setor está em franco crescimento no Estado de São Paulo. A área cultivada deve chegar aos quase 80 mil hectares este ano. Devemos chegar a uma produção de 150 mil toneladas em cinco anos e o nosso consumo a 400 mil toneladas, se continuarmos neste ritmo e não houver nenhum grande revés na economia mundial”, disse Sampaio, cuja família cultiva 100 mil pés em duas propriedades, no Mato Grosso e São Paulo.

Fonte: Chico Siqueira – O Estado de S.Paulo

Postado em 04/04/2011

Venda de crédito de carbono com plantio de seringueira

O projeto de plantio de seringueira na Guatemala foi negociado durante a Carbon Expo em Colônia, na Alemanha. A negociação foi entre a empresa ‘Pica Borracha Natural’ da Guatemala e a ‘First Climate’ da Suíça


O projeto é pioneiro na venda de crédito de carbono com plantio de seringueira, e compreende 2.500 hectares de novos plantios de seringueira, em áreas degradadas ou degradantes, utilizando praticas sustentáveis, com previsão de fixação de 1,2 milhões de dióxido de carbono no período de 20 anos.

Existe muita semelhança entre o projeto aprovado e o Programa “Hevea Ambiente Sustentável” que será lançado ainda no primeiro semestre de 2011, objeto da parceria entre a Minas Hevea e a EPAMIG, que buscará o fomento do plantio da seringueira no Estado de Minas Gerais, visando mudar a situação econômica de várias regiões, com foco na geração de emprego e renda, recuperação de áreas degradadas ou degradantes, preservação do meio ambiente, absorção de carbono da atmosfera e retenção de carbono no solo.

O Programa também abrangerá todo treinamento e formação de mão de obra para a cultura, além de criar incentivos para as práticas ambientalmente corretas, tais como: destinação de embalagens de agrotóxicos, respeito as normas ambientais referentes a APP’s, Reserva Legal e Matas Siliares, respeito as normas trabalhistas, etc.

Já está em andamento a formação de mudas e jardins clonais em diversos locais, sob a coordenação da EPAMIG e MINAS HEVEA.

Fonte: www.portaldoagronegocio.com.br

Postado em 16/03/2011

É hora de extrair látex

Com preços em ascensão e alta demanda nacional, borracha tem potencial para ingressar com força no Paraná, que tem clima e terra propícios para o plantio das seringueiras.

Um conjunto de fatores nacionais e internacionais está fazendo que a produção de borracha no Brasil se torne um ótimo negócio, com retorno garantido para os próximos anos. De um lado, os principais países asiáticos exportadores do produto – Indonésia (com 45% do total) e Tailândia (35%) – sofrem com as intempéries ficando cada vez mais complicado abastecer a demanda mundial. Do outro, a indústria automobilística brasileira cresce à todo vapor, cerca de 27% nos últimos quatro anos, potencializando a demanda para a indústria de pneumáticos.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontam que a produção do país atende apenas 30% da demanda interna, com 130 mil toneladas, muito pouco pelo potencial que possui. Em 2010, o Brasil importou nada menos do que 260,8 mil toneladas de borracha, um investimento de R$ 1,29 bilhão. A produção interna está concentrada em São Paulo (com 55%), Mato Grosso (14%) e Bahia (13%).

No Paraná, a cultura de plantar e extrair a borracha bruta das seringueiras – a heveicultura – ainda é pouco difundida, mesmo com o Estado tendo clima propício e fertilidade do solo boa, principalmente nas regiões norte e noroeste (ver mapa). Segundo Gustavo Firmo, chefe da Divisão de Florestas Plantadas e Culturas Permanentes do Mapa, o plantio aumentou substancialmente por aqui desde 1996, mas ainda é modesto, cerca de 667 hectares, com uma produção de 1,22 mil toneladas, o que torna o Estado apenas o 11º produtor. ”É fato que existe um deficit de borracha mundial, com um mercado bem promissor. No Paraná, apenas três contratos de financiamento foram feitos em 2009, no valor de R$ 139 mil. Ano passado, também foram realizados três contratos, somando R$ 24 mil”, aponta Firmo, lembrando que nos últimos dois anos, foram aplicados R$ 44 milhões em crédito para investimento em seringais.

Para os técnicos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) André Luiz Ramos, pesquisador da área de fitotecnia, e Paulo Rezende, técnico agrícola especialista em heveicultura, alguns fatores devem ser trabalhados para incrementar a produção no Estado. ”A falta de divulgação, o alto custo das mudas (cerca de R$ 4), e a demora para a primeira extração (por volta de sete anos) são entraves que inibem o produtor a trabalhar com seringueiras”, explicam eles.

Entretanto, a espera e o investimento são recompensados. Em doze anos, o quilo da borracha bruta (ou coágulo) subiu mais de 200%, de R$ 1,10 para R$ 3,50. Um produtor pequeno, por exemplo, com quatro hectares, consegue plantar cerca de duas mil árvores nesta área, que produzem por volta de 1,6 mil quilos por mês, o que gera uma renda bruta de R$ 5,6 mil mensais. ”A sangria é realizada de 4 em 4 dias e o trabalho não é penoso, feito por poucas pessoas”, explica o técnico agícola.

Já o pesquisador André Ramos ressalta sobre a demanda de pesquisa para a heveicultura, que inclui clones adaptados para as condições do Paraná, adubação, nutrição, propagação e o Sistema Agroflorestal (SAF), no qual o produtor planta as seringueiras em consórcio com outras lavouras. ”Dessa forma, na fase inicial, quando ainda não está ocorrendo a extração da borracha, há uma amortização dos custos com a colheita de outras culturas, como o café”, complementa o especialista.

Fonte: Agroblog/ Heiko Rossmann

Postado em 13/03/2011

Goias: Setor agropecuário avalia expansão da cultura da borracha

Com o objetivo de incrementar a plantação da seringueira em Goiás estiveram, no final da tarde de ontem, na sede da Seagro, José Fernando Benesi, Fernando Morais e José Emílio Defant, da Hevea Suporte, de Goianésia. Os empresários apresentaram o Projeto Seringueiras e falaram das vantagens da cultura da borracha para Goiás, já que o Estado possui clima e solo favoráveis à difusão desta cultura. Atualmente a produção goiana, ainda pequena, se concentra da região de Goianésia.

Goias: Setor agropecuário avalia expansão da cultura da borracha

O secretário Antônio Flávio Camilo de Lima disse que há o interesse na cultura da borracha, como mais uma alternativa para o produtor goiano. “Agora, vamos analisar as condições das linhas de crédito oferecidas e adequá-las ao perfil do nosso produtor”, disse Flávio. Na ocasião, o secretário explicou que plantar seringueiras é um projeto rentável a longo prazo.

Segundo informações da Seagro, atualmente o Brasil consome 360 mil toneladas de borracha e produz apenas 100 mil. Além da demanda interna, a demanda mundial também cresce. Outra vantagem é o caráter social da cultura, que demanda um trabalhador a cada oito hectares, gerando emprego e renda. A mão-de-obra é semi-especializada e o ciclo dura o ano todo.

Fonte: Goias Agora

Postado em 13/03/2011

Analista apresenta linhas de crédito com menores taxas de juros para o setor florestal

“Tem que ser bem analisado qual será a opção do produtor. O eucalipto e a seringueira não são produtos com muitos compradores. Por isso, os convênios podem ser mais interessantes”

Muitos querem iniciar o plantio de eucalipto e seringueira. Mas, poucos sabem como obter recursos. Por isso, o Painel Florestal convidou o analista da Superintendência do Banco do Brasil, José Luiz dos Reis, para palestrar sobre “Como obter recursos para plantios florestais”, durante o 3º Seminário Plantar Florestas é Bom negócio, que está sendo realizado nessa quinta-feira, 24, em Coxim-MS.

O representante do Banco do Brasil explicou como funcionam as linhas de crédito, financiamento e convênios. Alguns são mais interessantes do que outras para o setor. “Tem que ser bem analisado qual será a opção do produtor. O eucalipto e a seringueira não são produtos com muitos compradores. Por isso, os convênios podem ser mais interessantes”, explica.

Durante a palestra, José Luiz, apresentou quatro linhas de crédito que se encaixam com o perfil do setor: O Pronaf, Proflora, BNDES ABC e o FCO Pronatureza. Conforme as especificações, se enquadram nos programas atividades como, cultivo permanente de seringueira, aproveitamento de área degrada, recomposição de reserva, implantação de viveiro, florestamento e reflorestamento e cultivo de eucalipto.

As linhas dão ao produtor a garantia de recursos para custeio inicial com materiais, para assistência técnica e implementação de tecnologia entre outros. De acordo com o analista, o BNDES ABC é uma das linhas mais interessantes. “Essa linha de crédito é a mais atrativa para o produtores, pois apresenta o menor juros de todas”, explica.

BNDES ABC é uma linha voltada a recuperação de áreas degradadas, recomposição de reserva e integração de eucalipto com a pecuária ou agricultura. O percentual do juro é menor que as outras linhas: 5,5%. Nesse programa o produtor pode obter R$1 milhão em recursos. Entretanto, José Luiz alerta: “O produtor deve analisar na hora de elaborar o projeto, se a atividade para qual está solicitando o recurso se encaixa na linha de crédito. Cabe ao produtor, verificar qual linha atende a sua pretensão”, conclui

Fonte: Painel Florestal

Postado em 13/03/2011

Bom preço internacional da borracha estimula setor no Brasil

País já foi o maior produtor do mundo, mas atualmente importa 65% do que precisa

Segundo produtores e empresários da região noroeste do Estado de São Paulo, o preço da borracha nunca esteve tão atrativo. No mercado internacional, a cotação do produto valorizou mais de 60% no último ano. No campo, ganha mais quem produz o látex, a borracha no estado líquido, que tem maior valor no mercado.

Mas no Brasil a produção é baixa. A maioria dos produtores prefere um processo de extração mais simples, que resulta a borracha conhecida como coágulo. Esse é o produto que vai para o mercado de pneus. Ganha menos quem produz assim. No entanto, com o aquecimento do mercado, na verdade ninguém sai perdendo.

Se tivesse mais matéria-prima, a usina do produtor rural Jason Passos, que fica em Buritama (SP), a 500 quilômetros da Capital, não pararia um minuto só. O proprietário trabalha com a parte mais nobre da borracha: o látex, matéria-prima de produtos como luvas cirúrgicas e preservativos.

Metade do que chega à indústria dele vem de produtores da região. Mas Jason produz um pouco também. O seringal fica do lado da fábrica. De lá, extrai até 12 toneladas por ano.

– Hoje a usina trabalha com 50% da capacidade de produção por falta de matéria-prima. E tudo que a usina produz imediatamente é consumido pelas indústrias – diz Jason.

O látex parece leite quando sai da indústria. Até chegar ao aspecto final, passa por um processo químico que usa várias substâncias. Uma delas é a amônia, que evita que o látex fique sólido.

– Para o produtor, é mais compensador produzir o látex do que a borracha. O produtor de látex consegue um rendimento de 20% a 25% a mais do que a borracha – explica Jason.

A produtora Maria Teresa Soubhia é uma das fornecedoras de Jason. Ela tem oito hectares em produção e extrai até 30 toneladas de látex por ano. Na safra 2008/2009, vendia o quilo por R$ 0,90. O preço triplicou, diz ela, que consegue agora até R$ 2,70 o quilo. O negócio está tão bom que Maria Teresa já pensa até em aumentar o seringal.

– Nós temos já plantados 10 mil pés que começam a sangrar agora, e temos a intenção de plantar mais sem dúvida, porque não tem opção melhor que isto – afirma Maria.

Jason explica que, como a borracha é uma commodity, a demanda é muito maior que a oferta.

– A demanda basicamente está sendo comandada pela China. Ou seja, a China está comprando tudo o que é borracha que existe no mundo – explica Jason.

Diferente da produção extrativista de borracha como é feito tradicionalmente na Amazônia, a atividade comercial em São Paulo tem pouco mais de 40 anos. O Estado é o maior produtor do país. De lá, saem 90% da produção nacional.

Tempo
Quem entra neste mercado precisa investir e esperar. Uma seringueira leva sete anos pra produzir. O cultivo de um hectare exige pelo menos R$ 15 mil de investimento.

– O pequeno produtor pode plantar se tiver incentivo de financiamento. Ele pode plantar em dois alqueires e viver daquilo na sua terrinha. Ou você pode plantar muito. Eu acho maravilhoso. Fixa o homem no campo, gera emprego. É claro que pequenos precisam de financiamento. E esse é o lado em que a gente está esperando um respaldo – conclui Teresa.

A produção de borracha brasileira, tanto a beneficiada como o látex quanto na forma de coágulo, é insuficiente para a demanda de consumo. Dois terços do que usamos são importados. Principalmente da Malásia, um dos países que mais produz no mundo. Além da Malásia, Tailândia e Indonésia concentram 90% da produção mundial de borracha.

Fonte: Sebastião Garcia | Nhandeara (SP) – Canal Rural

Postado em 13/03/2011

Preço da borracha dispara e SP comemora

Preços sobem até 80% e Estado responde por 40% da produção nacional de látex

A alta do preço da borracha natural – pico de US$ 6,5 mil a tonelada em fevereiro – faz o látex ser chamado de “ouro branco” no interior de São Paulo. Produtores do norte e noroeste do Estado comemoram preços recordes – reajustados em até 80% – e planejam a expansão das florestas de seringueiras.

A região é o maior polo produtor do País e responde por 40% da produção nacional. São 40 milhões de pés de seringueiras e 3 mil produtores, em 60 municípios, que vão produzir 50 mil toneladas de borracha seca a partir do látex. Segundo a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), a safra, que termina em julho, deve movimentar na região cerca de US$ 500 milhões contra US$ 300 milhões da safra passada.

A evolução da produção do produto teve início no começo de 2010, quando o mercado se recuperou da crise de 2008, que derrubou o preço da tonelada a US$ 1 mil na bolsa e R$ 1,10 o kg para o produtor. Em fevereiro de 2010, o preço chegou R$ 2,23 o kg e em 2011, atingiu média de R$ 3,60, mas há produtores recebendo R$ 4 ou mais. Nos primeiros dias de março, muitos negócios foram fechados acima de R$ 4. “O látex é hoje um dos produtos que tem melhor remuneração e geram maior renda na atividade agrícola”, diz Marcos Santim, presidente em exercício da Apabor. “A renda melhorou não só para os produtores, mas também para os parceiros, empregados e usinas beneficiadoras”, completa.

A alta dos preços no Brasil é causada pelo efeito das cotações no mercado internacional, que têm sido elevadas devido a diversos fatores, entre eles, o aumento da venda de automóveis nos principais mercados mundiais; problemas climáticos nas regiões produtores, como o La Niña, no Sudeste Asiático; elevação dos preços de petróleo, que causam aumento do preço da borracha sintética e consequentemente da natural; e por especulações quanto à oferta de borracha diante da demanda. No Brasil, o preço da borracha é formado a partir da coleta, por um período de dois meses, das cotações na Bolsa de Cingapura, das taxas diárias de câmbio e das taxas diárias da Selic, acrescido de outros custos. O preço é válido para o bimestre seguinte.

Festa caipira. A euforia causada pelos bons preços é sentida nas colônias das fazendas e nas cidades como Bálsamo, Buritama e Monte Aprazível, que possuem extensas florestas. Na zona rural, a atividade emprega 12 mil pessoas, ou como funcionários com registro em carteira ou como parceiros que ficam com 30% ou 35% da produção. “Consegui comprar este carro que estava precisando e ainda pretendo terminar a casa que estou construindo na cidade”, diz Roberto Correia, parceiro em uma floresta de 150 mil pés de seringueiras em Monte Aprazível. Com o lucro da safra passada, Correia comprou uma picape, que usa no trabalho. Este ano, ele diz, pretende acabar a construção da casa que iniciou há quatro anos na cidade. “Falta o acabamento, que é caro, mas acho que agora vai dar”, disse.

A aposentada Nelsina Perassoli Falleiros, 76 anos, diz que ainda não sabe o que fará com os lucros que dos oito mil pés que possui no sítio São João, em Buritama. “Acho que vai dar para dobrar a remuneração, mas como terceirizei a produção para meu filho, eu ainda não sei ao certo o que farei com o dinheiro. Mas posso dizer que hoje o látex rende mais que a aposentadoria e a pensão que meu marido deixou”, diz. Segundo Nelsina, o látex representa quase 70% do total dos seus rendimentos. As árvores devem produzir este ano cerca de 8 kg cada uma.

O otimismo também é sentido nas 13 usinas de processamento que compram o látex dos produtores e passaram, nesta safra, a receber 62% a mais pela borracha. O produto é comercializado para as grandes indústrias de pneus, como Pirelli, Michelin e Goodyear, responsáveis pelo consumo de 75% da borracha produzida na região.

Uma das maiores usinas da região, a Hevea-Tec se expandiu. “Devemos processar entre 17 e 18 mil toneladas, mas há perspectiva de aumentar ainda mais essa produção”, diz Percival Costa Júnior, um dos sócios.

Segundo ele, com o aumento de produção, a empresa vai colocar em funcionamento os equipamentos adquiridos na ampliação do seu parque industrial, em 2008. “Houve a crise e tivemos de frear”, diz Costa Júnior. Em 2008, a Hevea-Tec processou 16 mil toneladas. O aumento de produção se deve a 3 milhões de pés de seringueiras que a empresa passou administrar e processar a produção como terceirizada a partir desta safra. A floresta, que fica em Rondonópolis (MT), foi vendida pela Michelin a Blairo Maggi, que agora não só é o maior produtor de soja como também o maior produtor de borracha do País. Maggi terceirizou o empreendimento à Hevea Tec.

Fonte: Chico Siqueira – O Estado de S.Paulo

Postado em 13/03/2011

Brasil bate recorde de importação de borracha

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgou recentemente os resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro para 2010 e, sem nenhuma surpresa, o Brasil bate novo recorde de importação de borracha natural, atingindo a marca de US$ 790,4 milhões (260,8 mil toneladas) – um recorde pelo qual não devemos nos orgulhar -, contra US$ 283 milhões (161,3 mil toneladas) no ano anterior; aumento de 179,3%.

Como 2009 foi um ano atípico, com diversos setores prejudicados pela crise financeira internacional, a comparação com 2008 parece ser mais coerente. Assim fazendo, se observa que as importações foram 18,6% superiores em valor (e 7,0% em volume) no ano passado. Se por um lado os números prejudicam o saldo da balança comercial, por outro indica que a indústria brasileira está a todo vapor.

A análise da balança comercial do agronegócio brasileiro permite observar que o item papel e celulose ocupa a primeira posição do ranking de importação, com US$ 1,899 bilhão e crescimento de 41,8% na comparação com 2009, seguido do trigo, com US$ 1,528 bilhão e aumento de 26,4%. A borracha natural se manteve na terceira colocação.

O déficit do elastômero natural tem aumentado a cada ano. Em 2010, estima-se que a produção nacional atinja a marca de 131,9 mil toneladas, frente a um consumo de 385,3 mil toneladas. A oferta doméstica atende cerca de um terço da necessidade da indústria, situação esta que perdura a mais de uma década.

As projeções de consumo apontam para uma demanda da ordem de 627 mil toneladas em 2020, enquanto a produção nacional deve alcançar 221 mil toneladas. O déficit representa um dispêndio com importação da ordem de US$ 1,230 bilhão naquele ano, considerando o preço médio de importação em 2010. Contudo, se for usado o preço médio de 1o a 28 de janeiro deste ano, de US$ 5.329 por tonelada, o valor estimado passa a ser de US$ 2,163 bilhões.

Considerando a produtividade média no Estado de São Paulo, de 1.600 kg/ha.ano (base seca), a autossuficiência poderia ser alcançada em 2020 se fossem plantados hoje mais 230 mil hectares de seringueira, o que requer um investimento estimado em R$ 3,450 bilhões (US$ 2,055 bilhões). A nova área representaria também a geração de pelo menos 38 mil empregos do campo e a remoção de 57,5 milhões de toneladas de CO2e da atmosfera.

Os números apresentados acima podem servir de argumento para justificar a criação de um grande programa de fomento (ou de incentivo) para o desenvolvimento da heveicultura brasileira. O Brasil possui uma vastidão de áreas aptas ao cultivo da seringueira, espécie que pode inclusive ser usada em projetos de recomposição de área de reserva legal nas propriedades rurais dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. [um estudo da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba aponta que o déficit ambiental brasileiro soma 43 milhões de hectares de reservas legais não instituídas]

Talvez mais importante seja o fato de a borracha natural ser matéria-prima na fabricação dos pneus que equipam os caminhões que transportam a produção agrícola e industrial brasileira para os portos e grandes centros de consumo.

Mudanças estão acontecendo, ainda que em ritmo lento. A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural (CSBN), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tem desempenhado papel importante nos últimos anos para a estruturação do setor. No momento, a atenção está voltada para a adequação e operacionalização das linhas de crédito disponíveis, dentre elas o recém-lançado Programa Agricultura de Baixo Carbono, ou Programa ABC.

Fonte: Heiko Rossmann – Agroblog.com.br

Postado em 31/01/2011

Governo estimula produção de borracha para atender crescente demanda interna

Mais crédito e melhores condições de financiamento buscam atrair o produtor. Bons preços e aumento do consumo da indústria automobilística são oportunidade para o setor

Produzir borracha no Brasil é um bom negócio. Nos últimos quatro anos, a indústria automobilística cresceu 27%. Em 2010, o crescimento registrado foi de 14%, o que aumentou a demanda pelo produto no país. Para incentivar a produção nacional, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ampliou o crédito disponível e facilitou as condições de financiamento para a safra atual (2010/2011). “Hoje, o Brasil atende a 30% da demanda interna de borracha natural. Queremos incentivar a autossuficiência que só será alcançada com elevados investimentos”, afirma Gustavo Firmo, chefe da Divisão de Florestas Plantadas e Culturas Permanentes do Ministério da Agricultura.

De acordo com Firmo, as projeções do consumo do produto mostram que vale a pena investir em novos seringais. Até 2030, estima-se que a demanda nacional vai alcançar um milhão de toneladas. Atualmente, a produção interna é de 130 mil toneladas. “As perspectivas de mercado para a borracha natural são muito otimistas. Os preços são os maiores dos últimos 10 anos”, destaca. O governo federal, com base nas perspectivas de mercado para produtos sustentáveis, criou mecanismos no Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011 que beneficiam o setor.

A novidade para esta safra foi o lançamento do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) que dispõe de linha de crédito de R$ 2 bilhões. O programa permite, por exemplo, que o recurso seja direcionado ao plantio e à manutenção de florestas comerciais. O dinheiro pode ser utilizado também na adoção do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Os juros de 5,5% ao ano são vantajosos para o produtor rural.

Outros programas de investimento beneficiam a cadeia produtiva da heveicultura e aumentam a competitividade do complexo agroindustrial das cooperativas. O Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora), criado em 2002, foi o primeiro voltado especificamente ao financiamento da implantação e manutenção de florestas para fins econômicos. Também tem como foco a recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva florestal legal. O limite de financiamento do Propflora aumentou de R$ 200 mil por produtor, na safra passada, para R$ 300 mil, nesta safra, com taxa de juros de 6,75% ao ano.

Nos últimos dois anos, foram aplicados R$ 44 milhões em crédito para investimento em seringais. “A heveicultura é economicamente viável. O negócio da borracha natural pode ser lucrativo para pequenos e grandes produtores. A procura por crédito para seringais ainda é muito pequeno diante do imenso potencial e do mercado promissor. As novas linhas de crédito, como o ABC, são mais um incentivo para que os produtores invistam na cultura”, ressalta Firmo.

O produto também faz parte da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), desde 2005. Hoje, o preço mínimo fixado para o produto é de R$ 1,53/kg de coágulo (borracha bruta).

Números

A produção nacional cresceu mais de oito vezes, nos últimos 18 anos, e chegou a 130 mil toneladas em 2010. Cerca de 80% da borracha natural consumida no mercado doméstico destina-se à indústria de pneumáticos. A produção interna est& aacute; concentrada em São Paulo (55%), Mato Grosso (14%) e Bahia (13%).

As exportações de borracha natural, em 2010, somaram US$ 29,5 milhões, com 7,4 mil toneladas. As importações totalizaram US$ 790,46 milhões (260,8 mil toneladas) em 2010. Foi o maior valor e o maior volume de borracha natural importada pelo Brasil, superando 2008. Naquele ano, foram importadas 243,7 mil toneladas a um valor de US$ 666,38 milhões. O principal fornecedor de borracha natural para o Brasil é a Indonésia (45% do total), seguido pela Tailândia (35%), maiores produtores mundiais de borracha natural.

A China se destaca no consumo deste produto com oito milhões de toneladas, na frente da Índia e dos Estados Unidos. Apesar de ocupar a segunda colocação em consumo no ano passado, a produção indiana atende a demanda interna, evitando a interferência do país no mercado internacional.

Fonte: Inez de Podestà e Laila Muniz (http://www.agricultura.gov.br)

Postado em 23/01/2011

Grupo de canadenses visita plantação de seringueira em Silva Jardim (RJ)

Um grupo de 38 canadenses visitou Silva Jardim (RJ) na última semana  para conhecer uma plantação de seringueira. A propriedade escolhida foi fazenda Pedacinho do Céu, no bairro Batalha. No local, os visitantes, 80% deles vivem da agricultura em seu país, ouviram explicações sobre a técnica utilizada na fazenda. A visita faz parte de um novo conceito de turismo: agrícola.

A vinda do grupo à cidade foi coordenada pelo agrônomo Patrick Rebieere, que há 15 anos organiza visitas técnicas no Brasil.  Esta foi a terceira vez que Rebieere traz um grupo de estrangeiros à cidade. “Queremos organizar mais roteiros em Silva Jardim e vende-los na França. Desta forma estaremos promovendo o município”, disse o agrônomo.

Para os visitantes, a ida às plantações só vem agregar valores. Já que tem a oportunidade de visualizar o funcionamento de toda produção. Maravilhada com o que viu na fazenda, a produtora de leite Brigitte Comtois, que organiza uma média de quatro a cinco viagens por ano em vários países, contou que ficou encantada como a organização da fazenda. “È tudo muito interessante, o local é limpo e com uma plantação bastante produtiva”, relatou a produtora que já visitou diversas outras plantações de seringueiras.

Também fez parte da comitiva, o representante do governo canadense, Rejan ST Pierre, que atua como um juiz agrícola em seu país nas questões agrárias.

Para o secretário de Agricultura, Abastecimento e Pesca de Silva Jardim, Rafael Badia, esse intercâmbio é importante para o município e, comprova o crescimento da agricultura e seu reconhecimento internacional.

Fonte: Prefeitura de Silva Jardim (http://silvajardim.rj.gov.br)

Postado em 20/01/2011

Bem-vindos ao novo Seringueira.com!

Agora o Seringueira.com está de cara nova para facilitar ainda mais pra você!

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Atenciosamente,
Equipe Seringueira.com

Postado em 17/01/2011

Coxim discute sobre eucalipto e seringueira

As florestas plantadas têm crescido em um ritmo acelerado em Mato Grosso do Sul. Aos poucos, o segmento que está atraindo grandes investidores, vai se tornando um dos principais carros-chefes da economia do Estado. Por isso a importância de se discutir, atualizar e capacitar as pessoas envolvidas nessa cadeia produtiva.

Após as duas primeiras edições do seminário, em 2010, que levou informações sobre o setor aos produtores do interior, chegou a vez do município de Coxim receber o “3ª Seminário Plantar Floresta é um bom negócio – Eucalipto e Seringueira”, uma realização do Cointa e Famasul.

Ao todo serão dez palestras com os principais nomes do setor. Prova disso, é que essa edição vai contar com a palestra internacional, do argentino Martin Sanchez Acosta, um dos maiores especialistas em processamento de madeira sólida da América Latina. Ele vai falar, principalmente, sobre a experiência do desenvolvimento regional na Argentina baseado no uso do eucalipto.

Durante o evento também serão abordados alguns temas de interesse dos produtores como, o passo-a-passo para se plantar eucalipto, a forma de obter recursos para plantios florestais (FCO e Linhas de Crédito), Legislação Ambiental e Florestal de MS e o potencial florestal de Mato Grosso do Sul.

O Seminário será realizado no dia 24 de fevereiro, no Sindicato Rural de Coxim, localizado no Km 2 da rodovia MS 217.

As inscrições já podem ser efetuadas através do endereço eletrônico: www.seminarioflorestal.com.br, onde também podem ser obtidas mais informações.

Fonte: Redação – www.correiodoestado.com.br

Postado em 14/01/2011

Agricultores comemoram os resultados da safra de seringueira

Agricultores que cultivam seringueira em São Paulo estão comemorando os bons resultados da safra. A produção do látex está maior e os preços são compensadores.

As copas das seringueiras cheias e encorpadas significam uma safra de boa produção, que ganhou a ajuda muito importante do clima. A agricultora Naiara Ferreira administra a propriedade de 30 hectares em Bálsamo, na região noroeste de São Paulo. Na safra passada, foram extraídas 120 toneladas de látex. Agora, a expectativa é de uma produção ainda maior.

“Vamos ter um aumento de aproximadamente 10% em relação ao ano passado”, calculou Naiara.

O ouro dos produtores pinga dentro de canecas. Elas ficam cheias de látex. Além disso, o preço está bem competitivo. O valor médio do quilo é de R$ 2,50. No mesmo período do ano passado o produto era vendido por R$ 1,80.

O agricultor Antonio Carlos de Souza arrendou uma propriedade de cem hectares para plantar seringueiras. Ele está satisfeito com o investimento. “Com a entrada de produção de novas árvores em sangria que a gente está na propriedade, a gente espera um aumento de 30% na produção”, avaliou.

Mais lucro para ele significa geração de empregos e mais renda para o trabalhador rural José Féliz da Cruz, que tira o sustento da família no seringal. Dá para tirar uns dois mil. Até quem não sabe, está querendo trabalhar no seringal”, contou.

A mulher dele, a trabalhadora rural Lúcia Helena da Cruz, também é parceira na sangria do látex. “A gente espera que o tempo permaneça firme da maneira que está para que a gente possa trabalhar e continuar ganhando”, disse.

São Paulo é o principal estado produtor de borracha do país, com 58% da safra nacional.

Fonte: Globo Rural (http://globoruraltv.globo.com)

Postado em 10/01/2011

Agricultura de precisão é usada em seringais de MS

Com o desenvolvimento da AP (Agricultura de Precisão), novas técnicas permitem que cada área receba quantidades apropriadas de adubos e corretivos e tenha tratamento localizado de plantas invasoras, pragas e doenças que contemplem, além da aplicação minimizada de insumos, a redução de impacto ambiental. E um dos principais desafios da agricultura moderna é promover ganho de produtividade e economia de recursos.

Uma pesquisa que está sendo realizada em seringais do Estado de Mato Grosso do Sul busca, principalmente, diminuir o desperdício e gastos com insumos e aumentar a produtividade por hectare.

De acordo com o agropecuarista Evandro Dias Brandão, o projeto está sendo testado em cinco áreas piloto e, uma delas é na Fazenda Tambori, no município de Paranaíba a 410 km de Campo Grande capital sul-mato-grossense. “Depois de muitas conversas com professor doutor José Paulo Molin, da Esalq, conseguimos implantar o projeto. A AP já tem longo e vitorioso trabalho em outras culturas, sendo aplicadas por usinas e centenas de produtores. Agora vamos levá-la aos seringais para colher resultados similares”, afirma.

Fonte: Tribuna Livre

Postado em 09/01/2011

Pesquisadores de Sergipe testam o consórcio da seringueira com o cacau

Neste mês foi assinado um acordo de Cooperação Técnica entre a Seagri (Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Agrário do Estado de Sergipe) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, do Mapa/Ceplac (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

O objetivo é realizar estudos, pesquisas e implantação de unidades demonstrativas com plantio de cacau de sequeiro e em consórcio com seringueira, e outras três espécies além de sistemas agroflorestais (SAFs).

Os pesquisadores da Ceplac Paulo Marrocos, José Basílio Vieira, Uilson Vanderlei Lopes e Maria das Graças Parada apresentaram estudos em que apontam cinco modelos para as unidades demonstrativas no território sergipano. Dentre eles sistemas agroflorestais com cacaueiros, seringueira, a pleno sol em regiões de pastagens com irrigação.

O secretário Paulo Viana destacou que o centro-sul de Sergipe tem 14 municípios com economia baseada na citricultura (cultivo ou plantação de frutas cítricas) e onde há necessidade de diversificação econômica. “No atual Governo temos buscado a diversificação, principalmente pelos efeitos da monocultura e porque, embora a agricultura familiar esteja fortalecida, precisamos oferecer alternativas aos agricultores”, declarou, acrescentando que o estado é o segundo produtor nacional de milho, quinto maior produtor regional de leite e precisa de soluções agronômicas de curto prazo.

Ainda de acordo com Paulo Viana, a Ceplac é uma instituição nacional de reconhecida competência técnica na extensão rural e na pesquisa. “Temos certeza de que sua valiosa cooperação fortalecerá nosso projeto de ampliar a matriz agropecuária sergipana”, afirmou o secretário. À tarde os técnicos envolvidos fizeram o detalhamento do Programa de Trabalho e as fontes de financiamento para o projeto que inicialmente deve envolver entre 10 e 50 propriedades e ter duração de cinco anos.

Fonte: Plenario

Postado em 09/01/2011

Seringueira adaptável a mudanças climáticas

Segundo estudo realizado pelo Rubber Research Institute, em Agalawatte, no Sri Lanka, a seringueira está entre as três melhores colheitas para serem usadas para mitigar as alterações climáticas.

Isto se deve à sua adaptabilidade às variabilidades climáticas esperadas e às capacidades de fixação de uma quantidade considerável de dióxido de carbono durante sua vida útil econômica de 30 anos.

A seringueira pode ser cultivada com sucesso em áreas úmidas, com cerca de 5.000 mm de precipitação anual, e também em áreas secas, com menos de 2.000 mm de precipitação anual. Atualmente, o cultivo de seringueiras tem sido realizado a partir do nível do mar, até altitudes de 750 m.

Segundo tal centro de pesquisas, a seringueira é capaz de fixar por volta de 1 tonelada de dióxido de carbono durante o seu ciclo de vida econômica e, portanto, dentro de um hectare de borracha com mais de 300 árvores, um mínimo de 300 toneladas de dióxido de carbono está previsto para ser absorvido.

Fonte: Natural Comunicação

Postado em 09/01/2011

Seminário valoriza a silvicultura como alternativa econômica para o MS

O 2° Seminário Plantar Florestas é um Bom Negócio, que acontece em Inocência de 23 a 24 de novembro, traz como pano de fundo uma alternativa para a equação de elevar a produtividade da pecuária sem aumentar a área de pasto: a integração da floresta com a criação de gado. Realizado em setembro em Aparecida do Taboado, o evento vai abordar a cadeia produtiva da seringueira e do eucalipto a partir das perspectivas que a silvicultura traz para o agronegócio do Estado.

O presidente do Fórum da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, ressalta que além de favorecer o rebanho, uma vez que o gado precisa de sombra, o sistema de produção conjunta de madeira e gado é viável economicamente pelo elevação de produtividade. “A produção consorciada de florestas e pecuária aumenta a capacidade de suporte de animais por hectare, porque demanda o fortalecimento do solo”, destacou.

Para o dirigente, o desenvolvimento conjunto das atividades e, consequentemente, a elevação do rebanho nacional, poderia ser alavancada a partir da criação de linhas de crédito para a recuperação de pastagens. “Recuperar a pastagem significa aumentar a capacidade de suporte, porém, nem todos tem condições de aumentar o número de animais”, argumenta.

O seminário Plantar Florestas é um Bom Negócio é uma iniciativa do Paniel Florestal e tem o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS). O evento inicia às 8h30 de terça-feira, 23, com a palestra do diretor do Grupo Polifer, Getúlio Ferreira Junior, “Porque plantar seringueira é um bom negócio!”. Às 9h15 o engenheiro agrônomo da Fazenda Santa Helena, Marcos Murbach, fará a palestra “O manejo correto da seringueira”. Encerra a manhã o representante do portal Assisthe, Marco Cerqueira, com a palestra “O mercado de seringueiras e novas tecnologias”.

Na programação da tarde, a palestra “Porque plantar eucalipto é um bom negócio!”, com o engenheiro agrônomo Pedro Frâncio Filho; “Parcerias com o produtor rural”, com o diretor da Florestal Brasil, Antônio José, e palestras técnicas sobre a parceria pecuária e floresta.  Na quinta-feira, 24, pela manhã, haverá visitas técnicas a plantios de eucalipto e plantio de seringueira (Fazenda São Manoel).

Seminário – O 2° Seminário Plantar Florestas é um Bom Negócio apresentará ainda informações sobre investimentos, mercado e oportunidades de negócios. O evento será realizado no Centro Recreativo e Esportivo de Inocência/MS. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site: www.seminarioflorestal.com.br.

Postado em 20/11/2010

VII Ciclo de Palestras sobre Heveicultura Paulista

A Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Extensão – Funep realizará em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e com a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha – APABOR, nos dias 18 e 19 de novembro de 2010, o VII Ciclo de Palestras sobre Heveicultura Paulista, no município de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, visando ao intercâmbio de informações atuais referentes a essa cultura, e ao levantamento de demandas para pesquisa e agronegócio da borracha.

Nesta oportunidade, estarão reunidos cerca de 700 profissionais, entre estudiosos, pesquisadores, extensionistas, fornecedores e usuários das diferentes técnicas envolvendo o amplo leque da área de Heveicultura.

PROGRAMAÇÃO:

- Importância Sócio-Econômica da Heveicultura para o Estado de São Paulo
- Tecnologia de Aplicação para Controle de Plantas Daninhas, Pragas e  Doenças
- Clones Recomendados para o Estado de São Paulo
- Mercado da Borracha no Brasil: Situação Conjuntural e Futuro Imediato
- Modelo de Gerenciamento do Seringal: Gestão
- Cadeia Produtiva da Seringueira
- Seringueira e Novo Código Florestal
- Modelos de Implantação da Seringueira no Sistema Agroflorestal
- A Heveicultura na Guatemala
- Fatores que Determinam o Sucesso na Implantação da Cultura de Seringueira
- Fisiologia do Látex
- Novas Técnicas de Explotação do Seringal
- Propriedades Técnicas e Utilização da Madeira da Seringueira

Para maiores informações como local e valor acesse o site:
http://www.funep.com.br/novoeventos/mostrar_evento.php?id_eventos=180

Fonte: FUNEP – Fundação de Apoio a Pesquisa Ensino e Extensão (13/09/2010)

Postado em 15/09/2010

Serra investe na produção de borracha natural

O mercado de borracha natural está em ascensão. O principal consumidor do produto é o setor automobilístico, que atualmente importa do sudeste asiático a maior parte dessa matéria-prima, já que o Brasil não dá conta de suprir a demanda. De olho nesse mercado promissor, a prefeitura da Serra está investindo na cultura por meio da capacitação de profissionais que retiram a seiva das árvores.

A qualificação dos sangradores de seringueira acontece entre os dias 16 e 21 de agosto na Seringal do Capitão. Serão treinados 15 seringueiros, cujo salário médio está em torno de R$ 2 mil. Na programação, conhecimento de todo o material utilizado pelo profissional e treinamento nas árvores: tipos de sangria.

Além da proximidade com mercado consumidor, em especial estados da região sudeste, a Serra possui condições de favoráveis para a expansão da cultura, como grande quantidade de terras agricultáveis, e solo e clima propícios para o desenvolvimento da atividade.  A meta do município é passar da atual área plantada de 800 hectares para 1.050, em 2012, e 2 mil hectares, em 2025.

Segundo o secretário de agricultura da Serra, Bruno Silvares, a muda de seringueira pode ser plantada com outras culturas, como o café ou palmáceas, otimizando espaço e garantindo uma renda melhor para o agricultor.

Segundo informação de sites especializados, 70% da borracha consumida no país é proveniente da Ásia, o que representa um gasto diário de R$ 3,6 milhões. O preço da borracha natural está em torno de R$ 3,00, o quilo, um preço considerado excelente por analistas desta assunto.

O Espírito Santo contribui com cerca de 6% da produção nacional, o que representa 107 mil toneladas de borracha, plantadas em 13 mil hectares. Mais de 60% do território do município é composto por áreas rurais, mas somente uma pequena parte está ocupada.

Fonte: Redação Multimídia ES Hoje – www.eshoje.com.br (16/08/2010)

Postado em 09/09/2010

Silvicultura é alternativa lucrativa para produtores de MS

“Mato Grosso do Sul tem áreas extensas, que podem ser aproveitadas na silvicultura sem que haja prejuízo da produção de alimentos. O Estado tem características como localização estratégica, clima e solo que podem torná-lo uma potência do setor”. É o que afirma o diretor administrativo da Usina Santa Helena, Fernando Guerra. Atuando no ramo da indústria de borracha, Guerra esteve em Aparecida do Taboado nesta quarta-feira, 1 de setembro, como palestrante do 1° Seminário Plantar Florestas é um Bom Negócio.

O plantio de florestas, seringueiras ou eucalipto, é o setor do agronegócio que deve crescer no Estado junto a demanda da indústria de papel e celulose, carvão vegetal e produção de borracha. Nesse panorama, Aparecida do Taboado, região nordeste de MS, desponta com a possibilidade de se tornar polo produtor de seringueiras.

Para incentivar os produtores da região em relação a heveicultura (produção de látex), o Sindicato Rural de Aparecida do Taboado, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS) e Federação da Agricultura e Pecuária de MS promovem no município o seminário de silvicultura. O evento continua nesta quinta-feira, 2 de setembro, com a visita dos participantes ao viveiro de seringueiras e a um seringal já em fase de sangria (extração do látex).

Fernando Guerra, também mostrou ao público as questões referentes ao plantio da seringueira, que segundo ele precisa ser feito com base em informações para uma melhor produtividade. “Hoje, o Brasil importa 70% da borracha que precisa. A borracha é item de primeira necessidade porque é utilizada na produção de carros e até mesmo pela indústria farmacêutica. Eu busco látex até da Bahia para tentar suprir a demanda. Um produtor em Mato Grosso do Sul pode diversificar sua produção com a silvicultura e ainda aumentar os rendimentos”, avalia.

Com este mercado promissor para o Estado, que só de pastagens degradadas que podem se tornar florestas plantadas tem 9 milhões de hectares, de acordo com a Secretaria de Produção e Turismo (Seprotur), os produtores tem na silvicultura uma oportunidade. O presidente do Conselho do Senar, Ademar Silva Júnior, afirmou que os privilégios de MS para o plantio de florestas são muitos, inclusive a grande área de fronteira com outros estados brasileiros. “O objetivo de um seminário como esse é falar de negócio e oportunidade. A importância de se diversificar a produção, atrair indústrias e assim avançar”, resume.

Um dos obstáculos para quem produz seringueiras são os altos preços das mudas. Em Aparecida do Taboado, o problema foi resolvido com a implantação de dois viveiros: um do sindicato rural do município e outro na Escola Agrícola. Este último, implantado com a assistência técnica e capacitação oferecida pelo Senar aos produtores.

No primeiro dia em torno de 200 pessoas prestigiaram o seminário e mais de 800 assistiram pela internet. A organização é do Painel Florestal, Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (MS), Senar/MS e Prefeitura Municipal são parceiros.

Estiveram presentes representantes da Prefeitura Municipal de Aparecida do Taboado, a Famasul, Ademar Silva Júnior do Senar/MS, Cláudio Mendonça, do Sebrae e Sergio Longen da Federação das Indústrias de MS.

Fonte: AgoraMS.com.br (01/09/2010)

Postado em 09/09/2010

Nova linha de crédito pode expandir produção de borracha natural

Especialista prevê que se o Brasil se tornar autossuficiente no produto até 2030, surgirão mais de 200 mil empregos no setor.

A produção de borracha natural no Estado de São Paulo tende a se intensificar nos próximos anos. O incentivo vem da nova linha de financiamento do Banco do Brasil para a cultura da seringueira (Hevea brasiliensis), anunciada no final de abril, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro. O banco estatal abre o cofre e oferece R$ 20 milhões ao produtor com juros de 6,75% ao ano.

São Paulo produz 60% da borracha natural brasileira, em área plantada de 77 mil hectares, cultivados em quatro mil unidades (fazendas e outras propriedades). Mesmo assim, o Brasil ainda é um grande importador, porque produz por ano apenas 104 mil toneladas diante de um consumo interno de 254 mil toneladas por ano.

Por causa do ciclo produtivo da seringueira, a pessoa terá sete anos de carência e até 12 anos para quitar o débito. A árvore só começa a gerar o látex a partir do sétimo ano. O teto de crédito será de R$ 100 mil por tomador, limitado a R$ 7 mil por hectare. A diretoria do Banco do Brasil assegura que, se houver muita procura pela linha de financiamento, os recursos serão ampliados.

O assistente agropecuário Juliano Quarteroli Silva, da regional de Limeira da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), acredita que o novo financiamento chega em boa hora para o setor. “O produtor paulista sempre investiu com recurso próprio. Agora tem mais um incentivo”, diz. Estudioso do tema, Quarteroli lembra que, se a cultura nacional de seringueira evoluir no mesmo patamar tímido dos últimos anos, o Brasil continuará a importar por anos a fio um produto em que foi líder mundial até a metade do século passado.

FUNDO DE GARANTIA

Quarteroli ressalta também o aspecto social da heveicultura (plantio de seringueira). Ele informa que existem hoje em torno de 50 mil pessoas trabalhando com o produto no País, sem considerar o extrativismo na Amazônia. “Se a gente levar em conta que um seringueiro é capaz de cuidar de 5 hectares num plantio total de 50 mil hectares por ano, para suprir a demanda interna de borracha natural, até 2030, o potencial de geração de emprego no campo cresceria para 250 mil trabalhadores”, calcula.

Ele assegura que a hevea é uma cultural muito viável, pois atualmente um quilo da borracha natural custa R$ 2,50. “Plantar seringueira hoje, para colher daqui sete anos, funciona como se fosse um fundo de garantia”, brinca Quarteroli.

A seringueira é nativa da Amazônia, mas foi levada para o Sudeste Asiático, onde se adaptou e gerou novas espécies. Quarteroli informa que a produção mundial de borracha natural no ano passado somou 9,6 milhões de toneladas, sendo mais de 80% daquela região do mundo, onde se destacam Tailândia, Indonésia e Malásia.

ESTUDO PREMIADO

A indústria de pneu consome 75% de tudo que é extraído da seringueira. Um pneu de automóvel tem de 16% a 20% de borracha natural. Já para os aviões, a porcentagem chega à totalidade. “A natural ganha da sintética em termos de durabilidade, flexibilidade e resistência ao impacto. A natural substitui a outra em toda aplicação industrial, mas a recíproca não é verdadeira”, assegura o pesquisador da Cati.

Há segmentos em que o látex da Hevea brasiliensis é tão preponderante, como em mais de 400 tipos de material e dispositivo médico. Além disso, o produto também serve para produzir o tecido vegetal, usado em roupa e calçado. Quando a árvore envelhece, depois de 40 anos, propicia madeira de boa qualidade.

Quarteroli recebeu no mês passado o Prêmio Jayme Vasquez pela sua dissertação de mestrado Sistemas de Explotação de Clones de Seringueiras: Aspectos Agronômicos e Viabilidade Econômica. A entrega ocorreu durante o 5º Encontro da Borracha em São Paulo, na capital. O prêmio, que contempla o melhor trabalho sobre heveicultura (cultura da seringueira) a cada dois anos, é concedido pela Natural Comunicação, empresa especializada em informações sobre o mercado de borracha natural no País.

O jovem pesquisador realizou seu mestrado na Fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico, em Campinas. Este ano, cursa doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, com o tema Fenologia da Seringueira.

CULTURA SUSTENTÁVEL

Desde 1952, o Instituto Agronômico (IAC), hoje vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), mantém estações experimentais para obtenção de clones de seringueira com alto potencial de produção e resistência a pragas. As unidades estão nas cidades de Pindorama, Votuporanga, Mococa, Ribeirão Preto, Pariquera-Açu, Jaú e em Campinas, na Fazenda Santa Elisa, onde o agrônomo Juliano Quarteroli Silva cursou seu mestrado.

Em Campinas, o látex é retirado diariamente pelo seringueiro Henrique Luiz Cassiano Tomochigue, que aprendeu a técnica numa fazenda em Araçatuba, onde trabalhou vários anos. Ele conta que arranca apenas a casca da árvore, de quase um centímetro, para extrair o látex, sem cortar o tronco, o que atrairia pragas à árvore. Ele coloca o cadinho (espécie de cone) para armazenar o líquido branco e retira quatro dias depois, quando o látex já coagulou, virou borracha.

Experiente com a faca na mão, Henrique talha aproximadamente 1,2 mil árvores por dia, num processo feito sempre de um só lado do tronco. Meses depois, quando volta à mesma árvore, extrai o látex do outro lado para que o espaço aberto antes se regenere e volte a produzir normalmente. É uma cultura sustentável por dezenas de anos. O látex coagulado tem 53% de borracha, sendo o restante, água.

Fonte: Agência Imprensa Oficial (17/05/2010)

Postado em 19/05/2010

Projeto de Lei propõe ordenamento no plantio de seringueiras

Promover o desenvolvimento econômico-ambiental aliado à eficiência para melhorar a geração de empregos e qualidade de vida. É com este propósito que o deputado Antonio Azambuja (PP) propõe ao Estado de Mato Grosso, por meio de um projeto de lei, uma política de planejamento e ordenamento do plantio de seringueiras.

Com este objetivo, o parlamentar pretende ainda garantir a cooperação entre o governo e a iniciativa privada, assegurando o uso do solo pelas populações locais em sistema de reposição das plantas e contribuir para reflorestar áreas degradadas, de forma a assegurar o desenvolvimento sustentável.

“Com esse propósito vamos assegurar o desenvolvimento de diversas regiões do Estado, bem como garantir a utilização do seu espaço físico-territorial buscando valorizar as potencialidades econômicas e as diversidades”, destacou ele.

Outro ponto abordado pelo parlamentar é quanto ao Zoneamento do Plantio de Seringueira, que tem por objetivo geral a recuperação de áreas degradadas, com planos, programas, projetos e atividades que se utilizem das áreas já desmatadas, proporcionando o reflorestamento para garantir o percentual da reserva legal da propriedade e posse.

“A seringueira seria uma opção vantajosa tanto para o meio ambiente, quanto aos produtores e proprietários de terra, haja vista os grandes benefícios que o plantio desta espécie trará ao Estado do Mato Grosso”, concluiu Azambuja.

Uma pesquisa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Seder) mostra que Mato Grosso produz 13% da produção nacional em torno de 27 mil toneladas de borracha por hectare/ano. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Mato Grosso (Empaer) executa projeto de heveicultura há mais de 20 anos.

Atualmente estão em fase de execução dois experimentos de competição de clones nacionais e orientais, instalados em Rosário Oeste, e mais três experimentos de competição de clones nacionais em Juína, Sinop e São José do Rio Claro. O projeto conta também, com duas Unidades de Demonstração de Tecnologias com o uso de Ethrel instaladas em Rosário Oeste e em São José dos Quatro Marcos, e ainda, um Banco de Germoplasma (Rosário Oeste). O projeto é desenvolvido em Jaciara, Juína, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, São José dos Quatro Marcos, Sinop.

Fonte: Redação - www,odocumento.com.br (18/05/2010)

Postado em 19/05/2010

BB lança linha de crédito para apoiar cultivo de seringueiras

Guedes Pinto, vice-presidente de Agronegócios do BB: cadeia sustentável

O Sebrae-SP assinou com a Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) um convênio para melhoria dos processos e da gestão em 45 micro e pequenas propriedades rurais da região de São José do Rio Preto. Os produtores receberão a visita de consultores para identificar quais são as necessidades de cada um. A partir daí, serão sugeridas as mudanças necessárias para melhorar a gestão da propriedade, inclusive nas áreas de sanidade das seringueiras, bem como de plantio (espaçamento, adubação, entre outros) e colheita (sangria).

O Banco do Brasil e a Secretaria da Agricultura de São Paulo anunciam hoje, em Ribeirão Preto, a criação da primeira linha de crédito do país voltada exclusivamente para apoiar a manutenção, o desenvolvimento e a ampliação do cultivo de seringueiras.

Inicialmente alimentada com R$ 20 milhões em recursos próprios do BB, a nova linha poderá ser acessada apenas por produtores paulistas. Foi estabelecido um teto de R$ 100 mil por beneficiário, limitado ao orçamento de R$ 7 mil por hectare. O prazo de pagamento é de até 12 anos, incluídos sete de carência, e os juros anuais são de 6,75%.

“O apoio do banco para a heveicultura no Estado de São Paulo propiciará condições especiais no prazo de pagamento e carência do financiamento, fortalecendo a cadeia produtiva, promovendo a geração de emprego e renda”, afirma o ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de Agronegócios do BB.

Segundo ele, a cadeia da borracha é sustentável, “à medida que evita processos erosivos de solos e protege mananciais”, e é uma boa alternativa às fontes não renováveis do produto sintético. São Paulo consolidou-se nos últimos anos como o principal produtor de borracha do país.

A criação da linha é uma resposta ao desafio proposto no ano passado pelo secretário da Agricultura do Estado, João Sampaio, ele próprio produtor e um dos maiores entusiastas da cultura. “O segmento precisava, e a linha é um ótimo exemplo de diversificação do Banco do Brasil”, disse.

Sampaio reconhece que a linha ainda é pequena, mas informa que o valor poderá aumentar caso exista demanda. Se houver tomadores para todo o montante inicial, mais 6 mil hectares poderão ser ocupados com seringueiras em São Paulo. Em sete anos, seriam mais 10 mil toneladas.

Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculada à Secretaria da Agricultura, o plantio de seringueiras ocupou pouco mais de 77 mil hectares no Estado em 2008, divididos em cerca de 4,4 mil propriedades. Em 1996, eram menos de 2,5 mil propriedades, em 40 mil hectares. Na mesma comparação, a produção aumentou de 43,5 mil para 122 mil toneladas de borracha.

Levando-se em consideração o preço do coágulo – a borracha bruta no campo, com água e impurezas -, o valor da produção agrícola (“da porteira para dentro”) da borracha em São Paulo passou de R$ 42 milhões, em 1996, para R$ 246 milhões em 2008. No ano passado, contudo, o valor caiu para R$ 171 milhões.

“As perspectivas para 2010 são de recuperação”, acredita Sampaio. De acordo com o secretário paulista, em 2008 o quilo de coágulo foi negociado, em média, por R$ 2 no mercado paulista, valor que caiu para pouco mais de R$ 1 em 2009 e que atualmente está em torno de R$ 2,60, com a preciosa colaboração do aumento da demanda por parte da indústria automobilística.

Fonte: Fernando Lopes, de São Paulo – Valor Online (26/04/2010)

Postado em 26/04/2010

Sebrae-SP assina convênio com produtores e beneficiadores de borracha

O Sebrae-SP assinou com a Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) um convênio para melhoria dos processos e da gestão em 45 micro e pequenas propriedades rurais da região de São José do Rio Preto. Os produtores receberão a visita de consultores para identificar quais são as necessidades de cada um. A partir daí, serão sugeridas as mudanças necessárias para melhorar a gestão da propriedade, inclusive nas áreas de sanidade das seringueiras, bem como de plantio (espaçamento, adubação, entre outros) e colheita (sangria).

O convênio prevê investimentos de R$ 280 mil nestas propriedades. “Nosso objetivo é aumentar a capacidade produtiva da região para uma média de duas toneladas e meia por hectare, por ano”, disse o gestor do projeto pelo Sebrae-SP, Wagner Antonio Jacometi.

“Esperamos que o trabalho desenvolvido nestas propriedades sirva de referência para que outros heveicultores possam se interessar em capacitação.” O convênio faz parte do programa Soluções, Inovações e Tecnologias para Micro e Pequenas Empresas, do Sebrae.

São Paulo é o maior produtor de borracha do Brasil, e a maior parte da produção nacional se concentra no Noroeste do Estado. A heveicultura vem sendo adotada a cada ano por um número maior de proprietários de micro e pequenas propriedades rurais, já que se adequa muito bem à agricultura familiar. Segundo a Apabor, o mercado é promissor: o Brasil produz hoje apenas um terço do que consome e gasta anualmente R$ 600 milhões importando borracha.

Fonte: APABOR (20/03/2010)

Postado em 21/03/2010

Ministério da Saúde já investiu R$ 30 mi em fábrica de preservativo

Com a chegada do período de carnaval, as discussões sobre o uso de camisinha se intensificam. A primeira fábrica de preservativos masculinos do Brasil a usar látex de seringueira nativa foi inaugurada em abril de 2008, em Xapuri, no Acre. O Ministério da Saúde desembolsou cerca de R$ 30 milhões com o empreendimento. Além dos R$ 15,7 milhões aplicados entre 2005 e 2008 para a implantação da fábrica, o ministério gastou outros R$ 13,5 milhões para o desenvolvimento de pesquisas de prevenção a Aids e à capacitação técnica de 500 extrativistas da região. Em contrapartida, a Preservativos Natex, como ficou conhecida a empresa, produziu para o ministério cerca de 60 milhões de unidades entre outubro de 2008 e o fim do ano passado. Outras 100 milhões de camisinhas devem ser entregues ainda este ano.

Apesar de ter sido inaugurada e  2008 e estar em pleno funcionamento, o convênio para a implementação da fábrica, firmado entre a Saúde e a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), que intermediou a construção, foi prorrogado até o final de abril deste ano, conforme mostra o nono termo aditivo publicado no Diário Oficial da União em novembro de 2009. De acordo com a assessoria do ministério, os aditivos posteriores à inauguração da fábrica não autorizaram mais recursos financeiros federais e são do tipo temporal – “quando o convenente (neste caso a Funtac) pede mais tempo para, entre outras finalidades, preparar a prestação de contas relacionada aos recursos recebidos”.

O empreendimento, de acordo com o Ministério da Saúde, gera cerca de 150 empregos diretos e envolve 550 famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes, responsáveis pela extração do látex para produzir o preservativo. A matéria-prima coletada fica em dez pontos de armazenamento na floresta, até seguir para a fábrica. A implantação do complexo de preservativos masculinos em Xapuri contou também com investimentos do Ministério da Integração, da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), da Eletronorte e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Xapuri – terra do seringueiro Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988 – tem aproximadamente 15 mil habitantes, dos quais 25% são seringueiros na zona rural. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, para a fábrica, serão extraídas 500 mil toneladas de látex por ano, o que corresponde a 8% da produção anual de todo o estado. Por ano, o Acre produz 6,2 milhões de toneladas de látex.

A decisão do empreendimento baseou-se em estudos de viabilidade técnica e econômica que envolveu a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Funtac e outros órgãos do governo estadual, e a Cooperativa Agro-extrativista de Xapuri (Caex), além de empresas privadas.  De acordo com a assessoria da Saúde, a ideia de construir a fábrica partiu da necessidade de investir na indústria nacional de produção de preservativos, diminuindo a dependência de importação do insumo.

465 MILHÕES DE CAMISINHAS DISTRIBUÍDAS EM 2009

No ano passado, o Ministério da Saúde bateu um novo recorde de distribuição de preservativos masculinos. Foram repassadas 465 milhões de camisinhas às secretarias estaduais de saúde em todo o país. O número representa três vezes mais do que fora disponibilizado em 2007, cerca de 120 milhões. Só em janeiro deste ano, foram espalhadas 55,2 milhões camisinhas masculinas, número pouco menor do que a Preservativos Natex produziu para o ministério da Saúde desde sua inauguração.

De acordo com Mário Ângelo, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, em geral o Brasil importa preservativos da China, Índia e Coréia, o que onera os custos de compra. “Com a produção do látex em escala, poderemos ter preservativos a custos bem menores que os atuais”, afirma o especialista, que também é coordenador do Pólo de Prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids da universidade.

Ele acredita que as campanhas sobre uso de preservativos durante o carnaval são muito importantes, mas alerta para o risco da associação temática entre o carnaval, a prevenções de gravidez não desejada e as DSTs. “Corre-se o risco de banalizar o preservativo, reduzindo seu uso ao momento do carnaval. Preservativos devem ser usados durante todo o ano, com fácil acesso e com campanhas permanentes estimulando seu uso”, destaca Ângelo.

Fonte: Fatima News (15/02/2010)

Postado em 19/02/2010

Unesp: Alunos da FCA implantam Sistema Agroflorestal em aterro sanitário no município de Neves Paulista/SP

Foram plantadas quatrocentas mudas de seringueira e quatrocentas de café numa área de 1,2 hectares onde será depositado o lixo orgânico do município.

Cinquenta estudantes dos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, câmpus de Botucatu, implantaram, no dia 5 de fevereiro, o 1º Sistema Agroflorestal (SAF) de seringueira com café em aterro sanitário, no município de Neves Paulista/SP.

Foram plantadas quatrocentas mudas de seringueira e quatrocentas de café no aterro sanitário de 1,2 hectares que, a partir de agora, passa a receber o lixo orgânico do município. O material, recolhido através de coleta seletiva, será depositado em valas instaladas junto às áreas de cultivo.

O SAF tem o objetivo de desenvolver um processo alternativo e sustentável de recepção do lixo orgânico com baixo impacto ambiental e é considerado um novo paradigma de sustentabilidade.

O Sistema pode reunir diversas culturas numa única área. “Ao implantar o SAF num aterro sanitário será possível conciliar importantes serviços ambientais com benefícios ecológicos, econômicos e sociais a partir da geração de emprego, renda e retorno financeiro através da produção de látex e café na área” explica o professor Valdemir Rodrigues, do Departamento de Recursos Naturais da FCA.

O projeto do SAF foi desenvolvido pela FCA e oferecido à Prefeitura Municipal de Neves Paulista que, através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, encampou a idéia. O custo para o município foi zero, pois a FCA desenvolveu e implantou o projeto e as mudas foram doadas pela Polifer, empresa especializada em produção de mudas de seringueira.

A implantação do SAF também disponibiliza para a comunidade um laboratório vivo de educação ambiental, com a possibilidade de receber aulas práticas para os estudantes de ensino fundamental, médio e universitário. “Um ambiente que seria degradado agora se apresenta como uma alternativa sustentável para contribuir com a conservação da natureza e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas”, diz o professor Rodrigues.

As atividades de implantação do SAF em Neves Paulista foram realizadas como parte das aulas práticas de Heveicultura (cultura da seringueira), sob a coordenação do professor Valdemir Rodrigues. A coordenação discente do projeto ficou a cargo das estudantes Paula Nepomuceno Costa, Janaina Scotton e Magali Furlan Nehemy.

Fonte: Assessoria de comunicação da Unesp

Postado em 19/02/2010

Produção de Borracha

Produtores de borracha de São Paulo estão preocupados com a safra. A chuva em excesso está atrapalhando o trabalho nos seringais e comprometendo a qualidade do látex.

As seringueiras de quase 20 anos estão em fase de produção. Na área de 11 hectares em Buritama, no noroeste de São Paulo, a agricultora Nelcina Falleiros tem 7,2 mil árvores. Mas a chuva em excesso tem prejudicado a produção de látex. “Aqui agora está produzindo muito pouco. Está produzindo uma média de dois mil quilos a cada 15 dias. Isso não é normal. O normal são dois mil quilos por semana”, disse.

A chuva em excesso atrapalha a produção porque o trabalho não pode ser feito. O corte no caule da seringueira é necessário para que a seiva escorra. Sem ele não é possível a extração do látex.

Segundo os produtores, com a chuva a casca da seringueira fica úmida, o que dificulta a sangria. Além disso, o recipiente onde cai o látex enche de água e o produto é perdido.

Esses são os problemas do agricultor Oscar Pirassol. Na lavoura de três mil seringueiras ele teve uma queda na produção que ultrapassa os 50%. “Eu tenho uma produção de aproximadamente 500 quilos por mês. Isso é pouco porque a chuva atrapalha a sangria. Normalmente, eu colho uma média de 1,5 mil a dois mil quilos por mês em três mil árvores”, avaliou.

A cidade produz duas mil toneladas de látex por ano e tem quase 700 mil pés de seringueiras. Isso porque o clima sempre foi favorável para a cultura.

“A chuva moderada ajuda na produção da seiva. Mas 2009 e esse início de 2010 está sendo um ano atípico, com excesso de chuva que atrapalha a produção”, explicou a agrônoma Mirele Vinhas Voltolini.

São Paulo é o principal produtor de borracha do país, com 34% da safra nacional.

Fonte: Globo Rural (26/01/2010)

Postado em 19/02/2010

Técnica de enxertia eleva produção de borracha em Mato Grosso

Após 24 anos de experiências, chegou-se à fórmula ideal do chamado ‘tricomposto’, resistente a doenças

A partir de 2010, Mato Grosso produzirá 2,3 toneladas de borracha seca por hectare/ano. No Sudeste Asiático, o maior produtor mundial, a produção é de 2 t/ha/ano. É o que afirma o agrônomo Roberto Yokoyama. Chegar a esse índice, diz ele, é resultado de 24 anos de experiências desenvolvendo enxertias com o tricomposto, técnica que cria uma planta com duas enxertias: uma para o caule, oriunda do clone malesiano RRIM 600, e o outra para a parte aérea, o IAN 6543, que resultou num material tolerante ao fungo Microcyclus ulei, do mal das folhas, e mais resistente aos ataques de ácaro e percevejos de renda.

A técnica do tricomposto não é novidade, mas em Mato Grosso está sendo bem sucedida. O agrônomo diz que “a sorte foi ter encontrado dois materiais que interagiram numa combinação perfeita”.

As experiências na Guaporé Agropecuária, em Pontes e Lacerda, começaram em 1985/1986, quando seis tipos de combinação com RRIM 600 foram instalados. Foram avaliadas 180 plantas. Em 1997 a experiência foi feita numa escala maior, em 500 hectares, com 500 plantas. Os resultados foram bons. Em uma década, essa produção cresceu 13,6%. Em 1999, a quantidade produzida nos seringais do Estado totalizou 26.400 toneladas e este ano subiu para 30 mil toneladas, para uma área plantada 11% menor. A meta é começar a produção de seringueira com o tricomposto em 6 mil hectares com seringal nativo, até atingir os 160 mil hectares.

Fonte: FÁTIMA LESSA – O Estado de S.Paulo

Postado em 11/12/2009

Felizes com a borracha

Produtores de borracha de São Paulo estão satisfeitos com a safra deste ano. Além de a produtividade ser maior, houve aumento no preço da cultura.

As sete mil seringueiras do sítio do agricultor Nilton Troleis devem produzir nesta safra 30 toneladas de borracha. Esse é o resultado da boa produtividade nos seringais do noroeste paulista. Este ano, a produção total de cada pé deve ser até 20% maior do que na safra passada.

As chuvas nos meses de setembro e outubro anteciparam o início do período em que as seringueiras começam a produzir mais. Nesta época, por exemplo, os produtores costumam colher 300 gramas de coágulos por árvore. Mas, com a umidade maior, esta quantidade já dobrou.

Além do clima favorável, o preço anima os produtores. No início de 2009, quando chegou ao setor o reflexo da crise econômica mundial, o quilo do coagulo chegou a valer R$ 1,10, o menor preço nos últimos quatro anos.

Com a retomada das compras pela indústria automobilística, a maior consumidora da matéria-prima, o preço reagiu.

“Nós tivemos uma retomada muito significativa. Então, nós partimos de uma condição em fevereiro desde ano de US$ 1,3 mil a tonelada. Hoje, estamos numa condição de US$ 2,5 mil no mercado internacional. Esse US$ 2,5 mil é um preço acima da média histórica da borracha”, falou Troleis.

O agricultor Paulo Dantas deve colher nesta safra cem toneladas nos 13 mil pés em produção. Ele está satisfeito com os preços e com a possibilidade do aumento do lucro com a cultura. Tanto que já aumentou a área plantada e pretende continuar a expansão. “Tenho algumas em cana que assim que terminar os contratos, a gente vai investir em seringueira também”, planejou.

No Brasil, o preço do quilo do coágulo está saindo por R$ 1,55. São 45% mais que o registrado no mesmo período do ano passado.

Fonte: Globo Rural (30/11/2009)

Postado em 04/12/2009

Maggi lança programa de incentivo da seringueira para ampliar produção

O governador Blairo Maggi (PR) participou neste sábado (14), em Pontes e Lacerda (450 km a Oeste de Cuiabá) do Dia de Campo na Fazenda Triângulo, do grupo Guaporé Pecuária. O grupo faz parte de empresas âncoras do Programa de Desenvolvimento Regional – MT Regional. O governador visitou três estações de pesquisa da fazenda, que possui cerca de 1,5 milhão de pés de seringa. Na ocasião, Maggi apresentou o programa de incentivo da seringueira em Mato Grosso. As informações são da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom-MT).

O Programa de Implementação da Heveicultura no Estado de Mato Grosso tem como meta transformar o Estado no segundo produtor de borracha natural do Brasil em um prazo de 20 anos. Serão atendidas 30 mil famílias e serão gerados aproximadamente 150 mil empregos indiretos. O orçamento é de R$ 89 milhões que serão custeados pelos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com o governador Blairo Maggi, trata-se de um grande avanço do Estado no sentido de diversificar as culturas existentes e resgatar uma dívida histórica já que o Estado na década de 20 era o maior produtor de borracha do país. “É um grande avanço dessa cultura desejável que vai ao encontro com as reservas legais e as áreas de preservação ambiental”, afirmou.

“A proposta do Governo é fixar o homem no campo e, com isso, evitar o êxodo rural. Além de promover a qualidade de vida entre os pequenos produtores mato-grossenses”, destacou Blairo Maggi.

O prefeito de Pontes e Lacerda, Newton Miotto, disse que a proposta do Governo é bastante eficaz em criar alternativas que favorecem o fortalecimento da agricultura familiar. Segundo ele, a Prefeitura disponibiliza um viveiro clonal construído em parceria com o Governo via MT Floresta. O espaço disponibiliza 60 mil mudas. São repassados dois hectares de mudas de seringueira para cada produtor. O objetivo, segundo Miotto é elevar para seis hectares para os próximos anos.

Conforme o secretário de Projetos Estratégicos, José Aparecido dos Santos, Mato Grosso passará por uma outra realidade consistente na cultura da seringueira. O secretário considera um resgate histórico o fato do Governo promover o desenvolvimento dessa cultura entre os municípios. “São inúmeros benefícios que serão proporcionados entre eles a reposição florestal, aumento da renda e geração de emprego no campo”, avaliou.

Atualmente o Estado é o terceiro maior produtor de látex do país com 13,9% da participação nacional. São Paulo é primeiro com 54,6%; seguido pela Bahia com 16,2% da produção de borracha. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2005. A produção nacional é de 110 toneladas por ano.

CONSUMO

O consumo do país é de 370 mil toneladas de borracha. O Brasil importa dois terços do látex que consome. Os maiores produtores são os países do Sudeste Asiático – Tailândia, Indonésia e Malásia.

Até 1920 o país era o maior produtor de borracha do mundo. Eram produzida em média 45 mil toneladas de modo extrativista. Houve um retorno da produtividade em 1970 com o desenvolvimento de técnicas e o incentivo do Governo Federal por meio do Programa de Incentivo à Produção de Borracha (Probor), que chegou a ter três edições durante o processo de implantação em todo o país.

INDÚSTRIAS

O Estado de Mato Grosso possui três indústrias de beneficiamento de borracha. A maior unidade está instalada no distrito de Ouro Branco, pertencente ao município de Itiquira, localizado na região Sul do Estado.

Para o governo de Mato Grosso, o beneficiamento da borracha in natura é autosuficiente quanto à demanda de matéria-prima. Segundo Maggi, com o fortalecimento da cultura nos próximos anos, caberá ao Governo oferecer medidas, como é o caso de incentivos fiscais como a isenção de ICMS, para instalação de novos investidores para acompanhar o desenvolvimento da cadeia produtiva.

O governador Blairo Maggi disse que os investimentos dependem não só do Governo, mas sim da iniciativa privada e outros setores financeiros. “Com a idealização do programa da heveicultura vamos lutar para a instalação de uma indústria de pneus para máquinas pesadas aqui em Mato Grosso”, destacou.

Fonte: olhardireto.com.br – Dados: Secom-MT

Postado em 16/11/2009

Produção de borracha aumenta 13,6% em MT

A produção de borracha em Mato Grosso cresceu 13,6% na última década. Em 1999, a quantidade produzida nos seringais do Estado totalizou 26,4 mil toneladas e este ano subiu para 30 mil toneladas. A variação é pequena, mas não pode ser subestimada já que no mesmo período a área plantada reduziu 11,3%, baixando de 44 mil hectares para 39 mil hectares (dados extraoficiais). A borracha foi uma das riquezas do Estado, com bastante relevância para a economia mato-grossense no século passado.

A produção de borracha em Mato Grosso cresceu 13,6% na última década. Em 1999, a quantidade produzida nos seringais do Estado totalizou 26,4 mil toneladas e este ano subiu para 30 mil toneladas. A variação é pequena, mas não pode ser subestimada já que no mesmo período a área plantada reduziu 11,3%, baixando de 44 mil hectares para 39 mil hectares (dados extraoficiais). A borracha foi uma das riquezas do Estado, com bastante relevância para a economia mato-grossense no século passado.

Para se ter uma noção, na década de 1980, o Estado contava com uma plantação total de 63 mil hectares, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão que estima que a plantação estadual neste ano seja igual à de 10 anos atrás, informação que difere da apurada pelos institutos de pesquisa mato-grossenses, que apontam para um plantio inferior a 40 mil hectares. O levantamento estadual é apurado junto aos produtores.

A redução no plantio de seringueiras tem motivos. A falta de investimento nos seringais, especialmente na multiplicação de clones de boa genética (que garantem alta produtividade) fez com que os produtores aos poucos fossem abandonando a cultura, e com isso a área plantada registrou gradativa queda ao longo dos últimos 10 anos. E para passar a ser um dos importantes produtores nacionais, institutos de pesquisa como a Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer) começaram a desenvolver estudos com a borracha, no intuito de aumentar a produtividade.

Novos clones, de maior potencial produtivo voltaram a ser cultivados e a expectativa é que a heveicultura mato-grossense seja retomada e passe a ser uma nova fonte de renda, especialmente para os pequenos produtores, já que uma das características desta atividade é a fixação do homem ao campo, uma vez que os trabalhos são manuais e é necessário acompanhamento constante das plantações.

O engenheiro agrônomo David da Silva, que pesquisa borracha pela Empaer há 25 anos, lembra que no passado, com a baixa produtividade das seringueiras e a falta de tecnologia para fomentar a produtividade, a produção aos poucos foi deixada de lado, cedendo espaço para culturas mais rentáveis. Ele afirma que houve um período em que o preço da borracha caiu, o que se caracterizou como mais uma razão para abandonar a atividade.

“Entre 1980 e 1985, o Estado participou do Programa de Incentivo à Produção de Borracha Natural (Probor) e elevou a área plantada para 63 mil hectares, mas como o preço no mercado estava em baixa, muitos produtores ficaram desmotivados, já que o produto importado tinha o preço tão competitivo quanto o produzido em território nacional”.

Fonte: Instituto Tecnológico da Borracha (www.iteb.org.br)

Postado em 11/11/2009

Michelin vende área de seringueiras em MT

A Plantações Michelin do Mato Grosso, controlada pela multinacional francesa dos pneus, acertou a venda de uma área com cerca de 8 mil hectares plantados com seringueiras, no município de Itiquira (MT), para o Grupo Maggi. O valor da transação não foi revelado. A decisão de abandonar a exploração agrícola extensiva da seringueira na região se deveu, segundo a empresa, a razões climáticas.

” Concluímos que não valia a pena manter a produção em escala industrial porque as árvores não davam uma produtividade que justificasse a atividade agrícola em função das condições agroclimáticas ” , disse Carlos Eduardo Pinho, diretor de comunicação da Michelin para a América do Sul.

Dados da empresa mostram que, a partir de 2003, a produtividade nos seringais de Itiquira situaram-se, em média, em menos de uma tonelada de borracha seca por hectare ao ano. Em São Paulo, o maior produtor do país, a média fica em torno de 1,5 tonelada por hectare. Na África e na Ásia, a produtividade é de cerca de 2 toneladas por hectare.

Pinho disse que a decisão da empresa de se instalar em Mato Grosso foi tomada há 30 anos, quando a Michelin quis fazer uma experiência de plantio de seringueira onde não houvesse o fungo Microcyclus-ulei, o chamado mal das folhas. Essa é uma praga presente nas regiões úmidas da América do Sul. O fungo faz as árvores mais antigas perderem até 50% de produtividade e as mais novas ficarem mirradas e até morrerem.

A empresa comprou 10 mil hectares em Itiquira e iniciou uma plantação industrial, o que envolveu trabalho de correção de solos, formação de viveiros e adaptação das seringueiras à região. Também montou-se uma fábrica para beneficiamento da borracha. A partir do início desta década, constatou-se que as árvores não tinham a mesma produtividade de outras regiões.

Pinho disse que a Michelin vai manter a fábrica de beneficiamento, com capacidade de sete mil toneladas por ano a qual será abastecida com matéria-prima comprada de terceiros. ” Também vamos manter a assistência técnica aos produtores da região e a pesquisa sobre resistência ao fungo [que não atacou as árvores em Itiquira] ” , disse. Segundo ele, dos 580 funcionários da empresa em Mato Grosso, 70 continuarão empregados. Entre os demitidos, 180 famílias poderão se candidatar a um programa de agricultura familiar do governo.

Fonte: Francisco Góes – Valor

Postado em 06/11/2009

SP: látex extraído da seringueira é usado na produção de tecidos

A técnica já é aplicada de forma artesanal no norte do país. No município de Magda uma fábrica está conseguindo produzir em escala industrial.

O látex extraído da seringueira está sendo usado na produção de tecidos em São Paulo. A técnica já é aplicada de forma artesanal no norte do país. Mas no município de Magda, uma fábrica está conseguindo produzir em escala industrial.

Foram 15 anos trabalhando no seringal da família, mas o agricultor Tony Ferreira não queria mais apenas vender o látex produzido para usinas de beneficiamento. “Nós ficávamos muito nas mãos dos usineiros. Então, a gente corria aquele valor instável”, disse.

Ele levou do norte do país a técnica artesanal de transformar o látex em tecido. Mas o processo foi adaptado para escala industrial. Vinte toneladas de látex líquido são transformadas em 30 mil metros de tecido vegetal de varias cores e espessuras.

“O látex fica armazenado no reservatório, descendo por gravidade, espalmado em cima de uma manta de tecido ecológico, de algodão ecológico”, explicou Ferreira.

São várias as etapas de secagem até o produto ficar pronto. A resistência, segundo os fabricantes, é semelhante à do couro e de materiais sintéticos, feitos a partir de derivados de petróleo. Mas o preço ainda é 20% maior.

Dez anos de pesquisa fizeram o látex do seringal se transformar em matéria-prima para uma grande variedade de produtos. O chamado tecido vegetal é vendido principalmente para indústrias de calçados, confecções e de artigos esportivos.

A jaqueta, o colete e a calça parecem de couro, mas tudo é feito a partir do tecido de látex, que também serve para fazer tênis, coturnos, bolsas e nécessaire. O destaque é para a bola, que parece comum, mas é muito especial.

Fonte: Globo Rural (Assista o vídeo)

Postado em 26/10/2009

Análise comparativa da heveicultura no Estado de São Paulo

RESUMO: Este estudo teve por objetivo analisar a cultura da seringueira nos aspectos socioeconômicos, tecnológicos, agronômicos e ambientais relevantes para a heveicultura no Estado de São Paulo. Analisaram-se as diferenças entre os períodos de 1995/96 e 2007/08.

O universo do estudo são os heveicultores paulistas enumerados no levantamento Censitário de Unidades de Produção Agropecuária (Projeto LUPA), realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, nos períodos 1995/96 e 2007/08.

Para avaliar a dinâmica da substituição de uso do solo entre os heveicultores, ou seja, se aumentaram ou introduziram a atividade, foi realizada uma segmentação destes por meio da análise de agrupamento.

Concluiu-se que o setor está crescendo com sinais claros de expansão de área, sendo esta uma lavoura estratégica do ponto de vista do emprego agrícola, mais precisamente, na fixação de famílias residentes no meio rural.

A expansão da cultura da seringueira é relevante sobre o prisma ambiental pela sua capacidade de estocar carbono, bem como por substituir pastagens mal manejadas, que contribuem para o aumento do teor de carbono na atmosfera.

Clique aqui e veja o documento completo.

Fonte: IEA – Informações Econômicas (set/2009)

Postado em 26/10/2009

Proposta prevê advertência em embalagem de produto com látex

DADO: DIFICULDADE DE INFORMAÇÃO COLOCA EM ALTO RISCO QUEM TEM ALERGIA AO LÁTEX.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5349/09, que determina a impressão de alerta na embalagem de produto que contenha látex. A substância é utilizada na fabricação de produtos como luvas, balões, sondas e cateteres.

De acordo com o autor do projeto, deputado João Dado (PDT-SP), cerca de 8% da população é alérgica ao látex e pode sofrer reações que vão desde “uma simples urticária até um choque anafilático”.

“Não é muito simples estar informado sobre quais produtos contêm ou não látex em sua composição. Essa dificuldade coloca em alto risco quem tem alergia à substância”, afirma João Dado.

Pela proposta, os infratores poderão ser punidos com medidas previstas no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), como multa, apreensão do produto e cassação de licença do estabelecimento; ou relacionadas a infrações sanitárias.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-5349/2009

Fonte: Agência Camara (agencia@camara.gov.br)

Postado em 09/08/2009

Preço mínimo contínuo para o látex e borracha natural de seringueira: uma necessidade urgente

Preço mínimo contínuo para o látex e borracha natural de seringueira: uma necessidade urgente: Plantação de seringueiras no Acre

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2008, foram gastos US$ 454.513.085 somente com a compra de borracha natural granulada ou prensada. A compra externa de todos os produtos derivados de extrativos de seringueira teve um custo total superior a US$ 660 milhões com base em transações realizadas na forma FOB (Free on Board), em que as obrigações dos exportadores terminam quando a carga está no navio, livre para iniciar o transporte ao país importador. Considerando o dólar a R$ 2,20, mais de 1 bilhão e quatrocentos e cinquenta mil reais foram gastos. O continente asiático tem um excedente de 35% em relação ao seu consumo interno. Essa cifra corresponde ao consumo dos continentes europeu e americano.

Curiosamente, na África há um excedente de 1%, ou seja, o continente é autossuficiente em borracha natural, sendo exportado o excesso. A Malásia, Tailândia, Indonésia, Sri Lanka, Tibet, Vietnã, Laos, Índia e China compõem a lista de países produtores na Ásia. O Brasil, país de origem e centro de maior diversidade genética da seringueira, importou 220.959.374 kg de borracha natural, ou seja, aproximadamente 221 mil toneladas em 2008. Além dessa quantidade, foram importados 22.748.924 kg de látex, ou seja, aproximadamente 23 mil toneladas nesse mesmo ano.

Na Amazônia, grandes áreas de terra encontram-se degradadas, sem função econômica, social ou ambiental adequada. Essas áreas, anteriormente cobertas com floresta tropical primária, foram modificadas para atender às necessidades de produção de alimentos, mas por razões técnicas e econômicas foram abandonadas e constituem áreas degradadas que precisam ser incorporadas a sistemas produtivos. Além disso, a Política de Valorização do Ativo Ambiental Florestal do Acre criou, por meio do Programa de Florestas Plantadas, uma circunstância favorável à implantação de florestas e agroflorestas com seringueira. Deste modo, o crédito para a consolidação do sistema produtivo é ofertado pelo Banco da Amazônia com período de carência de 12 anos, prazo de 20 anos para pagamento e taxa de, no máximo, 4% ao ano.

A Embrapa Acre, por meio do programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação com seringueira, visa contribuir de modo significativo para o êxito do Programa de Florestas Plantadas com seringueira no estado. Entre os parceiros desse projeto estão a empresa Plantações Michelin da Bahia Ltda (Michelin), o Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développment (Cirad), o Governo do Acre (Deracre, SEF, Seaprof), Embrapa Amazônia Ocidental, Guaporé Pecuária S.A., Sibá Machado e família Radaeli (Bujari, AC). A produção esperada no Acre com novos clones de seringueira é de mil quilos de borracha úmida por hectare/ano. Ao preço de R$ 2,00 o quilo de borracha úmida, é possível obter R$ 12 mil por ano em 6 ha. Essa renda possibilita uma remuneração bruta de R$ 55,55 ao dia, ou R$ 1.333,33 ao mês durante 9 meses.

Com o preço atual da borracha úmida a R$ 1,20 o quilo, mesmo somando-se ao subsídio de R$ 0,70 por quilo, o investimento torna-se menos atrativo e competitivo em relação à pecuária de corte. Uma solução para esse problema de mercado é a política de preço mínimo implantada pelo Governo Federal e administrada no Acre pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

No Comunicado Conab nº 004 de 27/2/2009, o preço mínimo da borracha natural é de R$ 3,50 para a modalidade subvenção ou complementação, válido de julho de 2008 a 30 de junho de 2009. Este dinheiro é importante para aumentar a renda dos produtores, entretanto, nenhum deles, até março de 2009, havia buscado esse recurso na Amazônia. Para entender como funciona o mecanismo de apoio ao setor, se o mercado paga R$ 0,90 pelo quilo da borracha, o governo repassa ao produtor indiretamente, por meio de associação ou cooperativa, mais R$ 2,60 para cada quilo de borracha entregue ao comprador, comprovado pela nota fiscal de venda. Assim, a cada 100 kg de borracha úmida constante na nota fiscal de venda, serão considerados 62,35 kg para cálculo do benefício, com base no DRC (conteúdo de borracha seca) de 85%, maior 32% que o DRC de 53% da borracha úmida do Acre. Desse modo, um produtor que vendeu 100 kg de borracha úmida receberá R$ 90,00 do comprador e mais R$ 162,11 do Governo Federal, via Conab.

Para tanto, é necessário que o presidente da associação reúna os seguintes documentos: Declaração de Aptidão (DAP) jurídica da associação ao Pronaf, DAP retirada na Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof) do Estado do Acre, DAP de cada produtor florestal de látex ou borracha natural também obtida na Seaprof ou no Incra, a segunda via da nota fiscal de venda do látex ou borracha natural fornecida pelo comprador, as certidões negativas de débito com o INSS, FGTS e certidão negativa conjunta Receita Federal e INSS por parte da associação interessada e a lista de produtores com nome e CPF que receberão o benefício. Esses documentos devem ser protocolados na Conab em Rio Branco, AC, e cada produtor deve abrir uma conta corrente para receber os recursos em 10 dias.

Trata-se de um bom sistema de apoio ao produtor de látex e borracha de seringueira, mas para ser significativo ao setor, o limite atual de R$ 900,00 por produtor/ano deveria ser estendido para R$ 1.800,00 por produtor/mês. Esse novo valor pode remunerar satisfatoriamente a produção mínima esperada correspondente em miniflorestas plantadas de seringueira de 6 ha cada com estande normal de árvores (400 a 500/ha). Além disso, essa estratégia não impedirá que produtores com área superior a 6 ha de floresta acessem esse recurso, pois o mecanismo fica ponderado pelo número de produtores membros de associação que tornam o sistema de produção viável do ponto de vista econômico. Por exemplo: uma propriedade que tenha uma floresta de 48 ha terá esse limite multiplicado por 8, uma vez que a cada 6 ha de uma floresta com estande normal, há um produtor extrativista trabalhando. A norma atual nesse ponto é válida para o extrativista, o qual pode ser definido como toda pessoa que colhe o látex pelo método de extração e vende este extrativo ou algum produto dele derivado, estando as árvores em floresta nativa ou plantada.

Outra possibilidade de apoio ao setor que pode ter grande adesão é a operação AGF (aquisição do Governo Federal), com preço mínimo viabilizador, de certo modo coerente com a atual circunstância de insuficiência interna dos produtos em questão. Iniciativas particulares com esses mecanismos de preço mínimo utilizando recursos privados ainda não foram aplicadas no setor de borracha natural no Brasil, mas podem ser estratégicas até a regulação do mercado financeiro internacional. A terceira e também atrativa operação possível é o EGF (empréstimo do Governo Federal) COV (com opção de venda), ou seja, o produtor retira o empréstimo para quitar as dívidas com a produção e ao final do período de empréstimo, se o preço de mercado estiver menor que o preço mínimo estabelecido no contrato, o governo compra a produção por esse preço mínimo garantindo os investimentos.

A cada 6 ha de floresta de seringueira em produção, com estande normal de árvores, um emprego direto e bem remunerado é gerado no campo. Sendo assim, a área colhida de seringueira em 2007 (114.842 ha) gerou no Brasil 19.140 empregos diretos, considerando o rendimento de mil árvores sangradas por dia/trabalhador, estimativa bastante conservadora. Em São Paulo, a renda mensal de um prestador de serviço de sangria era, em novembro de 2008, R$ 3.500,00.

A cadeia produtiva da borracha natural gera emprego nas várias fases de produção: na colheita dos produtos, no transporte até as usinas de beneficiamento, nas usinas propriamente ditas, nas fábricas de pneumáticos, luvas cirúrgicas e preservativos. Essa característica de sistema de produção com grande geração de emprego e renda no campo e na cidade é importante para o cumprimento de exigências da ISO social, uma nova abordagem sobre as empresas que terão que adequar sua produção à responsabilidade social.

Um grande número de carros colocados em uso nos últimos anos utilizam pneus que possuem em sua composição a borracha natural. Mesmo com a crise financeira mundial, os veículos postos nas estradas e ruas não pararam de rodar, nem o consumo de luvas cirúrgicas e preservativos diminuiu. Em qualquer lugar do planeta, hoje com 6,5 bilhões de pessoas, são consumidos produtos que contêm extrativo natural de seringueira em sua estrutura. Por outro lado, os preços desses produtos não diminuíram ao consumidor. Desse modo, a queda do valor de compra da borracha natural e látex para o produtor não se explica somente do ponto de vista de oferta e demanda, ou do ponto de vista da queda do preço do petróleo.

A importância econômico-social e ambiental da seringueira pressupõe a urgente necessidade de apoio contínuo da sociedade a esse importante sistema produtivo para o Brasil, criando uma política permanente de preço mínimo por subvenção de R$ 3,50 por quilo de borracha com DRC=85 (conteúdo de borracha seca) para todo o Brasil. No Acre, o subsídio de R$ 0,70 por quilo de borracha úmida deverá ser mais um estímulo à atividade e compensar em parte o maior custo de produção na fase de implantação e condução da floresta até a idade de colheita. Esse maior custo pode ser exemplificado no preço do calcário dolomítico vendido a R$ 50,00/t colocado em fazenda no Estado do Mato Grosso e a R$ 220,00/t em fazenda no Estado do Acre.

O preço mínimo contínuo irá assegurar o prosseguimento dos projetos de reflorestamento com seringueira no Brasil, a manutenção dos empregos criados e a garantia de retorno dos investimentos bancários e de produtores que fazem desses plantios uma poupança para o futuro, preservando a floresta nativa primária.

Desse modo, quanto antes for tomada uma medida duradoura, menor será o impacto negativo da queda do preço da borracha. A destruição de um sistema produtivo importante do ponto de vista econômico-social e ambiental, como é o caso da heveicultura, pelo efeito lesivo do sistema financeiro internacional, pode ocorrer em 1 ano, mas a recuperação tecnológica, econômico-social e ambiental decorrente dessa perda pode levar um século.

Fonte: Agrosoft.org.br (Autoria Rivadalve Coelho Gonçalves / Crédito Diva Gonçalves)

Postado em 05/08/2009

Produção de sementes de seringueira tem novos padrões

Normas tratam da documentação necessária para a produção e controle das plantas

A produção de sementes e mudas de seringueira (Hevea spp) tem novas regras. As exigências para garantir a identidade e a qualidade dos produtos estão na Instrução Normativa nº 29, publicada no Diário Oficial da União dessa quinta-feira (6) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A medida revoga a Portaria nº 388, de 15 de dezembro de 1980.

As normas tratam da documentação necessária para a produção, proporções de mudas e de hastes e incluem regras para o controle de qualidade das sementes. O coordenador de Sementes e Mudas do Ministério da Agricultura, José Neumar Francelino, acredita que as normas para cultivo podem ampliar e aperfeiçoar o comércio de seringueiras no Brasil. “Agora existem parâmetros de garantia de produção e os usuários vão comprar produtos que seguem um padrão”, comentou o coordenador.

De acordo com Francelino, os estados que mais apostam no cultivo de seringueiras são Bahia, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A maioria dos seringais do Amazonas, Rondônia e Pará é nativa. Os produtores que atuam na comercialização de materiais de propagação de seringueira têm um ano, a partir da data de publicação da Instrução Normativa, para se adequarem.

Fonte: Agência Estado

Postado em 05/08/2009

STF alega razões ambientais e proíbe Brasil de importar pneus usados

O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu, ontem, a importação de pneus usados pelo Brasil. A decisão foi tomada por oito votos a um no julgamento de uma ação movida pela Presidência da República contra decisões de instâncias inferiores do Judiciário que autorizavam a importação. A última ocorreu na semana passada quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, permitiu a importação pela empresa BS Colway.

Com base na decisão de ontem, a Advocacia-Geral da União (AGU) poderá cassar qualquer nova decisão judicial que permitir o ingresso de pneus usados no Brasil. “Se uma empresa importar pneus usados estará cometendo crime de contrabando”, enfatizou o advogado-geral, ministro José Antonio Dias Toffoli.

Por outro lado, a decisão não afeta os pneus usados que já entraram no país. “O pneu que já entrou, rodou”, disse o ministro Carlos Ayres Britto.

A maioria dos ministros utilizou argumentações ambientais. “Para lembrar o caráter absolutamente danoso ao ambiente resultante da utilização dos pneus basta notar que eles não são biodegradáveis”, disse Britto. “Sem dúvida, poluem os rios, os lagos e se tornam vetores de doenças transmitidas por insetos, como a dengue”, completou.

A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, contestou a alegação das empresas de que o veto à importação poderia levar a demissões e ao desemprego. A Associação Brasileira dos Reformadores de Pneus estimou que o desemprego no setor pode atingir até 200 mil pessoas, caso o STF vetasse essa atividade. Seriam 40 mil empregos diretos e 160 mil indiretos. A ministra respondeu: “Parece inegável a conclusão de que, em nome da garantia do pleno emprego, não está autorizado o descumprimento dos preceitos constitucionais fundamentais relativos à saúde e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.”

O ministro Celso de Mello, o decano do STF, reconheceu que as empresas possuem o direito a atuar num mercado sem vetos à livre concorrência. Por outro lado, ele ressaltou que “a defesa do meio ambiente é um dos postulados estruturantes da ordem econômica ao lado da livre concorrência”. Celso de Mello afirmou ainda que a preservação do ambiente “é um dos mais significativos direitos constitucionais”. Segundo ele, trata-se de “um bem de uso comum das pessoas”.

Apenas o ministro Marco Aurélio Mello votou contra a ação da Presidência da República porque concluiu que os pneus usados ainda são aptos para uso, o que favoreceria as camadas mais pobres da população.

Para Toffoli, a decisão do STF resolve um problema que o governo brasileiro enfrentava na Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso porque as decisões judiciais que autorizavam a importação de pneus levaram a União Europeia a questionar formalmente o Brasil perante a OMC. Como essa atividade é proibida na Europa, mas permitida no Mercosul, havia o risco, segundo explicou o advogado-geral, de o Brasil sofrer um pedido de compensação. A AGU argumentou ao Supremo que o Brasil importou o equivalente a 30% do comércio internacional de pneus usados entre 2005 e 2007. Foram mais de 24 milhões de pneus no período.

Fonte: Juliano Basile, de Brasília (Valor)

Postado em 22/06/2009

Instituto Florestal desenvolve projeto da seringueira na fabricação de móveis

A madeira da árvore é uma excelente matéria-prima para a confecção de mobiliári

Engana-se quem pensa que a seringueira só serve para fornecer látex, desconhecendo que a madeira desta árvore, de origem amazônica e nome científico Hevea brasilienses, é excelente matéria-prima para a fabricação de móveis. Irá se surpreender quem ignora que São Paulo é o maior fornecedor de borracha natural do país, responsável por cerca de 50% da produção nacional, concentrada no Polo da Borracha, na região noroeste do Estado, onde também se localizam os polos moveleiros de Votuporanga e Mirassol. A constatação destas realidades, com certeza desconhecidas por muitos, formaram os ingredientes básicos do Projeto “Disponibilidade da madeira da seringueira como matéria-prima para a confecção de mobiliário no Estado de São Paulo”.

Desenvolvido já há quatro anos pelo Instituto Florestal – IF, instituição vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo – FAPESP, e tem entre seus objetivos a execução de um inventário florestal que quantifique e caracterize a madeira da seringueira e indique a predição da produção, necessária à sustentabilidade no abastecimento industrial. Conforme a equipe de especialistas do IF, a cultura da seringueira, enfrentando inúmeros desafios, está se estabelecendo como uma atividade lucrativa e sustentável, apresentando expressivo crescimento das suas áreas de plantio. Estabelecidos com o objetivo principal de produção do látex, classificado como um produto florestal não madeireiro, os seringais apresentam boas perspectivas como fornecedores de matéria-prima para o segmento de produtos de madeira sólida. De acordo com o IF, são conhecidas as características que a qualificam como excelente matéria-prima para diferentes finalidades, destacando-se móveis residenciais, de escritórios, móveis institucionais, escolares, médico-hospitalares, móveis para restaurantes, hotéis e similares, além de forros e escadas.

Para os técnicos, com a queda da produção do látex, após um período produtivo médio de 20 anos, há necessidade de substituição dos seringais, que no Polo da Borracha ocupam atualmente uma área de cerca de 80 mil hectares. Finalizado o ciclo de vida normal de 25 anos, portanto, haverá disponibilidade de madeira com perspectivas de uma renda extra ao produtor. Um ponto a ser considerado, segundo os estudiosos do Instituto, é a introdução de práticas silviculturais para a obtenção de toras de maior comprimento e sem “nós”, transformando o que atualmente constitui a “cultura” em “floresta de seringueira de uso múltiplo”, sendo o látex o principal produto e a madeira um produto decorrente, mas que poderá se tornar expressiva.

Para se ter uma idéia do mercado mundial que esse produto oferece, basta citar que a produção e exportação de mobiliário confeccionado com madeira de seringueira é atividade importante em diversos países asiáticos, como Malásia, Indonésia, Vietnã e Filipinas – onde foram introduzidas   sementes da árvore amazônica colhidas do Vale do Tapajós, no final do século 19, pelos colonizadores britânicos. Só a Malásia, com as exportações, fatura cerca de US$ 1 bilhão anualmente, enquanto um programa desenvolvido no Vietnã ambiciona alcançar num período de cinco anos exportações equivalentes a US$ 4 bilhões.

A fim de apoiar seus objetivos, o Instituto Florestal tem participado de workshops sobre as seringueiras, realizados pela Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha – APABOR, no interior do Estado, como aconteceu em Jales, em março último, e em Tanabi, agora no final de abril, com a apresentação do tema “Uso Potencial da Madeira de Seringueira”. O IF tem, ainda, aproveitado esses eventos para promover uma exposição de móveis de madeira da árvore, com mobiliário confeccionado pela equipe do Instituto, na Estação Experimental de Manduri, unidade de conservação localizada no município de Manduri, na região de Ourinhos.

As próximas palestras deverão acontecer em Macaubal, Presidente Prudente, Tabapuã e Barretos. São parceiros do IF na execução deste projeto, além da APABOR, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP, a Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário – ABIMOVEL, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo – SEBRAE/SP e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial/Centro Tecnológico de Formação Profissional da Madeira e do Mobiliário de Votuporanga – CEMAD-SENAI.

Fonte: Secretaria do Meio Ambiente (www.ambiente.sp.gov.br)

Postado em 22/05/2009

Móvel de seringueira

O Brasil pode, em breve, exportar móveis produzidos com madeira de seringueira. No momento, estão sendo realizados estudos para o aproveitamento da matéria-prima pela indústria moveleira e um inventário do cultivo de seringueira no Estado de São Paulo. O trabalho, realizado pelo Instituto Florestal (IF), órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente, deve estar concluído em outubro. Nessa área, o potencial de ganho da indústria brasileira é muito promissor. A Malásia, por exemplo, fatura cerca de US$ 1 bilhão por ano com produtos fabricados com madeira de seringueira.

De acordo com o diretor-geral do Instituto Florestal, Francisco Kronka, as possibilidades para a incorporação econômica da madeira de seringueira são enormes em São Paulo. “As seringueiras ocupam área em torno de 80 mil hectares e estão no noroeste do Estado, na região dos pólos moveleiros de Votuporanga e Mirassol. A madeira, em tom amarelado, é comprovadamente boa para a fabricação de móveis e o custo também é atraente”, afirma. O estudo mostra que, além do látex, São Paulo é o maior fornecedor de borracha natural do País, respondendo por 50% da produção. O produtor paulista poderá ter renda adicional com a venda de madeira. (Agência Envolverde)

Fonte: Agencia Estado

Postado em 20/03/2009

Tipos de sangria de seringueira e seus benefícios

Existem dois tipos de sangrias de seringueira bem definidos – a sangria descendente e a ascendente. A sangria ascendente, se bem feita, produz de 20 a 30% mais que a sangria descendente.

A sangria descendente, mais conhecida e mais aplicada, é feita em meio espiral. Para isso, é medido o perímetro do tronco e dividido ao meio. Se uma árvore tem 45 cm de perímetro, por exemplo, é utilizado para o painel de sangria 22,5 cm do perímetro da mesma. O painel da sangria descendente é feito a partir de 1,4 m de altura da árvore da seringueira para baixo, onde o sangrador começa a tirar a casca para realizar a sangria.

Já a sangria ascendente é realizada quando toda a casca virgem da planta acabou na sangria descendente. Permite um descanso maior para a casca, geralmente usada nos 12 primeiros anos de vida da árvore. O engenheiro agrônomo da fazenda Santa Helena, Marcos Roberto Murbach, explica que sangria ascendente é feita no mínimo por seis anos, para depois voltar a sangrar a casca de forma descendente, com a casca já regenerada. “Só é possível fazer essa sangria caso haja painel a essa altura, o que exige pelo menos 3 m de altura do tronco”, justifica.

ASCENDENTE x DESCENDENTE

Há algumas diferenças entre as sangrias. Uma delas é o ângulo, que na descendente é de 33 a 35 graus, enquanto na sangria ascendente é de 45 a 47 graus. Além disso, na primeira o látex vem pendurado, pois como o corte na árvore sobe, o látex vem de ponta.

Quando a sangria é descendente o látex desce dentro da canaleta. Mas na sangria ascendente a canaleta é de ponta cabeça, e por isso é importante um painel com declividade superior a 45º, provocando um efeito de atração de gota atrás de gota do látex escorrendo para a bica.

Há duas modalidades da sangria ascendente:

• 1/4 de espiral remutante, que sangra igualmente para cima e para baixo;

• 1/3 de espiral, em que é feita a sangria ascendente.

Com cuidado e tecnologia é possível sangrar uma seringueira por 20 anos somente em casca virgem. Somando esse período aos sete anos que levou para a formação da seringueira, o produtor só começa a extrair o látex de casca regenerada a partir do 27° ano da planta. Marcos Roberto lembrando que isso só acontece se for feito um manejo adequado da seringueira, que inclui um bom plantio, condução da tora a 3 m para obtenção de grande painel de extração, sistema de sangria descendente e em seguida o sistema de sangria ascendente. Esses cuidados permitirão uma longevidade da sangria de no mínimo 50 anos.

A primeira sangria é realizada aos sete anos da seringueira. São sangrados em torno de 12 a 15 cm anuais, consumindo todo o painel descendente da árvore em 12 anos. A partir daí, caso não seja adotado o sistema de sangria ascendente, no 13° ano o produtor voltará a sangrar uma casca regenerada, a qual muitas vezes não está totalmente recuperada. Optando pela sangria ascendente, a casca regenerada descansa por mais seis anos.

EXPERIMENTO QUE DEU CERTO

Na fazenda Santa Helena realizaram a sangria ascendente por seis anos e agora estão voltando a sangrar na casca regenerada. “Estamos tendo um ganho de produtividade grande, pois a casca ficou seis anos a mais descansando, o que permitiu uma recuperação total da árvore”, declara Marcos Roberto.

Ele não mensura ganho de produtividade direto com o sistema ascendente de sangria visto que o plantio de seringueira tem evoluído a cada ano, melhorando a técnica com produtos estimulantes de adubos. Além disso, há o ganho em produtividade a cada ano com o controle de ervas daninhas, de pragas, moscas e ácaros.

MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA

Marcos Murbach salienta que ainda há muito a fazer para melhoria da produtividade dos seringais, como a mão-de-obra, que deve ser qualificada. Na opinião do agrônomo, este é um dos fatores mais importantes para a produção. “Toda a vida da seringueira está na mão do sangrador, por isso, ele deve ser treinado para realização de sangria ascendente e descendente. Se ele ferir a árvore ou o câmbio, dificultará a recuperação de casca, que virá cheia de caroço e prejudicará a sangria futura”, alerta.

O horário que o sangrador chega ao seringal também é importante, já que a fiscalização do trabalho alheio vai onerar ainda mais o custo de produção.

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

Postado em 19/03/2009

Macro e micronutrientes incrementam qualidade do látex

A seringueira é uma planta da Amazônia, região de solo pobre, o que a torna facilmente adaptável a solos de fertilidade não muito elevada. Comercialmente a adubação da seringueira é importante para melhorar o desempenho da produção de látex.

Uma planta exige todos os macro e micronutrientes. Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador aposentado do IAC, com especialidade em nutrição e adubação de plantas, Ondino Cleante Bataglia, um seringal com 20 anos de idade, por exemplo, precisa de mais de mil quilos de nitrogênio por hectare, 800 kg de potássio e 200 kg de fósforo, principais nutrientes contidos nos adubos.

A adubação é feita anualmente, dividida em duas ou três parcelas para melhor aproveitamento desses nutrientes, explica Ondino. “A seringueira tem a vantagem de um sistema radicular intenso, profundo e disperso no solo de modo que aproveite bem a adubação. Mesmo que haja chuvas e lixiviação de nutrientes, a seringueira não os perde”, completa.

CUSTO X BENEFÍCIO DE UMA BOA NUTRIÇÃO

Supondo a aplicação de 01 kg de adubo por planta, o custo sairá em torno de R$ 1,50/planta, de modo que ela precisa produzir pelo menos 01 kg a mais de látex por planta para compensar essa adubação. “Uma boa seringueira normalmente produz 10 kg de látex por ano. Se com a adubação o produtor conseguir acrescentar 01 kg com essa adubação, já paga pela borracha produzida a mais”, garante Ondino Cleante.

O crescimento da planta e a qualidade do látex estão relacionados também à nutrição da planta. Alguns experimentos mostram que a aplicação de 100 kg de potássio, por exemplo, aumenta 400 kg de borracha por ano.

As principais respostas são obtidas a partir do potássio. Em solos relativamente pobres, à medida que a planta cresce, ela imobiliza o nutriente, que não volta para o solo. Ele fica na planta e por isso é preciso que seja reposto.

As plantas normalmente exigem uma série de nutrientes, mas a seringueira pela extensão do sistema radicular consegue mobilizar micronutrientes. “A seringueira sempre dá um jeito de buscar esses nutrientes na camada mais profunda do solo para se abastecer, mas os macronutrientes geralmente têm que ser repostos”, conta o pesquisador do IAC.

EVITE PREJUÍZOS

O erro mais comum cometido pelos heveicultores é não fazer a adubação. Como a seringueira é uma planta rústica, que de qualquer modo cresce e se desenvolve, o agricultor não aduba e então a árvore perde em tamanho de copa, com menos folhas para produzir látex. Outro erro frequente, na opinião de Ondino Cleante, é a falta de base técnica, como análise de solo e análise de planta, que são primordiais nesta cultura, como em qualquer outra, já que são elas que indicam os nutrientes que estão faltando ou sobrando.

Se há uma análise com teores de médio para cima, significa que o solo está bem suprido de nutrientes e a adubação pode ser reduzida ou eliminada. “A análise de folha, por exemplo, é uma checagem para saber se aquele solo está nutrindo bem a planta e raramente é feita pelo agricultor, primeiro porque a folha da seringueira é muito alta, o que dificulta a sua colheita, e segundo por falta de hábito. Grandes empresas comerciais possuem sistema de monitoramento que permite saber se há ou não necessidade de adubação”, comenta o pesquisador.

É importante que o agricultor conheça quais produtos está comprando e se são realmente necessários, porque o processo de vendas é muito forte e às vezes o agricultor compra o que não precisa e deixa de comprar o que é necessário.

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

Postado em 06/03/2009

Encontros de incentivo à heveicultura (APABOR)

A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR), com sede em São José do Rio Preto (SP), irá promover, no ano de 2009, uma séria de encontros regionais com produtores rurais objetivando levar informações de ponta e estimular o cultivo da seringueira no Estado de São Paulo. Recentemente reeleita para um novo mandato de três anos, a diretoria da Associação, que tem à frente o Engenheiro Agrônomo Jayme Vazquez Cortez, decidiu adotar, como uma de suas principais metas de trabalho, essa aproximação com os produtores de todo o estado. A programação final de todos os encontros ainda está para ser oficialmente definida, mas provavelmente serão seis eventos regionais, nos municípios de Jales, Tanabi, Macaubal, Presidente Prudente, Tabapuã e Barretos. O primeiro encontro já está confirmado para Jales e acontecerá no dia 07 de março, próximo sábado. Mais informações podem ser obtidas diretamente no site da APABOR (www.apabor.org.br).

A APABOR, que também é uma das principais patrocinadoras do Sistema de Informações da Borracha Natural Brasileira, atualmente é a instituição mais representativa do setor de borracha natural no Brasil. Formada por heveicultores e usinas de beneficiamento, a Associação foi criada no ano de 1992 e sempre esteve à frente dos principais assuntos do segmento. Apesar de ser uma associação estadual, já tem grande inserção e colabora com diversas atividades em outros estados. A APABOR também é a única instituição brasileira que faz parte oficialmente do Grupo Internacional de Estudo da Borracha, o IRSG, atualmente com sede em Cingapura.

EVENTOS 2009 APABOR

07/03/2009
Workshop Seringueira em Jales

17/04/2009*
Workshop Seringueira em Tanabi

13/06/2009*
Workshop Seringueira em Macaubal

15/08/2009*
Workshop Seringueira em Presidente Prudente

17/10/2009*
Workshop Seringueira em Tabapuã

12/12/2009*
Workshop Seringueira em Barretos

* Sujeito a alteração.

Fonte: www.apabor.org.br

Postado em 02/03/2009

Perspectivas da heveicultura em 2009

A área plantada com seringueira (Hevea brasiliensis) no Brasil ocupa atualmente 150 mil hectares, o que representa apenas 1,50% da área nacional. Países expressivos nesta produção chegam a índices 33,10%, como acontece na Indonésia, seguido da Tailândia com 23,60%, Malásia com 11,90%, China 7,60%, Índia 6,10% Vietnã 5,32% e Myammar 2,86%, segundo dados de 2008 do Grupo Internacional de Estudos da Borracha (IRSG).

No médio prazo, a produção mundial deve seguir em crescimento, mas a taxas inferiores em virtude da restrição de terras aptas ao cultivo da seringueira nos principais países produtores do Sudeste Asiático. Projeta-se uma produção da ordem de 11,8 milhões de toneladas de borracha natural em 2015, contra uma demanda de 14,3 milhões de toneladas, ou seja, um déficit de 2,5 milhões de toneladas, causando o temido “apagão da borracha”.

DEMANDA LOCAL

A demanda mundial tem sido atendida nos anos recentes às custas da intensificação da exploração em alguns dos países produtores, impulsionados pelos elevados preços internacionais, e pela disponibilidade dos estoques reguladores.

Considerando que o consumo mundial de borracha natural alcançou cerca de 9,725 milhões de toneladas em 2007 e que o preço médio anual da SMR20 (um tipo de borracha natural utilizada em pneumáticos) foi de US$ 2.161,1/t, ter-se-á uma movimentação de US$ 21,0 bilhões por ano.

Aplicando-se o mesmo raciocínio para o Brasil, considerando um consumo anual da ordem de 310 mil toneladas e o preço médio anual em 2007 de R$ 4.460,0/t, Heiko Rossmann, engenheiro agrônomo, diretor da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) e consultor do Instituto Tecnológico da Borracha (ITeB), chega ao número de R$ 1,382 bilhão por ano.

A produtividade média no Brasil é de 986 kg de borracha seca por hectare, considerando um DRC (Dry Rubber Content/Teor de Borracha Seca) médio de 60%. Ademar Queiroz do Vale, secretário executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos Leves (ABIARB), não aponta apenas uma região mais tecnificada, pois a maioria dos plantios de seringueira realizados no país tem potencial para alcançar elevada produtividade, em função das técnicas agronômicas empregadas e dos clones mais adaptados a cada região. “Dentre as 63 microrregiões geográficas do Estado de São Paulo com mais de 1.000 hectares de área colhida, a de Bauru (composta por 21 municípios), por exemplo, apresenta a produtividade média é de 2.287 kg de borracha seca por hectare”, conta.

Hoje, existem plantações de seringueira que ultrapassam 2.500 kg de borracha seca por hectare.

DEMANDA MUNDIAL

A maior demanda se concentra nos municípios que possuem fábricas das grandes pneumáticas, como: Americana, Campinas, Santo André, São Paulo e Sumaré (SP), Rio de Janeiro e Itatiaia (RJ), Camaçari e Feira de Santana (BA) e Gravataí (PR). A indústria pneumática é responsável por 75% do consumo brasileiro de borracha natural. Os 25% restantes são utilizados pela indústria de artefatos leves, composta por mais de 1.200 empresas.

Em termos mundiais, a China é uma gigante no ranking de consumo, seguido pelos EUA e Japão. De acordo com dados do International Rubber Study Group (IRSG), a demanda chinesa foi de 2,55 milhões de toneladas de borracha natural em 2007, ou 26,2% do total. Os estadunidenses consumiram 1,02 milhão de toneladas, ou 10,5%, e os japoneses, 888,1 mil toneladas, ou 9,1%.

No Brasil, destacam-se São Paulo (54,2%), Bahia (14,5%) e Mato Grosso (13,7%), mas a heveicultura vem se expandindo em outros estados, dos quais Marcelo Pricoli, secretário executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos Leves (ABIARB), observa como mais promissores Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Tailândia (31,4%), Indonésia (28,8%) e Malásia (12,3%) são os três maiores produtores mundiais. Ou seja, 72,5% da produção mundial é oriunda de apenas três países.

INVESTIMENTO X RENTABILIDADE

Paulo Edgard Nascimento de Toledo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), relata que comumente, a exploração (termo técnico para extração do látex) da plantação se inicia no sétimo ano após o plantio. Porém, seguindo-se as recomendações técnicas, tem-se conseguido iniciar a produção já no sexto ano.

Em termos de benefícios sociais, ambientais e econômicos, a heveicultura destaca: geração de emprego no campo; aumento da renda familiar; e fixação do homem no campo. Dentre os benefícios ambientais estão: proteção do solo contra erosão; recuperação de áreas degradadas; e fixação de gases causadores do efeito estufa (seqüestro de carbono).

Os benefícios econômicos são: desenvolvimento econômico local e regional; receita com a venda da borracha; e valorização da terra (floresta).

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

Postado em 11/02/2009

Heveicultores precisam ter visão de médio e longo prazo

A queda abrupta nos preços da borracha natural que vem acontecendo desde meados do ano passado tem preocupado seriamente os produtores em todos os países que cultivam a seringueira. De fato, a crise internacional que afetou fortemente a demanda por produtos industrializados, como automóveis e pneus, é séria e ainda deve causar mais prejuízos. Mas deve-se sempre ter em mente que as crises econômicas são passageiras. Além disso, são recorrentes na história da humanidade. Em outras palavras, crises econômicas sempre acontecem periodicamente e sempre passam, terminam.

É impossível se prever, com exatidão, quando elas irão acontecer, ou seja, de quanto em quanto tempo o ciclo se repete. Mas, grosso modo, para termos um parâmetro, pode-se considerar que, aproximadamente de 10 em 10 anos uma crise econômica internacional acontece.

Imaginemos um seringal no Brasil que terá uma vida útil, digamos, de 40 anos. O proprietário deste seringal, portanto, enfrentará de 3 a 4 crises durante o empreendimento, queira ou não queira. Se a cada crise os produtores se assustassem e erradicassem seus seringais, não teríamos mais produção de borracha natural no mundo.

Tomemos um exemplo real. Os anos de 1996 e 1997 foram uns dos piores da história em termos de preços baixos da borracha. Quem ousou plantar novos seringais naqueles anos? Poucos. Pouquíssimos, na realidade. Mas foram esses poucos que tiveram a oportunidade de se aproveitar dos ótimos preços quando aquelas árvores entraram em produção, nos anos de 2004 a 2007.

A mensagem é esta: o heveicultor precisa pensar no médio e longo prazo, pois assim é o seu empreendimento, seu seringal.

O objetivo desta mensagem não é servir de consolo para uma situação que claramente é difícil, especialmente para aqueles que dependem da produção de borracha natural para sobreviver. Mas é uma reflexão objetiva que deveria nortear o planejamento dos produtores e beneficiadores.

Aqueles que pensarem estrategicamente com vistas no futuro e souberem diversificar adequadamente seus investimentos agrícolas não precisam se desesperar. Ninguém sabe quando esta crise vai terminar: em meses? Um ano? Dois anos? Mas uma coisa é certa: um dia ela vai terminar e o equilíbrio e o crescimento econômico voltarão a seguirem seu rumo natural.

Quem olhar para o passado certamente não será surpreendido pelo futuro.

Fonte: Borracha Natural (30/01/2009)

Postado em 03/02/2009

Exploração da Madeira

USOS DA MADEIRA

A madeira de seringueira tem se tornado uma fonte importante de renda após a exploração do látex da cultura, principalmente na Malásia, onde 70% da madeira utilizada vem da seringueira, exportando para o Japão para produção de móveis ao preço de US$ 220/m3. Geralmente, quando a produção de látex em um talhão não é mais economicamente viável, procede-se a derrubada das árvores, seguida do replantio da área. A madeira ramanescente pode ser utilizada como combustível ou celulose, e com o tratamento químico, pode ser utilizada na indústria de móveis (Kamala & Rao, 1989) e na fabricação de portas, janelas, formas para concreto armado, vigas, colunas, painéis e artigos domésticos como a madeira compensada (Haridasan, 1989). Segundo Pushpadas et al. (1980) as árvores no final da sua vida produtiva apresentam um perímetro médio do caule em torno de 110-100 cm (125 cm acima do solo), sendo aptas para corte aproximadamente 184 árvores/hectare. De uma árvore obtêm-se 0,62 m3 provenientes do tronco e cerca de 0,39m3 provenientes dos ramos laterais, totalizando 1,10 m3 / árvore. Segundo Haridasan (1989) em um hectare de seringal com 450 árvores, 200 árvores são aptas para corte, com a produção de 1m3 / árvore. Peries (1990) confirma a possibilidade de extração de 130-180 toneladas de madeira/ha em um seringal no final do seu ciclo produtivo.

PROPRIEDADES

Normalmente a coloração de madeira se assemelha ao branco (Figura 1 e 2), às vezes pode apresentar um aspecto marrom claro ou amarelado. A densidade gira em torno de 560 a 650 Kg/ m3, e a umidade da madeira recém-cortada é de aproximadamente 60%, podendo ser reduzida para 15% quando seca ao ar, exigindo pelo menos 10 dias de exposição nessas condições (Haridasan, 1989). O grande problema da utilização dos produtos provenientes da madeira de seringueira é a alta susceptibilidade ao ataque de fungos e insetos (besouros e cupins), devido à ausência de cerne na madeira e a um alto teor de amido e açúcares (Tabela 1) (Peries, 1990), necessitando, portanto, de um tratamento profilático logo após o corte, em um período menor que 24 horas (Prakash, 1990). Além disso, problemas de contração da madeira, devido a existência de tração (Haridasan, 1989), dificultam a sua utilização (Rao et al., 1990). A ocorrência de tração é natural, e não pode ser evitada, porque suas causas ainda não são muito conhecidas. Para tentar minimizar esses problemas na madeira recomenda-se proteger o seringal do vento (quebra-ventos), diminuindo as torções dos ramos, troncos e a quebra das árvores.

TRATAMENTO

Segundo José et al. (1989) os fungos mais comuns que deterioram a madeira são: Botryodiplodia theobromae associado com Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp., entre outros. A recomendação de tratamento químico na madeira é a mesma para outras madeiras em geral. A escolha do tratamento mais adequado depende da finalidade a que se destina o material. Segundo Haridasan (1989), os métodos mais utilizados são o tratamento por difusão e por vácuo. O primeiro é o método mais comum, e consiste em pulverizar ou imergir a madeira logo após o corte em uma mistura de sódio pentaclorofeno1 (contra fungos), bórax à 1-2% (contra insetos) e ácido bórico à 25%. São necessárias três semanas para completar o tratamento. Cada prancha é mergulhada na solução por 5 a 10 minutos e empilhadas uma sobre as outras com um pequeno espaço entre cada uma delas, posteriormente a pilha deve ser coberta com uma lona de polietileno por três semanas. Normalmente utiliza-se esse tipo de tratamento em móveis que não serão expostos à chuva, pois o boro absorvido pelas células de madeira é solúvel em água, sendo facilmente lixiviado. Segundo Tan et al.(1979) o tratamento por difusão protege a madeira apenas superficialmente. O outro processo consiste em impregnar às células da madeira com uma solução de cromo e arsênio, através de pressão e vácuo, permitindo uma maior resistência da madeira, por um período prolongado. Uma completa infiltração da solução é conseguida sem dificuldades em uma tábua de 5 cm de espessura, quando colocada por duas horas sob 15 Kg/cm2 de pressão, mas é necessária secagem prévia da madeira. Esse método não preserva a coloração natural da madeira.

Fonte: -

Postado em 28/01/2009

Argentina torna mais burocrática a importação de pneus

Brasil será o principal atingido pela medida, pois é o maior fornecedor estrangeiro de pneus para o país vizinho

O governo argentino anunciou que aplicará um sistema de licenças não automáticas para as importações de pneus. O Brasil será o principal atingido pela medida, pois é o maior fornecedor estrangeiro de pneus para Argentina. As licenças não automáticas – que tornam mais lentas a entrada dos produtos, pois implicam autorização prévia das autoridades para a importação dos produtos – serão adotadas para pneus de automóveis, ônibus, caminhões e máquinas agrícolas.

Esta é mais uma medida do governo da presidente Cristina Kirchner para proteger a indústria nacional de supostas “invasões” de produtos provenientes do exterior ou de hipotético dumping nas importações. As fábricas argentinas de pneus (novos e recauchutados) produziram no ano passado 11 milhões de unidades, 9% menos do que em 2007. A importação de pneus alcançou a faixa de 5,6 milhões de unidades, o que equivale a aumento de 106% em comparação com o ano anterior. Segundo o Ministério da Produção, parte dos pneus importados em 2008 entrou no país com “preços notoriamente baixos”.

Em 2008, segundo a consultoria Investigações Econômicas Setoriais (IES), 54% dos pneus importados pela Argentina foram provenientes do Brasil. A China é o segundo maior fornecedor, responsável por 8,3% dos pneus vendidos ao mercado argentino. O Japão ocupa o terceiro posto, com 5,5%, enquanto a Alemanha é responsável por 3,7%.

Segundo o Ministério da Produção, a decisão argentina de aplicar licenças não automáticas tem a ver com o sócio do Mercosul, já que “o Brasil estabeleceu em dezembro passado um direito antidumping provisório para as importações de pneus provenientes da China” e por esse motivo a medida “tem a intenção de evitar a entrada no país de excedentes de produção que atualmente não podem ser vendidos no Brasil”.

Além disso, o Ministério da Produção sustenta que a medida de licenças não automáticas “tende a contrabalançar a concorrência desleal de importações”. Segundo o ministério, as fábricas de pneus na Argentina – que empregam 3.800 funcionários – integram um setor “que fez significativos investimentos locais e que exporta para vários países”. Nas últimas semanas o governo declarou a abertura de investigações sobre dumping em multiprocessadores de alimentos e a criação de uma mesa de controle para a entrada de produtos da cadeia de alumínio (neste caso, mais de 40% dos produtos importados são provenientes do Brasil).

Fonte: Ariel Palacios, da Agência Estado

Postado em 26/01/2009

Madeira das seringueiras poderia ajudar a Libéria a se recuperar

À medida que a sólida indústria da borracha acorda, depois de anos de guerra civil e instabilidades, ela precisará cortar e replantar mais de 55.000 ha de seringueiras velhas que atualmente produzem quantidades muitas baixas de látex. O governo da Libéria, com o apoio do Centro para o Comércio na África Ocidental de Acra, está encorajando o uso de tecnologias para transformar as seringueiras a serem cortadas em madeira valiosa, com qualidade de exportação, e em móveis, ao invés de simplesmente deixá-las apodrecerem ou serem queimadas como carvão.

“As seringueiras velhas, de pouco valor econômico, precisam ser cortadas para dar espaço a novas. É uma perda econômica e ambiental não usar a madeira da forma mais eficaz possível”, explicou Gustav Adu, o especialista em comércio de produtos de madeira do Centro. “Quanto mais cedo a Libéria adquirir a tecnologia e a perícia para processar a madeira da seringueira, tanto maiores serão os benefícios para o país e os seus cidadãos”.

Uma foto da cobertura florestal na Africa Ocidental e Central

Processar a madeira da seringueira – serrá-la em tábuas, tratá-la quimicamente e secá-la em fornalhas – não é complicado, mas isto tem de ser feito dentro de um período estrito de três dias depois do corte, porque a madeira é danificada rapidamente por fungos e insetos. O governo da Libéria quer compartilhar este conhecimento com proprietários de fazendas de seringueiras do país, especialmente os 60% das fazendas pequenas e médias. A Libéria também está levando em conta a idéia de seus centros de treinamentos práticos ensinarem o processamento da madeira da seringueira, com o objetivo de lançar o processamento comercial em 2008.

“A madeira da seringueira tem um tremendo potencial – ela será transformada do ponto de ser vista como algo que é quase totalmente inútil para algo considerado valioso para a produção de móveis. E isto acrescentará uma renda consistente tanto para os proprietários das seringueiras quanto para as indústrias locais”, disse Attah Alhassan, Diretor Executivo da Divisão de Desenvolvimento da Indústria da Madeira junto à Comissão Florestal do Gana. “Agora é o momento perfeito para isto – a cor clara da madeira da seringueira pode satisfazer a demanda geral por madeiras claras na Europa e na América do Norte”.

Floresta de seringueiras na Liberia

O tremendo potencial da madeira da seringueira surgiu em junho durante o Fórum de Desenvolvimento do Comércio na Libéria e a Oficina do AGOA, da qual o Centro participou. A pedido do Ministro da Indústria e do Comércio do país, Olubanke King-Akereke, Adu voltou à Libéria em agosto para dirigir treinamentos e apresentações de conscientização sobre o processamento da madeira da seringueira, bem como para identificar empreendedores dispostos a assumir o risco.

O sucesso dependerá destes operadores e da velocidade com que eles processam a madeira. A Libéria poderia ganhar mais de US$ 2 milhões por ano se 3% de suas seringueiras passadas da idade fossem cortadas a cada ano e pelo menos 15% destas árvores cortadas com madeira de qualidade fossem processadas para transformá-las em tábuas para exportação. Os rendimentos facilmente poderiam exceder estes prognósticos, porque as seringueiras, negligenciadas durante uma década, cresceram enormemente, produzindo potencialmente muito mais tábuas.

“A Libéria está pronta para o desenvolvimento nacional. Nós estamos trabalhando duro para chegarmos onde já estávamos antes e, a partir daí, seguir adiante de forma rápida”, disse Olubanke King-Akereke, Ministro do Comércio e da Indústria. “Nós estamos prontos para aprender, prontos para investir, prontos para levar a tecnologia às pessoas”.

Gustav Adu, do WATH, mostrando uma seringueira já cortada

Para apoiar a iniciativa da Libéria, o Centro está estabelecendo contatos com o Centro de Treinamento das Indústrias da Madeira no Gana, o único país na África Ocidental a processar a madeira da seringueira para transformá-la em tábuas. O WATH planeja conectar grupos de interesse da Libéria com informações técnicas e de mercado do líder nesta indústria, a Malásia, e fornecerá assistência técnica em comercialização e financiamento. A Malásia começou a processar as seringueiras para transformá-las em tábuas na década de 1990 – 80% de seus móveis exportados atualmente são feitos com madeira de seringueira.

“O governo da Libéria e as associações de seringueiros estão prontos para agir rapidamente”, disse Adu. “Uma vez que a madeira com qualidade de exportação seja produzida e o mercado surja, nós estaremos prontos para introduzir o processamento posterior de valor agregado, tais como os móveis e os componentes de móveis para a exportação”.

Fonte: www.watradehub.com – por Julianna White

Postado em 21/01/2009

Borracha acreana é utilizada em sapato orgânico na França

Folha líquida defumada (FDL) agregou valor ao látex e melhorou a qualidade de vida do seringueiro

“A minha vida é cortar seringa, é o que eu gosto de fazer”, revelou Pajoca que havia trocado a seringa pela motoserra. Pajoca, como é conhecido o seringueiro João Batista de Araújo, começou a cortar seringa aos 8 anos. Abandonou a cabrita e as tijelas alguns anos depois e comprou uma moto-serra, apesar da paixão pela vida de seringueiro. Essa mesma paixão o fez reabrir as velhas estradas de seringa para apostar num processo novo de produção de látex, que agrega mais valor ao quilo da borracha e promete melhorar a qualidade de vida dos seringueiros: a Folha Defumada Líquida (FDL), borracha que está sendo usada no processo de fabricação de sapatos orgânicos por uma empresa francesa, a Veja.

“Passei um tempo vivendo da moto-serra porque o seringueiro ganhava muito pouco. Nunca sobrava para comprar um motor, um sapato. A FDL exige esforço, porque a gente investe muito tempo nesse processo e não pode abandonar os roçados. Eu já não tenho 20 anos e sinto dificuldades em dar conta de tudo sozinho. Mas a minha vida é cortar seringa, é o que eu gosto de fazer”, revelou.

Pajoca é um entre as dezenas de seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Assis Brasil, que assinaram contrato com a Veja – empresa de calçados – para entregar ao todo 10 mil quilos de látex transformado em FDL. A borracha é utilizada nos solados de tênis e botas fabricados exclusivamente com matéria-prima orgânica. O algodão empregado nos calçados é importado de produtores do Pará e os sapatos são vendidos em sete países da Europa a preços que variam entre R$ 150 e R$ 250.

“Uma grande vantagem é que a borracha não é como o arroz e a macaxeira, por exemplo, que a gente precisa ir atrás de quem compre a produção. O seringueiro consegue vender tudo o que ele produzir. É só ter a borracha na mão que a gente vende”, disse Pajoca.

Seringueiros apostam na Folha Defumada Líquida

De Araújo, presidente da Amopreab, apresenta um dos sapatos da Veja. O presidente da Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista de Assis Brasil (Amopreab), José Rodrigues de Araújo, revela que o contrato com a Veja será renovado em 2009 e o preço pago pelo quilo da FDL será de R$ 7,25. Hoje o valor do quilo é R$ 5,00. “A intenção inicial da empresa era de contratar 20 toneladas de borracha, mas fechamos apenas em 10 mil quilos para não dar um passo maior que as pernas. Agora que os seringueiros estão vendo que este contrato é uma realidade mais pessoas estão se empenhando no processo e devemos aumentar a produção no próximo ano. O Governo do Estado investiu R$ 1 milhão nesse processo e estamos confiantes que vai dar certo”, disse.

De Araújo, como é conhecido o presidente da associação, reclama que falta melhorar as condições de transporte da borracha, os ramais que cortam a reserva e contratar uma pessoa encarregada de coordenar o trabalho. Apesar das dificuldades, ele não esconde as expectativas: “Se dependesse da minha vontade toda a população de Assis Brasil ia viver da FDL. Este processo foi a melhor coisa que aconteceu para o seringueiro, a borracha sai pronta para ser processada pela indústria, sem impurezas, e o seringueiro recebe um valor bem melhor pelo que produz”, ressaltou.

Os seringueiros tiveram contato com o processo de coagulação da borracha chamado de FDL através de pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB), que entraram em contato com a Amopreab e a prefeitura de Assis Brasil demonstrando interesse em desenvolver o projeto no Acre. Os seringueiros compraram a idéia e receberam todo o material necessário para trabalhar com o processo. Em parceria com a Seaprof, os interessados participaram de um curso para aprender as novas técnicas de processamento do látex.

A primeira venda foi intermediada pelos pesquisadores da UNB. “Mas esse não é o papel deles. Depois tivemos contato com uma empresária do Rio de Janeiro, a Bia Saldanha, que acabou intermediando o contrato com a Veja, a empresa de calçados da França”, explicou De Araújo.

Governo investe R$ 1,2 milhão na cadeia produtiva da borracha

A borracha foi definida como uma das prioridades da cadeia produtiva do Alto Acre, na regional de Assis Brasil, ao lado da castanha e a da fruticultura. Em todo o Estado serão investidos R$ 1,2 milhões com recursos do Programa de Apoio às Populações Tradicionais e Pequenos Produtores, o Pró-Florestania.

O objetivo do programa é apoiar populações tradicionais e agricultores familiares visando melhoria na qualidade de vida com o uso sustentável dos recursos naturais.

Na área temática de Fomento da Cadeia Produtiva foram apresentados e aprovados 11 projetos relacionados à borracha. O objetivo é a produção e comercialização de borracha na forma de folha defumada liquida nos municípios de Feijó, Marechal Thaumaturgo, Rio Branco, Manoel Urbano, Assis Brasil e Tarauacá. Serão beneficiadas 194 famílias e os recursos serão gastos com material de uso para recolhimento e armazenamento do látex, capacitações para produção de FDL e gestão de negócios.

“Borracha será o produto mais caro da Amazônia”, diz Cosson

Cosson acredita no potencial da borracha na Amazônia. A borracha é um dos produtos manejados que não causa nenhum dano ambiental. Além disso, outra grande vantagem, destaca o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Nilton Cosson, é que nunca faltará mercado para a borracha, pois ela é empregada em inúmeros processos industriais. “Em 20 anos a borracha será o produto mais caro da Amazônia. As estimativas indicam que em no final de 2009 o preço do quilo poderá ser comercializado por R$ 12. Isso vai trazer de volta para a floresta os seringueiros que deixaram de acreditar no potencial do látex e tornar o desmatamento inviável”, comentou.

FDL aumentou o preço pago pela borracha

O látex extraído das seringueiras pode ser transformado em CVP (Cernambi Virgem Prensado), nas folhas defumadas líquidas (FDL) ou utilizado na fábrica de camisinhas. A FDL agregou valor à borracha por não conter impurezas e sair da floresta pronta para ser processada nas indústrias. O seringueiro Raimundo Nonato Lopes dos Santos, 22, nasceu na Reserva Chico Mendes e hoje é um dos grandes produtores de látex. No contrato com a Veja, se comprometeu a entregar meia tonelada de borracha e acredita que vai ultrapassar essa cota até janeiro, quando encerra o contrato.

“Há quatro anos a gente vendia o CVP para um atravessador que pagava R$ 1 por quilo. Hoje nós recebemos R$ 5,00 pela mesma quantidade de borracha e nosso contrato é direto com a empresa. Além da FDL ser melhor de trabalhar a renda é bem maior e no próximo ano este preço vai aumentar para R$ 7,25″, comentou.

Pajoca analisa a melhoria da qualidade de vida que já se desenha na vida do seringueiro: “Antes a cada do seringueiro era uma tristeza, fazia pena. Hoje a água chega na pia, tenho uma peladeira de arroz, roçadeira para o capim, promessa de energia elétrica, coisa que espero com muita fé. O preço da borracha melhorou muito, as coisas estão melhorando. Hoje podemos nos considerar quase ricos em vista da situação que vivíamos antes”.

Conheça o processo da FDL

No processo de fabricação da FDL o látex é colhido de forma tradicional. Cada litro de leite é coagulado com dois litros de água e uma medida de ácido Pirolenhoso (APL), proveniente da queima da madeira. Na produção de carvão, o APL é encontrado fartamente e costuma ser descartado pelas indústrias na forma líquida. O látex coagulado descansa em bandejas de plástico por 24 horas, quando atinge o ponto ideal para ser passado pela calandra, um instrumento que ajuda a deixar as folhas de látex na espessura desejada. Depois desta etapa, o passo seguinte é a secagem das folhas. Os estudos da UnB demonstraram que a borracha resultante do uso dessa técnica é mais flexível e mais resistente que a sintética ou a obtida com a defumação tradicional.

Fonte: Agencia de Notícias do Acre; Texto de Tatiana Campos.

Postado em 07/01/2009

Crise pressiona cotação da borracha no país

Poupado até agora do impacto da crise financeira global, o segmento de heveicultura paulista prepara-se para enfrentar uma queda substancial nos preços da tonelada da borracha negociada no mercado interno. Os produtores olham com atenção para o mês de dezembro, quando os preços, negociados bimestralmente, sofrerão o primeiro reajuste pós-crise. É consenso no setor um recuo de até 25%.

A tendência de queda da cotação da borracha está mais associada ao movimento do petróleo que a um recuo nas vendas, afirmam produtores. Isso porque a cotação da borracha natural e sintética – derivada do petróleo – tradicionalmente acompanha as tendências do óleo. Em agosto deste ano, a tonelada da borracha custava US$ 3 mil. No cenário atual, a média é de US$ 1,4 mil.

“Os preços da borracha caíram, mas o câmbio compensou um pouco o produtor brasileiro”, afirmou ao Valor João Sampaio, secretário da Agricultura do Estado de São Paulo e heveicultor, que participou da abertura do VI Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista, realizado na semana passada em São José do Rio Preto, no interior do Estado.

Conhecido entusiasta da cultura, Sampaio aponta alguns fatores quando diz que a crise não é motivo para tirar o sono dos produtores. O primeiro deles é que a modesta queda no consumo, que já vem ocorrendo, não será suficiente para afetar os seringais. O secretário, ele próprio um grande produtor de borracha, lembra que a produção brasileira gira em torno de 120 mil toneladas por ano, uma quantia muito pequena para as necessidades do país – o consumo nacional é exatamente três vezes mais que isso.

Cerca de 85% da borracha nacional é destinada à produção de pneus e artefatos da indústria automobilística. “Se houvesse queda de 50% no consumo de borracha, o que seria uma catástrofe para o setor automobilístico e para o país, ainda assim o Brasil consumiria 180 mil toneladas de borracha, o que é muito mais do que produzimos”, diz Sampaio.

Outro argumento é que a crise financeira é algo pontual e a borracha, uma cultura de longo prazo. Ou como dizem os produtores: é a aposentadoria garantida.

Dados da Associação dos Produtores de Borracha (Apabor) apontam que mais de 65% dos heveicultores mantêm outra atividade agropecuária, consorciada ou não com a borracha. “O que mais ouvi [em Rio Preto] foram perguntas sobre laranja, cana e pecuária. E sobre crédito. A borracha não era um tema que preocupava”, afirma o secretário.

Prova disso, diz Sampaio, é que a área para a cultura tem crescido. A combinação de estímulo à pesquisa, melhoria tecnológica e produção consorciada levou a um incremento na área plantada de 40 mil hectares para 77 mil hectares na última década. O números de árvores subiu de 17 milhões para 36 milhões de pés.

Fonte: Bettina Barros, de São Paulo – www.valoronline.com.br

Postado em 01/12/2008

Ouro branco corre nas veias do Brasil

A área plantada com seringueira (Hevea brasiliensis) no Brasil ocupa atualmente 150 mil hectares, o que representa apenas 1,50% da área nacional. Países expressivos nesta produção chegam a índices 33,10%, como acontece na Indonésia, seguido da Tailândia com 23,60%, Malásia com 11,90%, China 7,60%, Índia 6,10% Vietnã 5,32% e Myammar 2,86%, segundo dados de 2008 do Grupo Internacional de Estudos da Borracha (IRSG).

O Brasil produz cerca de 108 mil toneladas de borracha e consome 337 mil toneladas. Esses índices, informados por João Sampaio, produtor de borracha, economista e secretário de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, faz de nós grandes importadores, mas ele afirma que caminhamos para aumentar a produção e isto se apresenta como uma grande oportunidade para o produtor.

São Paulo continua sendo o maior produtor de borracha natural do país, detendo quase 60% do total produzido. “No Brasil, São Paulo lidera tanto em área plantada com seringal novo e em produção, em um total de 70 mil hectares. Desses, 45 mil encontram-se em produção, seguido pelo estado do Mato Grosso, com quase 33% da área plantada, Bahia com 17%, Espírito Santo com 6%, Goiás com 3%, Minas Gerais 2%, e outros estados com 6%, num total de 137 mil hectares em produção”, informa Afonso Pedro Brioschi, engenheiro agrônomo da CATI.

Nessas regiões, há mão-de-obra especializada e maior volume de capital para investimento em tecnologia. Além disso, a maioria das indústrias consumidoras está ali instalada, reduzindo os custos logísticos com o transporte da matéria-prima. O clima apresenta-se adequado para a seringueira, que perde suas folhas na estação seca, cortando o ciclo do fungo causador do mal-das-folhas e, conseqüentemente, mantendo as árvores sadias.

Rentabilidade garantida

Considerando a média de produção obtida de um seringal adulto, Brioschi garante que o rendimento bruto chega a aproximadamente R$ 5.000,00/hectare, sendo que 40% deste valor se referem ao custo de exploração, mão-de-obra e insumos. A margem de rentabilidade é, portanto, de 60%, que deverá cobrir os custos de implantação e remuneração do produtor.

João Sampaio ressalta que isto acontece depois de sete anos, porque a seringueira começa a produzir com estabilidade por volta do décimo ano. Numa análise rápida, ele garante que a seringueira rende três vezes mais financeiramente que a cana, com o preço da tonelada no patamar registrado atualmente. “São análises conjunturais e rápidas, mas é uma atividade de boa rentabilidade e uma boa opção ao produtor”, pontua.

Caso prático

O experiente heveicultor Jerônimo da Silva Braz Net, que trabalha há 24 anos com esta cultura, é engenheiro metalúrgico e proprietário da Fazenda Itaipava, localizada em Raul Soares, no interior mineiro. Lá ele planta 242 hectares, sendo 11 deles em produção e quatro plantados há dois anos.

“As variedades que plantamos 20 anos atrás foram Fx 2261, Fx 3844, Fx 985, IAN873 e temos alcançado produtividade anual de 5,5 kg de coágulo/árvore, o que leva a uma produção anual de 25.000 kg de coágulo com 67% de DRC (teor de borracha no látex coagulado). No plantio que fizemos em 2006 utilizamos a variedade RRIM600”, revela.

Ele calcula que o investimento feito nos dois primeiros anos – que são os mais difíceis para a implantação da cultura – chegou a R$ 4.000,00 por hectare. Isso comprando mudas a R$ 4,00 e lembrando que são necessárias 500 por hectare.

As despesas a partir do segundo ano são menores, pois, Jerônimo Net explica que é preciso apenas controlar a concorrência do mato e a adubação na época das chuvas. “Noto que as formigas incomodam bem menos quando a planta já está com mais de 2 anos”, observa.

Este heveicultor tem alcançado preço de venda por volta de R$ 2.75/kg de coágulo. Como ele tem cerca de 500 plantas por hectare, e cada uma produz cerca de 5,5 kg por ano, fazendo as contas chega-se a um faturamento bruto de R$ 7.562,50 por hectare.

Tomando como factível 40% deste valor para despesas com mão-de-obra, fungicidas, equipamentos como facas de corte, copos para coleta do látex, estimulantes de produção, transporte, etc., sobram então R$ 4.537,50/hectare a título de lucro anual com a atividade.Normalmente, seus compradores são usinas na região de São José do Rio Preto (SP) e a Michelin, na Bahia, que beneficiam o coágulo transformando-o em um produto denominado GEB (granulado escuro brasileiro). Ele corresponde à borracha natural importada da Ásia, principalmente da Tailândia, Indonésia e Malásia, que são os maiores produtores mundiais de borracha natural.

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

Postado em 23/11/2008

Novo plano procura estimular plantio de seringueiras no PR

O governo do Paraná está preparando um plano para estimular o cultivo de seringueiras nas regiões norte e noroeste do Estado. O objetivo é aproveitar o bom momento desse mercado e incrementar a renda da agricultura familiar. O trabalho será feito em parceria com órgãos do governo, produtores e cooperativas, como a Cocamar, de Maringá. A intenção é aumentar dos atuais 800 para cerca de 10 mil hectares a área de cultivada no prazo de dez anos, o que poderá viabilizar o investimento em indústria de processamento local de borracha, porque hoje a produção é vendida para empresas instaladas no interior de São Paulo.

De olho no plano, Nício Otani, cooperado da Cocamar, investe em um viveiro para produção de 200 mil mudas por ano.

A expansão da heveicultura, como é chamada a cultura da seringueira, pode até ajudar na recuperação de áreas de reserva legal, porque uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná permite o uso da árvore por um ciclo econômico em conjunto com cinco espécies nativas do Estado. “A recuperação da reserva legal precisa ser feita até 2018 e, pelo Código Florestal, é permitido o uso provisório de espécies exóticas”, explica o chefe da divisão de cultivo florestal da secretaria estadual da Agricultura, Renato Viana Gonçalves.

Segundo ele, independentemente do plantio em reserva legal, a seringueira é uma cultura viável no Estado. Mas a intenção também não é substituir outros produtos, como grãos e cana, e por isso outra opção a ser adotada é o plantio combinado com café. O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, contou que há anos o Estado discute a viabilidade do cultivo de seringueiras, porque o país consome cerca de 300 mil toneladas por ano de borracha e produz um terço disso.

Bianchini explicou que o custo de implantação dificultou até agora o investimento na cultura, porque o início da produção leva de seis a oito anos. Mas ele citou a possibilidade de uso de recursos do Pronaf-Eco para o plantio, a existência de zoneamento climático e tecnologia e a perspectiva de uma boa renda, demonstrada pelos pioneiros da heveicultura no Estado, que atuam no ramo desde o fim dos anos 1980.

Segundo ele, o plano deve ser lançado ainda em novembro e, para que caminhe, será necessário ampliar os viveiros e produzir mudas para o plantio de mil hectares por ano a partir de 2010. “Detalhes estão sendo acertados, mas há uma decisão do governo de estimular a cultura”. O custo de implantação é estimado em R$ 4 mil por hectare e a média de renda bruta é de R$ 6,5 mil a partir do sétimo ano. Uma árvore produz por durante cerca de 35 anos.

Gonçalves, da divisão florestal, comentou que o produtor paranaense está acostumado a trabalhar com cultura anual, por isso será feito trabalho de divulgação e acompanhamento da planta, junto com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que colonizou a região, foi a primeira a apostar em seringueira no Estado. “Plantamos em 1988 a primeira muda. Busquei a semente em São Paulo”, conta Mauro Rosseto, engenheiro agrônomo e gerente da área de pesquisa. Hoje a empresa possui uma fazenda com 374 hectares e 174 mil árvores no município de Paranapoema. Rosseto lembra que no local havia plantação de café, mas os pés estavam doentes e deram espaço à nova opção.

A direção da Cocamar não quis falar sobre o assunto, mas recentemente apoiou evento promovido pela Emater que tinha a heveicultura como um dos temas. Segundo a assessoria da cooperativa, foi mostrado que a Malásia, um dos maiores produtores mundiais, está cortando seringueiras para obtenção de madeira, por isso a demanda vai aumentar. Aos participantes foi mostrado que em cada hectare podem ser cultivadas 580 plantas, e a sangria é feita a cada três ou quatro dias, nas horas mais frescas. Por ano, cada árvore produz de 5 a 10 quilos de borracha, que podem ser comercializados de duas formas: cernambi (tipo de borracha coagulada) ou látex (líquida).

O agrônomo Nício Otani, um dos cooperados da Cocamar, cultiva seringueiras em 10 hectares no município de Alto Paraná, metade em produção e metade com três anos. Como tem visto o interesse de outras pessoas pela planta, está investindo em um viveiro para produção de 200 mil mudas por ano. As primeiras ficarão prontas em fevereiro. “Toda semana recebo pedido de informações”, diz. Otani plantava café e mandioca, mas agora só quer saber do mercado de borracha. “Dá mais que qualquer cultura ou pecuária”, garante.

Fonte: Marli Lima, de Curitiba – www.valoronline.com.br

Postado em 14/11/2008

A vez da borracha natural

A região noroeste do Estado de São Paulo, onde o clima quente favorece o desenvolvimento e a produção da seringueira, já responde por mais de 65% da área plantada no Estado.

O constante aumento da demanda por borracha natural no mundo favorecem a expansão da cultura na região. O Brasil responde por pouco mais de 1% da produção mundial e importa cerca de 70% das 280 mil toneladas que consome atualmente.

A borracha natural é uma cultura plenamente rentável, apesar de só começar a produzir a partir do 6º ano, permite o aproveitamento da área na fase inicial, como uso de culturas intercalares e, a partir do início da produção exige um mínimo de manutenção, resumida no controle de doenças e pragas.

A atividade é altamente rentável, uma planta chega a produzir, em média, 10 quilos de borracha bruta por ano.

Uma área ideal para o plantio é de 10 hectares, onde podem ser cultivadas 5.000 plantas (500 plantas por hectare), onde será proporcionada um receita liquida de R$ 40 mil/ano, com valores atuais.

Cultivar seringueira é um ótimo negócio, onde se pode trabalhar em regime de parceria com o sangrador que responde pela parte operacional, coletando o látex e o proprietário responde pela comercialização e manutenção do seringal.

As usinas de beneficiamento retiram a borracha semanalmente na propriedade do produtor, e este não tem qualquer custo com armazenamento e transporte. A procura é grande pelo produto, não existindo qualquer dificuldade com a comercialização.

Alem da excelente rentabilidade, a cultura da seringueira apresenta diversas vantagens que a tornam opção para a diversificação de atividades produtivas para o meio rural, além de ser um investimento promissor a longo prazo, garantido pelo preço no mercado internacional, apresenta vantagens no aspecto ambiental.

Os níveis de produção e consumo em todo o mundo asseguram não haver menor possibilidade de baixa nos preços nos próximos 30 anos.

A cultura da seringueira permite uma produção de 10 meses ano longo do ano e, com os cuidados necessários na manutenção do seringal a vida útil pode ultrapassar os 30 anos de produção.

Questões ambientais tendem a incentivar ainda mais a cultura da seringueira, uma vez que o seu cultivo contribui para a redução do efeito estufa e a borracha sintética é oriunda do petróleo, responsável por emissão de carbono na atmosfera. A cultura, além do seqüestro de carbono, evita a erosão, protege mananciais e contribui para o desenvolvimento da fauna e da flora.

Fonte: www.mudasdeseringueira.com.br

Postado em 16/10/2008

Instalação do Seringal

Dada a característica de a seringueira ser uma planta perene, com longa vida útil, cuidados especiais devem ser tomados na fase de implantação, como a escolha da área adequada na propriedade, relação dos clones, densidade de plantio e estande final. Caso contrário, o rendimento poderá ser comprometido, bem como aviabilidade econômica.

1. Localização da área

A área para implantação de seringais deve apresentar topografia plana ou ligeiramente ondulada, com até 5% de inclinação. Em declives maiores as linhas de plantio devem ser dispostas em nível.

O solo deverá apresentar de preferência textura média, ter boa drenagem, ser de fácil acesso, ter boa disponibilidade de água, evitando-se locais de baixada a fim de prever danos causados por geadas. Neste particular, deve-se evitar o plantio em regiões que apresentem altitudes acima de 1.000m, onde ocorre maior resfriamento noturno.

O plantio da seringueira nos espigões e meia encostas ou mesmo plantio feito próximo a grandes superfícies livres de água (lagos ou rios largos) são essenciais para proteger a cultura dos efeitos da geada.

Devem ser considerados também aos aspectos relacionados aos riscos de incêndio, evitando o plantio de seringais próximos a pastagens, canaviais, capoeiras, etc.

Deve ser dada atenção especial a áreas cuja vegetação seja de Brachiaria sp., pelo seu efeito competitivo, de conseqüências drásticas na redução da taxa de crescimento da seringueira.

2. Alinhamento

O alinhamento tem por objetivo a distribuição ordenada, no terreno, das plantas de uma cultura qualquer. Deve permitir igual insolação à todas as plantas e melhor aproveitamento do terreno destinado à cultura. Feito com o auxílio de balizas, consiste na demarcação de uma linha mestra disposta vertical ou horizontalmente a determinada referência, como, por exemplo, uma estrada ou mesmo uma via de acesso secundária. Paralelas a essa linha mestra, e no espaçamento adotado para a cultura, traçam-se as demais linhas necessárias à complementação do número de plantas que se tem por objetivo estabelecer. Sobre todas as linhas assim demarcadas e com o auxílio de pequenas estacas, marcam-se os pontos em que serão abertas as covas destinadas às mudas.

Pode ser disposto de várias formas (triangular, quadrangular, retangular, em quincôncio, em linhas múltiplas, em renque) na qual as plantas devem ser dispostas na área a determinada densidade. Normalmente, em seringais preferem-se os espaçamentos retangulares distribuídos em 7m x 3m, 8m x 2,5m ou 8m x 3m, dentre outros.

Em plantios em renque ou em linhas múltiplas, são formados conjuntos de linhas de plantio próximas entre si (espaçamento 4 x 3m.) intercaladas por espaços maiores (12m por exemplo) onde as árvores são dispostas de modo divergente das linhas. São exemplos de tipos de disposição de plantio usados quando se deseja intercalar a seringueira com outras culturas perenes. O plantio em linhas múltiplas associa a vantagem de plantio adensado (alta produção por área) com a vantagem de plantio mais espaçado, resultando em bom crescimento e boa regeneração da casca. Esse sistema apresenta também a vantagem de diminuir a susceptibilidade aos danos causados pelo vento.

Os espaçamentos de 7, 8 e 10 metros entre linhas ou outros, são sempre dispostos no sentido dos ventos dominantes, devendo a área total de plantio ser dividida em blocos de até 25 hectares, sendo cada bloco um submúltiplo inteiro da área total de plantio.

Os coeficientes técnicos para implantação de 1 hectare de seringal de cultivo relativo ao 6º ano (período de imaturidade) e do 7º ao 11º ano (período adulto) encontram-se discriminadas na Tabela 6.

3. Abertura das covas

Para a abertura das covas, deve ser feito primeiramente o sulcamento das linhas de plantio e em seguida a demarcação das mesmas. Toda a terra retirada das partes mais profundas da cova deverá ser posta de lado e não utilizada para reenchimento. A porção de terra retirada da cova, incorporar a seguinte adubação:

• 20 litros de esterco de curral bem curtido, quando disponível;
• 30 g de P205, 30 g de K20 e, em solos deficientes, com teores de Zn inferiores a 0,6 mg/dm3, 5g de Zn.
• A mistura desses adubos com a terra que vai ser usada no reenchimento da cova deveria ser o mais uniforme possível e feito, igualmente com alguma antecedência do plantio.

As covas podem ser abertas manualmente nas áreas mais declivosas, ou mecanicamente, com o uso de perfuratriz (broca) em terrenos mais planos, nas dimensões de 40 cm de largura por 50 cm de profundidade. Caso a abertura das covas seja feita com brocas acopladas ao trator, evitar o espelhamento da parede da cova adaptando-se garras nas bordas da broca.

4. Plantio

O plantio deve ser feito de preferência no início do período chuvoso, devendo-se considerar o tipo de muda. O período e o índice pluvial exercem papel importante no desenvolvimento da seringueira, mais pela distribuição do que pela quantidade de chuvas. Longos períodos de estiagem comprometem o desenvolvimento das plantas, principalmente das mais jovens, já que o seu sistema radicular, ainda não completamente formado, é incapaz de retirar água das camadas mais profundas do solo.

4.1. Muda de raiz nua

O principal cuidado é evitar a formação de bolsões de ar na ponta da raiz pivotante ou ao longo desta, o que causaria a sua morte. Desse modo, a ponta da raiz deve estar bem apoiada no fundo da cova ou em um pequeno furo aberto com espeque no centro da cova. O enxerto deve ser voltado para o leste e, ao se reencher a cova, a terra deve ser socada em seu terço inferior, completando-se o reenchimento sem socar.

4.2. Muda de torrão em saco plástico

Dois meses antes de efetuar o plantio os porta enxertos são recepados. Após seleção das melhores mudas são transplantadas para o campo com até dois lançamentos foliares, de modo que o último lançamento encontre-se maduro.

Para evitar o destorroamento e abalo da muda deve-se, primeiramente, retirar com um canivete o fundo do saco para depois colocá-la dentro da cova. Uma vez colocada e firmada a muda na cova, abre-se o saco lateralmente com o canivete e termina-se a sua retirada com cuidado. A seguir, procede-se ao reenchimento da cova comprimindo-se com as mãos ou pés a terra ao redor da muda desde o fundo da cova até a superfície, para evitar a formação de bolsas de ar que podem comprometer o pegamento.

Dependendo das condições do tempo, deve ser feita uma rega logo após o plantio.

5. Culturas associadas ao cultivo da seringueira

A seringueira se comporta muito bem com culturas intercaladas. Apresenta um período juvenil que vai até seis ou sete anos. Atingindo a maturidade requer uma área útil de 21 a 25 m2/planta, em arranjos diversos, para que possa vegetar e produzir economicamente. Sob tais condições pode ser feita a intercalação de culturas, com bons resultados, guardando-se sempre distância mínima de 1,5 a 2,0 m das linhas de seringueira. Dependendo da cultura consorciada, o espaçamento tradicional de 7,0 m entre linha e 3,0 m entre planta pode ser mudado para linhas duplas divergentes de 4,0 m x 3,0 m x 10 m.

5.1. Cultivos associados perenes

A consorciação com culturas perenes tem sido feita com cacau, guaraná, pimenta-do-reino e café, com bons resultados na Amazônia, Litoral Paulista, Planalto Paulista e em Sarawak na Malásia.

Em Java, vários sistemas de consórcio entre cafeeiro e seringueira foram utilizados, mostrando-se mais rentável o “sistema avenida”, no qual a seringueira é disposta em fileiras e o cafeeiro ocupa as amplas faixas. Segundo Pereira (1992) nesse sistema a seringueira produz 30 a 50% a mais do que nas modalidades de plantio convencionais.

A consorciação com cacau, praticada há muito tempo na Indonésia não é aconselhável no Brasil. A associação seringueira – cacau favorece o ataque de Phytophtora palmivora, o que torna conveniente estudar o controle desta doença nos dois cultivos.

5.2. Cultivos associados anuais

Este sistema pode ser utilizado nos primeiros anos, deixando um metro livre de cada lado do sulco de plantio da seringueira. O importante é obter os melhores rendimentos dos cultivos consorciados sem prejudicar a futura produção da borracha.

Como exemplo de culturas semi-anuais pode-se citar a soja, milho, algodão, arroz de sequeiro, tomate, pimentão, mamão, entre outros.

Fonte: http://iac.com.br

Postado em 23/09/2008

A planta detalhada

Aspectos Ecológicos

A seringueira é uma planta semidecídua, heliófita ou esciófita, característica da floresta Amazônica nas margens de rios e lugares inundáveis da mata de terra firme. Ocorre preferencialmente em solos argilosos e férteis da beira de rios e várzeas. Trata-se de uma planta rústica, perene, adaptável a grande parte do território nacional, sendo uma espécie arbórea de rápido crescimento.

Informações Botânicas

Morfologia

É uma árvore de hábito ereto, podendo atingir 30 m de altura total sob condições favoráveis, iniciando aos 4 anos a produção de sementes, e aos 6-7 anos (quando propagada por enxertia) a produção de látex (borracha).

Seu tronco varia entre 30-60 cm de diâmetro. A casca é o principal componente do tronco da Hevea brasiliensis, responsável pela produção de látex, transporte e armazenamento de assimilados produzidos na folha. Além dos vasos laticíferos, acham-se na casca, próximo ao câmbio, os tubos crivados, as células parenquimatosas e os raios medulares. Dados da literatura sugerem a existência de uma relação positiva entre o diâmetro dos tubos crivados e a produção de látex. Clones de seringueira com elevada produção de borracha apresentaram tubos crivados com diâmetro acima de 40 cm.

O desenvolvimento das raízes da seringueira está diretamente relacionado às condições físicas ideais do solo, como boa aeração, drenagem e retenção de umidade adequada, permitindo maior exploração do sistema radicular da planta por volume de solo. Possui folhas compostas trifolioladas longamente pecioladas, com folíolos membranáceos e glabros.

A espécie pertence ao grupo das Dicotiledôneas, sendo monóica. As flores são unissexuadas, pequenas, amarelas e dispostas em racimo. O fruto é uma cápsula grande que geralmente apresenta três sementes. Todas as espécies são lenhosas arbóreas, em geral ocorrem árvores medianas até grandes em floresta alta, com exceção da Hevea camporum e Hevea camargoana, que são arvoretas ou arbustos de campo.

As sementes da seringueira são geralmente grandes, normalmente pesando de 3,5 a 6,0g de forma oval com a superfície neutral ligeiramente achatada. O tegumento é duro e brilhante de cor marrom com numerosas matizes sobre a superfície dorsal. É possível identificar a árvore ou clone mãe que deu origem pelas matizes do dorso e pelo seu formato visto que o tegumento é tecido maternal e o formato deste é determinada pela pressão externa da cápsula durante seu desenvolvimento.

Reprodução

A polinização da seringueira é entomófila, sendo que pequeninos insetos da família Ceratopogonidae (Heleidae) e tripés são os principais responsáveis pela polinização natural, operando em curtas distâncias para polinização cruzada.

É uma espécie de hábito semidecíduo, mais pronunciado em regiões onde períodos secos são constantes. Em regiões da Amazônia, onde ou quando períodos secos são menos rígidos, a queda de folhas e o florescimento são irregulares. Na região do Planalto do Estado de São Paulo, a senescência ocorre no período de junho-agosto.

Em seringais de cultivo, em geral a senescência começa quando a seringueira muda seu hábito de crescimento e isso ocorre, geralmente, a partir do terceiro e quarto ano após o plantio, embora ocorram variações em função do clone e da densidade do plantio. Logo após a senescência anual, as inflorescências monóicas aparecem nas extremidades dos galhos. Elas consistem de um axís principal, com cerca de 12 axís pubescentes, sobre os quais as flores são distribuídas na forma de racimo.

A espécie frutifica entre novembro e fevereiro. A deiscência dos frutos ocorre a partir de fevereiro. De março até junho a planta dispõem de poucos drenos e máximo de energia para produzir látex.

Ocorrência Natural

Da família das Euphorbiaceae, o gênero Hevea tem como área de ocorrência a Amazônia brasileira, bem como Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Suriname e Guiana. Das onze espécies do gênero, a originária do Brasil, Hevea Brasiliensis, é a que tem a maior capacidade produtiva com a maior variabilidade genética. As áreas de plantios comerciais de H. brasiliensis compreende de 24ºN (China) até 25ºS (São Paulo, Brasil).

Clima

A Hevia brasiliensis é uma cultura originária de região de clima tropical e úmido, abrangendo áreas com temperatura média de 25ºC e pluviosidade média de 2000 mm. Para produção, o regime pluviométrico anual favorável varia entre 1300 a 3.000mm, com chuvas distribuídas uniformemente durante todo o ano. Deve-se evitar o plantio em locais com temperatura média anual abaixo de 20 graus centígrados e umidade excessiva por proporcionarem condições ideais à incidência de doenças que limitam a cultura.

Solo

A seringueira desenvolve-se bem em solos de textura leve, profundos e bem drenados, ligeiramente ácidos (pH 4,5-5,5), em altitudes até 600 m. A espécie é pouco exigente em fertilidade do solo.

Em estudo realizado foi observado um melhor comportamento do seringal nos Latossolos, quando comparados aos Podzólicos, que apresentam uma forte restrição mecânica à penetração das raízes, uma porosidade globalmente reduzida e uma drenagem interna muito deficiente. Os resultados obtidos pelo autor ressaltam que a seringueira é planta exigente em propriedades físicas do solo, requerendo solos profundos, porosos, bem drenados, de textura argilosa e com boa retenção de umidade. As condições físico-hídricas são de extrema importância, considerando que a planta necessita retirar do solo uma grande quantidade de água para suportar uma produção de látex que chega a conter 68% de água.

Pragas e Doenças

Entre as doenças que ocorrem na espécie, o “mal-das-folhas” é uma das mais conhecidas. É causada pelo fungo Microcylus ulei, e é o principal fator limitante à expansão da heiveicultura no Brasil, principalmente na região Norte do país. O dano maior é a queda prematura de folhas, podendo levar as plantas à morte. O controle pode ser realizado utilizando clones resistentes, área de escapes ou com fungicidas.

Podemos destacar também as doenças provocadas pelo fungo Phytophthora spp. Nos últimos anos tem causado danos superiores ao mal das folhas, atacando folhas, frutos e hastes. Os sintomas são: requeima, queda anormal das folhas, podridão dos frutos, cancro estriado do painel e cancro do tronco. Ocorrendo somente no Brasil, na Amazônia, tem maior importância no sudeste da Bahia.

O controle pode ser feito utilziando fungicidas, área de escape, limpeza e queima de ramos e galhos infectados da porção mais baixa da copa. Além da requeima e queda anormal das folhas, o fungo é responsável pelo cancro-estriado (cancro-do-painel) e o cancro-do-tronco. O sintoma do cancro-estriado é a interrupção das sangrias durante o período chuvoso, prejudicando a produção.

O cancro-do-tronco pode danificar as plantas com a formação de sintomas de cancro típico, ou anelar levando as árvores a morte.

Ainda há a mancha areolada causada pelo fungo Thanatephorus cucumeris, a antracnose pelo Colltotrichum gloeosporioides que manifesta-se em folhas imaturas, ramos, frutos e no painel, a Podridão Vermelha pelo Ganoderma philipii; a Podridão Parda pelo Rigidoporus lignosus e a Podridão Branca pelo Phellinus noxius.

Quanto às pragas que atacam o seringal, há os ácaros, besouros defolhadores, mandarovás, formigas, moscas brancas, cochonilhas, percevejos-de-renda, e cupins.

Aproximadamente 60 espécies de ácaros de diferentes famílias têm sido relatadas no Brasil em seringueira. Dentre as espécies de ácaros fitófagos encontrados em seringueira, duas são consideradas pragas sérias nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil: Calacarus heveae Feres (Eriophyidae), que tem causado severo desfolhamento das plantas e conseqüente queda da produtividade do látex, e Tenuipalpus heveae Baker (Tenuipalpidae), que causa bronzeamento e queda prematura das folhas, o que parece determinar redução significativa da produção de látex.

O ácaro “Calacarus heveae” é uma espécie pertence a um grupo de ácaros muito pequenos (0,1 a 0,3 mm de comprimento), com o corpo vermiforme semelhante a uma pequena vírgula e apenas dois pares de pernas, apresentando coloração marron-acinzentada. Como conseqüência de seu ataque as folhas perdem o brilho e apresentam um amarelecimento progressivo de sua superfície intercalado com áreas verdes normais formando desenhos característicos. Esses sintomas desenvolvem-se a partir da região inferior da copa, ascendendo progressivamente. As folhas atingidas acabam caindo, resultando em diferentes níveis de desfolha das plantas.

A madeira de seringueira possui alta susceptibilidade ao ataque de fungos e insetos (besouros e cupins), devido à ausência de cerne na madeira e a um alto teor de amido e açúcares, necessitando, portanto, de um tratamento profilático logo após o corte, em um período menor que 24 horas.

A Madeira

A madeira é considerada leve mole, de baixa durabilidade natural. Normalmente a coloração de madeira se assemelha ao branco, às vezes pode apresentar um aspecto marrom claro ou amarelado. A densidade gira em torno de 560 a 650 Kg/m³, e a umidade da madeira recém-cortada é de aproximadamente 60%, podendo ser reduzida para 15% quando seca ao ar, exigindo pelo menos 10 dias de exposição nessas.

Apresenta problemas de contração da madeira, devido a existência de tração que dificultam a sua utilização. A ocorrência de tração é natural, e não pode ser evitada, porque suas causas ainda não são muito conhecidas. Para tentar minimizar esses problemas na madeira recomenda-se proteger o seringal do vento (quebra-ventos), diminuindo as torções dos ramos, troncos e a quebra das árvores.

Usos da Madeira

Na Ásia, ao longo do final deste século têm-se buscado algumas alternativas para elevar a renda do produtor que cultiva a espécie. A exploração de madeira tem sido a alternativa complementar mais importante, extraída quando o período produtivo das árvores se encerra (25 a 30 anos).

A madeira ramanescente pode ser utilizada como combustível ou celulose, e com o tratamento químico, pode ser utilizada na indústria de móveis e na fabricação de portas, janelas, formas para concreto armado, vigas, colunas, painéis e artigos domésticos como a madeira compensada. Pode ser empregada para energia (galhos), na fabricação de tabuado, forros, caixotaria e de painéis de cimento-madeira. A madeira de seringueira in natura se mostrou tecnicamente viável à produção de chapas de cimento-madeira, independentemente do clone cultivado.

Produtos Não-Madeireiros

A importância da cultura da seringueira reside na qualidade da borracha natural que combina plasticidade, resistência a fricção, impermeabilidade a líquidos e gases e isolamento elétrico. Essas características são fundamentais para a fabricação de pneumáticos e de uma série de artefatos relevantes na vida do homem morderno. Ao observar as inúmeras aplicações da borracha natural, verifica-se que seu uso estende-se a mais de 50 mil artigos, o que situa o setor como um dos mais importantes quanto a sua diversidade de aplicação (farmacêutica, brinquedos, revestimentos e forrações, dentre outras).

Além da produção da borracha e da madeira, a cultura possibilita a obtenção de renda em outros produtos como o óleo de sementes (muito usado na indústria de tintas e vernizes, mel, e torta para alimentação animal.

Outros Usos

A espécie constitui uma boa opção para áreas degradadas por oferecer uma excelente cobertura vegetal ao solo. Ainda de acordo com os autores, a cultura propicia ganhos ambientais por estocar carbono em quantidades equivalentes ao da floresta natural. Além disso, a borracha natural extraída da seringueira substitui a borracha sintética, um derivado do petróleo. Portanto, a seringueira enquadra-se nos créditos de retirada e nos créditos por emissão evitada, uma vez que a seringueira pode capturar, no processo de formação, 1.109 toneladas de gás carbônico em suspensão equivalente por hectare e reduzir o uso da borracha sintética. Embora não exista ainda no Brasil uma regulamentação dos créditos de carbono, é uma alternativa interessante para o setor, pois minimizariam os custos iniciais da implantação dos seringais. Mesmo que ainda o Protocolo não esteja em vigor, já foram transacionados, em 2002, quase 700 milhões de dólares em projetos relacionados com o MDL.

Crescimento e Produção

Quando a exploração do látex não é mais viável, as árvores apresentam uma circunferência de 100 – 110 cm (a 125 cm acima do solo), sendo aptas para corte aproximadamente 200 árvores/ha, com uma produção de 1 m³ de madeira/árvore.

A produtividade normal de látex varia com o clone e a idade de sangria. Entretanto, a produtividade média de borracha seca nos seringais no Estado gira em torno de 1.000 kg/ha ao ano. A produtividade paulista, em média de borracha está em torno de 1.300kg/ha/ano. Algumas regiões do Estado de São Paulo, que empregam alta tecnologia, podem chegar a 1.500kg/ ha/ano, sendo uma das mais altas quando comparadas com as médias da Tailândia (1.100kg/ ha/ano), da Indonésia (750kg/ha/ano) e da Malásia (1.000kg/ha/ano).

Aspectos Silviculturais

A época de plantio mais favorável é no início da estação das águas, utilizando mudas de raiz nua para evitar formação de bolsões de ar. O ideal é plantar 500 árvores por hectare em espaçamento de 7 a 8 m, entre as linhas de plantio e 2,5 a 3,0 m entre as plantas na linha.

Plantar em nível mantendo o solo vegetado no período das chuvas para controle das erosões. As covas devem possuir as dimensões de 0,4 x 0,4 x 0,5 m com uso da cavadeira ou em sulcos.

A seringueira é uma planta perene, que dependendo do manejo utilizado poderá produzir economicamente por 20 a 30 anos necessitando de um correto programa de adubação em todas as fases de seu desenvolvimento a fim de evitar desequilíbrios nutricionais com sérios prejuízos na produção de látex. Para a definição do manejo adequado dos seringais, torna-se imprescindível o conhecimento dos solos, especificamente para cada clone implantado e para cada classe de solo.

De acordo com o Programa Seringueira do IAC, deve-se, a partir da análise de solo, aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 50%, usando preferivelmente calcário dolomítico, até a dose de 2 t/ha. A adubação de plantio, por cova, corresponde a 30 g de P2O5 e 30 g de K2O e 20 a 30 litros de esterco de curral bem curtido, quando disponível; para solos deficientes, acrescentar 5 g de zinco. Cerca de um mês após o plantio, aplicar 30 g de N por planta, em cobertura, repetindo essa aplicação mais duas vezes durante o decorrer do 1.° ano. A adubação de formação e exploração corresponde a 80 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 40 a 80 g/planta de K2O, durante o 2.° e 3.° ano; do 4.° ao 6.° ano aplicar 120 g/planta de N, 60 a 120 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; do 7.° ao 15.°, aplicar 120 g/planta de N, 60 a 100 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; e do 16.° ao 25.° ano, aplicar 100 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 60 a 100 g/planta de K2O. Parcelar a aplicação de fertilizantes, em duas vezes, a 1.a no início e a 2.a no final da estação das águas.

O manejo do plantio inclui a desbrota de ramos ladrões do portaenxerto e poda das ramificações laterais da haste do enxerto até a altura desejada de formação de copa. Durante a formação deve-se controlar plantas daninhas com herbicidas específicos ou capinas manuais. Quando já estiver formado, é necessário o controle do mato com capinas ou herbicidas nas fileiras e roçar as entrelinhas.

Pode ser obtido um melhor uso dos recursos produtivos na área na propriedade rural através da diversificação de cultivos. O aproveitamento do espaço intercalar em um arranjo de linhas duplas de seringueira, no espaçamento 16 x 4,0 x 2,5 m (400 árvores /ha), permite a composição de sistemas agroflorestais com culturas anuais e semi-perenes. Na produção consorciada, diversas culturas adaptam-se perfeitamente ao cultivo intercalado com a seringueira, especialmente no início da exploração do seringal para amortizar os custos de implantação. No início da exploração da heveicultura no Estado de São Paulo, foram utilizados cultivares de valor para o consumo alimentar, tais como: arroz, feijão, soja, amendoim, milho e também o algodão.

Produção de Mudas

Colocar as sementes para germinar, logo que colhidas, em canteiros ou diretamente em recipientes individuais contendo substrato organo-arenoso, com a carúncula virada para baixo; cobri-las até a metade de sua altura com o substrato peneirado e irrigar duas vezes ao dia. A emergência ocorre em 20-40 dias e, a taxa de germinação geralmente é alta. Transplantar as mudas dos canteiros para embalagens individuais quando alcançarem 4-6 cm, as quais ficam prontas para plantio no local definitivo em 4-6 meses; no caso de se preparar mudas enxertadas, essa é a época de ser plantada no viveiro de campo. O desenvolvimento das plantas no campo originadas de pé franco é rápido, podendo atingir 3,5 m aos 2 anos.

A propagação preferencial é por enxertia, utilizando-se clones vigorosos e como potencial produtivo no Paraná, como o PB 235, RRIM 600 e GT 1. O material para plantio consiste de tocos enxertados e parafinados (com indução de raízes), transplantados em sacos plásticos. Ao apresentarem 1 a 2 “verticilos” foliares maduras, as mudas são levadas ao campo.

Sementes

As sementes de seringueira apresentam grande variabilidade vegetativa e produtiva, sendo usadas somente para a formação de porta-enxertos em viveiros, e não para plantios a campo. Por possuírem deiscência explosiva e não tolerarem sol, a coleta de sementes deve ser realizada a cada 2 dias. As sementes da espécie são recalcitrantes, tendo potencial de germinação de no máximo 80%.

O ideal é coletar as sementes no chão logo após sua queda espontânea. Um quilograma de sementes contém aproximadamente 260 unidades, cuja viabilidade em armazenamento não ultrapassa 90 dias. Para verificar a viabilidade da semente deve-se analisar o endosperma. Se ele apresentar cor branca e aspecto leitoso, a semente está viável, caso ele esteja amarelado, ela não é viável.

Melhoramento genético

Melhoristas têm tentado formular novas estratégias com o intuito de incrementar cada vez mais a produtividade do seringal, empregando um conjunto de métodos, ainda em desenvolvimento.

Os objetivos do melhoramento da seringueira variam de acordo com as necessidades específicas de cada região, local ou país.

Entre as características desejáveis estão: alta produção nas primeiras sangrias, crescimento satisfatório antes e após entrar em produção, boa resposta a estimulação, boa resposta a baixa intensidade de sangria, resistência ao mal das folhas, resistência à antracnose, resistência a quebra por vento, uniformidade (uniformidade de látex).

Um dos principais fatores limitantes na recomendação de clones de seringueira é o longo período de testes de campo (25 a 30 anos), que compreende desde a polinização controlada até a fase de teste, após a qual são recomendados aos produtores para plantio em larga escala. Tentando contornar esse problema, os institutos de pesquisa têm experimentado clones elites, originados de outras regiões, em solos e clima prevalecentes de áreas heveícolas da região a que se destina o material. Tratando-se de clones amazônicos, a busca de áreas que propiciem o escape da seringueira ao mal-das-folhas causada pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn) v. Arx, vem se constituindo como uma excelente alternativa para a utilização desses clones.

Fonte: www.ipef.br

Postado em 22/09/2008

Seringueira pode reforçar agronegócio mineiro

Minas Gerais tem as condições naturais e uma posição geográfica privilegiada para incorporar o cultivo da seringueira, em grande escala, às atividades do agronegócio. A borracha que se extrai da planta é um material cada vez mais necessário ao planeta, sobretudo com redução mundial das reservas de petróleo. As possibilidades do cultivo em praticamente todo o território mineiro são confirmadas por estudos realizados, nos últimos quatro anos, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria da Agricultura do Estado.

De acordo com o pesquisador Antônio de Pádua Alvarenga, que coordena o projeto “Avaliação da capacidade dos clones de seringueira de Minas Gerais”, no Centro Tecnológico Zona da Mata da Epamig, em Viçosa, a exploração da atividade pode beneficiar inclusive agricultores familiares. “São necessárias apenas quatro pessoas para cultivar cerca de cinco hectares de seringueira, que podem garantir uma renda mensal da ordem de R$ 3 mil”, ele estima. “O exemplo vem da Índia, onde um volume cada vez maior de pequenos produtores vinculados a cooperativas se dedicam ao cultivo de seringueiras em áreas de até um hectare.”

As condições favoráveis à produção de seringueira em Minas são confirmadas por pesquisas da Epamig nas fazendas experimentais de Oratórios e Leopoldina, na Zona da Mata. Segundo Alvarenga, os experimentos serão realizados nas demais estações experimentais da empresa espalhadas pelo Estado. “Os principais fatores favoráveis à cultura, no Estado, são a boa localização e a disponibilidade de água”, explica o coordenador. “A região Norte, algumas áreas da Zona da Mata e a parte do Sul de Minas mais próxima da divisa de São Paulo apresentam uma relativa exceção, com problemas de cultivo que, no entanto, podem ser corrigidos com irrigação”, ele ressalva.

Segundo Alvarenga, o cuidado principal deve ser evitar áreas sujeitas às geadas. “O cerrado mineiro é a região que apresenta as melhores condições para a seringueira, com destaque para o Triângulo, tem um clima excepcional, entre os melhores do Estado, sobretudo com um bom regime de chuvas”.

Alvarenga acrescenta que, apesar dos resultados obtidos com a produção orientada por técnicos, usando adubação correta e proteção contra eventuais pragas, Minas Gerais tem pouca exploração de seringueira. “Contamos com cerca de 3 mil hectares em produção, enquanto o Brasil dispõe de 105 mil hectares, e no mundo inteiro a cultura está espalhada em mais de 9 milhões de hectares. Há condições de desenvolver a cultura no Estado, apesar de as características climáticas serem bem diversas das predominantes na região Amazônica, que é quente e úmida.”

Ele considera comum o paradoxo de diversas plantas se desenvolverem bem, ou até melhor, em regiões com situação climática diferente das registradas em suas áreas de origem. Este é o caso, segundo o pesquisador, de produtos como a uva, a maçã e o café. “Enquanto as seringueiras das selvas são beneficiadas pelo controle natural de pragas, aqui podemos trabalhar com novas variedades, mais resistentes”, explica.

DEMANDA FORTE

Segundo o coordenador do projeto de desenvolvimento da cultura da seringueira em Minas, os produtores do Estado podem se beneficiar, em primeiro lugar, do crescente consumo de borracha no Brasil. Terão também a possibilidade de participar das exportações, inclusive ocupando parte do espaço deixado pelos grandes produtores da Ásia, que em futuro próximo deverão vender o produto transformado, portanto com cotação mais alta.

Alvarenga informa que o crescimento da demanda por borrachas no Brasil (6,06% ao ano) foi mais acelerado do que o mundial (4,16% ao ano). “Enquanto isso, o ritmo de crescimento da produção de borracha natural no Brasil (4,81% ao ano) em relação ao mundial (6,03% ao ano) mostra o país perdendo espaço na expansão da heveicultura como um todo”.

O levantamento do Centro Tecnológico da Epamig na Zona da Mata revela também que as importações brasileiras ultrapassaram 200 mil toneladas em 2007, volume equivalente ao dobro da produção nacional. O gasto com essas aquisições foi superior a US$ 300 milhões. “Portanto, a borracha natural brasileira atende apenas a um terço da necessidade da indústria consumidora local, o que indica um enorme potencial de mercado”, enfatiza o coordenador.

Em Minas Gerais, no período de janeiro a julho de 2008 as importações de borracha alcançaram 40,2 toneladas, contra 60,5 toneladas no mesmo período de 2007. Os dados são do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram organizados pela Superintendência de Política e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Estado.

Segundo o superintendente João Ricardo Albanez, a cotação do produto no mercado internacional dobrou de US$ 12,00 para US$ 24,00 o quilo. “As exportações de borracha por Minas Gerais ainda são irrelevantes, mas a demanda interna é muito alta e a cotação obtida pelo produto no exterior dita os preços no Brasil”, ele destaca.

De acordo com o IBGE, a produção de cerca de 4,5 mil toneladas anuais de borracha anual, em Minas Gerais, está distribuída em nove regiões: Central, Rio Doce, Zona da Mata, Sul de Minas, Triângulo, Alto Paranaíba, Centro-Oeste, Noroeste e Jequitinhonha. O rendimento médio das seringueiras nessas regiões varia de 750 a 2,8 mil quilos por hectare, sendo os melhores resultados obtidos nas áreas do Centro Oeste e no Alto Paranaíba. O Triângulo Mineiro se destaca com a maior produção, de cerca de 3,5 mil toneladas anuais.

AGRICULTURA FAMILIAR

O produtor Laércio Makoto Kanno e seu pai, Minoro, estão entre os pioneiros no cultivo de seringueira em Frutal, no Triângulo, com plantios iniciados em 1981 no distrito de Aparecida de Minas. Atualmente, eles contam com 45 hectares de seringueiras, cerca de 23 mil árvores, que produzem 8 quilos de borracha por ano cada uma. Todo o trabalho nas plantações é realizado por pai e filho mais seis ajudantes. “Essa atividade é indicada para a agricultura familiar porque possibilita a concentração de um trabalhador para cada 2,5 mil árvores e garante receita crescente, porque o consumo de borracha é alto”, explica Laércio.

Laércio informa que a borracha tem cotação firme no mercado internacional. “Os preços estavam bem altos no final dos anos 80, depois uma grande oscilação a partir de meados dos anos e até três anos atrás o mercado estava ruim, mas ocorreu a recuperação e atualmente podemos dizer que o negócio remunera bem”, explica. Segundo o produtor, “o mercado é livre e muito concorrido, com diversos compradores.”

Ele enfatiza que a receita compensa os investimentos: “O custo de produção é da ordem de 10% e está concentrado na fase inicial do cultivo, tendo maior peso o adubo, porque seus componentes são importados”, acrescenta. No período das águas é preciso fazer três adubações, e para diminuir os gastos com adubo importado, Laércio diz que vai fazer este ano uma experiência com a cama de frango (resíduos de ração, penas e de dejetos das aves) numa nova área de cultivo de 2,5 mil árvores na Fazenda Lageadinho.

O produtor explica que um dos cuidados com as árvores novas deve ser o controle das ervas daninhas. “É necessário também proteger as plantas de pragas como o ácaro e a mosca-da-renda”. E nesse caso também a Fazenda Lageadinho vai recorrer a produto alternativo. “Para atacar a mosca vamos substituir os defensivos químicos pelo controle biológico”, diz Laércio. Ele acrescenta que, atualmente, a Fazenda Lagedinho está concentrada no cultivo de seringueiras, porque predominam as plantas em plena produção, com cerca de oito anos e tronco com 40 centímetros de perímetro, no mínimo. “Até o terceiro ano de cultivo havia plantios consorciados de milho, soja e abacaxi, que também deram bons resultados”, assinala o produtor. “Pode-se fazer ainda o consórcio com café, a exemplo de muitas propriedades paulistas dedicadas aos seringais.”

PRODUTO VERSÁTIL

A borracha natural é valorizada por sua plasticidade, resistência à fricção, impermeabilidade a líquidos e gases e isolamento elétrico. Por isso é utilizada na fabricação de mais de 50 mil artigos. Além da extração da borracha, pode-se aproveitar o óleo da semente da seringueira, usado na indústria de tintas e vernizes e mel. A madeira da seringueira também constitui boa fonte de renda para os produtores.

“Por isso, os produtores que interessados em investir na atividade ou ampliar suas áreas de cultivo podem contar com um mercado que só aumenta”, diz Antônio de Pádua Alvarenga. Segundo o coordenador do projeto Avaliação da capacidade dos clones de seringueira de Minas Gerais, “somos o país de origem dessa cultura e o mais apto do mundo, em área e em extensão, para atender à demanda de borracha natural”. Ele destaca que, além da possibilidade de geração de renda para o produtor, os plantios de seringueira dão uma importante contribuição para a preservação ambiental fazendo seqüestro de carbono. “Por isso, no Estado de São Paulo a seringueira é considerada cultura de reserva legal”, finaliza.

Fonte: www.agrosoft.org.br (08/2008)

Postado em 17/01/2008

Rainha da Borracha

Como a Michelin espera se tornar uma das maiores produtoras de Làtex do Brasil e garantir suprimento de matéria-prima

BOCKIAU, DIRETOR: “Era um projeto econômico e virou um projeto de desenvolvimento sustentável”

Em 1984, quando a Michelin comprou os nove mil hectares de terra da Bridgestone Firestone, em Igrapiúna, na Bahia, a fabricante de pneus francesa pensou ter encontrado o pergaminho que a levaria à descoberta de um tesouro. A idéia era transformar as terras em um dos maiores pólos de produção de látex do País e assim atender à demanda de suas duas fábricas no Brasil. Com isso, reduziria a dependência das importações, responsáveis por dois terços do fornecimento da matéria prima para a filial brasileira. No entanto, a proliferação da praga da seringueira mudou os planos da Michelin. Importar borracha se tornou mais rentável do que continuar com a plantação. Se a gigante francesa conseguisse vencer a batalha contra a praga, estaria não só agregando um forte valor às suas terras como também criaria uma geração de seringueiras mais resistentes.

Mais: isso reduziria seus custos, pois o principal insumo estaria mais próximo das unidades fabris. “Além disso, temos certeza da procedência do produto”, explica o belga Gérard Bockiau, diretor-geral das Plantações Michelin da Bahia, há 12 anos no Brasil. Foi com base nesse raciocínio que nasceu o Ouro Verde Bahia, uma mistura de projeto de fornecimento garantido com responsabilidade social.

DO LÁTEX PARA A BORRACHA: até 2015, a Michelin aumentará a produção de borracha em cinco mil toneladas

Em 2003, a Michelin dividiu cinco mil hectares de suas terras em 12 propriedades médias e as entregou para funcionários da empresa, que deixaram seus cargos para se dedicar ao negócio. Em troca, a Michelin se comprometeu a comprar toda a borracha por eles extraída. Cerca de três mil hectares foram destinados à criação de uma reserva ecológica. Ao mesmo tempo, a companhia, em parceria com o Cirad, Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento, da França, passou a se dedicar à criação de uma seringueira mais resistente aos fungos. A Michelin também percebeu que para crescer seria necessário investir no desenvolvimento sustentável da região de Igrapiúna, um dos municípios mais pobres do País. Daí surgiu o programa de apoio à agricultura familiar. A empresa, com o respaldo financeiro do Banco do Nordeste, se comprometeu a ajudar famílias carentes a plantar seringueira. As mudas são vendidas a preço de custo e um profissional faz visitas constantes para orientar o plantio. Toda a borracha é adquirida pela Michelin. “Como a seringueira demora sete anos para iniciar a produção de látex, incentivamos o plantio de cacau e de banana para garantir o sustento dessas famílias nesse intervalo”, explica Paulo Roberto Bomfim, gerente de comunicação da Michelin. Das Neves Lacerda, de 34 anos, foi beneficiada pelo programa. A agricultora sustenta seus dois filhos com uma renda mensal de aproximadamente R$ 50 num sítio de sete hectares sem energia elétrica. “Para a gente foi maravilhoso, porque antes não sabíamos trabalhar com a terra e agora podemos dizer que somos técnicos”, conta ela. O Banco do Nordeste oferece às famílias um financiamento de R$ 10 mil por hectare, com juros de 1% ao ano e prazo de pagamento de cinco anos, para a lavoura de cacau, e 14 anos, para a plantação de seringueira. “No início pensamos em trabalhar com 500 famílias. Até 2015, a previsão é chegar a quatro mil famílias, que terão uma renda mínima garantida de dois salários mínimos”, diz Bockiau.

O PROJETO DA MICHELIN VAI PRODUZIR AINDA 4,5 MIL TONELADAS DE CACAU

Outra dificuldade encontrada pela Michelin foi a questão da mão-de-obra. Parte dos funcionários do Projeto Ouro Verde moram dentro das terras. Mas o espaço não era suficiente para abrigar todos os empregados, cada vez mais numerosos para atender a demanda da plantação. Foi daí que a Michelin criou o projeto Nova Igrapiúna, um condomínio de casas populares, vendidas por R$ 17,9 mil e financiadas pela Caixa Econômica. “O objetivo é que a mão-de-obra esteja próxima à Michelin”, afirma Silvio Roberto Carvalho, responsável pelo Nova Igrapiúna e gerente de produção da Michelin. Quase cinco anos depois do início do projeto, “que nasceu para resolver um impasse econômico e virou um projeto de desenvolvimento sustentável”, como afirma Bockiau, a Michelin comemora os resultados. Juntos, os 12 médios proprietários têm renda anual de US$ 50 mil. Mais de 400 novos empregos foram criados. A produção de borracha na região aumentou em 50%. São mais de 1,4 mil famílias beneficiadas. E os planos são ambiciosos. Até 2015, a Michelin espera, com um investimento de US$ 25 milhões, aumentar a produção de borracha em 5 mil toneladas por ano, o equivalente a 5% da produção nacional, e 4,5 mil toneladas de cacau – 3% da produção do Brasil. A empresa visa construir mais 250 casas populares e distribuir em larga escala as novas variedades de seringueira.

Fonte: ROBERTA NAMOUR, DE IGRAPIÚNA (BA) – IstoÉ Dinheiro (Edição 560 – 06/2008)

Postado em 08/01/2008